‘Luz da Terra’ abre Central para produções locais
Universidade também é diversidade e deve abraçar todos. É assim que o pró-reitor de Cultura da UFJF Gerson Guedes sintetiza o Projeto Luz da Terra, que busca levar apresentações locais de dança, música, teatro e outras manifestações artísticas para o palco do Cine-Theatro Central. O título é uma menção ao ator, diretor e jornalista Robson Terra, grande entusiasta do teatro juiz-forano, que faleceu em 10 de abril do ano passado. Além disso, simboliza as luzes do palco iluminando os artistas de nossa terra, diz Gerson.
A iniciativa concede dez datas do teatro para 2013, que serão selecionadas por uma comissão. Cada grupo ou artista poderá pleitear um dia nesta agenda. Caso haja cobrança de ingresso – que poderá ter valor máximo de R$ 25 -, os produtores deverão pagar uma taxa mínima de ocupação. De 2007 a 2011, a ocupação do Cine-Theatro Central era providenciada por meio do Projeto Sérgio Lessa, que já levou ao espaço atrações como a banda Lúdica Música!, o espetáculo teatral A Bela e a Fera, o músico Joãozinho da Percussão, o reggae do Rama Ruana, montagens cômicas do TQ, entre tantas outras.
Obrigatoriamente 10% dos ingressos dos espetáculos serão destinados a escolas públicas e instituições filantrópicas. Para Gerson Guedes, oportunidade é a palavra que melhor descreve o projeto. O Cine-Theatro Central é uma casa histórica – e um patrimônio da cidade e do país. Uma casa de espetáculos de grande visibilidade nacional. É a oportunidade de grupos exclusivamente locais mostrarem seu trabalho em um espaço deste porte. Além disso, ele destaca a chance de o público que não conhece a casa ter acesso a ela.
As inscrições para o Projeto Luz da Terra são gratuitas e serão realizadas de 15 a 30 de abril, de segunda a sexta, das 9h às 17h, na secretaria do Cine-Theatro Central (Praça João Pessoa, Calçadão da Rua Halfeld). Poderão participar artistas, grupos, companhias e empresas que estejam sediadas há no mínimo três anos em Juiz de Fora. Os resultados serão divulgados no prazo máximo de 15 dias após o encerramento das inscrições.
O pró-reitor Gerson Guedes, que preside a Comissão de Seleção, adiantou que a banca contará com nomes tradicionais da cultura municipal, mas também terá surpresas. Entre os critérios de avaliação, estão a qualidade artístico-cultural do espetáculo, a originalidade e estratégias de divulgação. A documentação necessária e mais informações estão especificadas no edital, disponível no site www.theatrocentral.com.br.
Renata Delage
O patrimônio cultural e arquitetônico de Juiz de Fora perdeu, na madrugada de ontem, um de seus mais atuantes defensores, Wilson Coury Jabour Júnior. Procurador do município e integrante do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural (Comppac), Wilson Júnior – filho do ex-vereador Wilson Coury Jabour, que presidiu o legislativo por três gestões, entre as décadas de 1960 e 80 – tinha 51 anos e foi vítima de infarto. Bacharel em direito com licenciatura em estudos sociais, Wilson atuava ainda no Conselho de Amigos do Museu Mariano Procópio e no Instituto Histórico e Geográfico da cidade.
Segundo um dos irmãos do procurador, Alexandre, Wilson foi encontrado em casa pela mãe, caído no chão, na manhã de ontem. O Samu e o médico da família foram chamados, mas Wilson já havia falecido. Toda a família, nossos pais, irmãos e sobrinhos, estão muito consternados. Ele viveu para ajudar os outros, diz. O sepultamento está marcado para hoje, às 8h30, no Cemitério Parque da Saudade. O corpo será enterrado no túmulo da família materna do procurador.
Em fevereiro, ao lado de Nilo Lima de Azevedo, Wilson lançou o livro Reflexões e olhares: o patrimônio cultural de Juiz de Fora, que apresenta uma reflexão teórica sobre as políticas de proteção do patrimônio cultural no cenário de Juiz de Fora, desde sua primeira legislação, em 1982, até a formação do Comppac. São duas perdas enormes: de alguém que amava Juiz de Fora e se preocupava com a memória e com a qualidade de vida de quem mora aqui e, também, de um amigo generoso, sempre preocupado em tratar com carinho os muitos amigos que ele tinha, diz Azevedo. A página de Wilson no Facebook ficou repleta das manifestações de amigos.
O livro é uma importante contribuição para a história e para a preservação da área na cidade, segundo o amigo, arquiteto e também membro do Comppac, Marcos Olender. Sabemos da fragilidade da vida, mas é algo muito impactante receber a notícia da perda de alguém tão atuante e cheio de gás, como era o Wilsinho, avalia Olender, que também destaca a importância do procurador na fundação do Programa de Estudos e Revitalização da Memória Arquitetônica e Artística (Permear). Ele era um companheiro nessa militância da preservação. Sua perda é muito sentida para a cidade não apenas por suas contribuições, mas também por suas qualidades humanas, acrescenta.
De acordo com o superintendente da Funalfa, Toninho Dutra, a cidade perde um dos maiores colaboradores na questão de preservação do patrimônio, tanto no campo conceitual quanto na prática. Para Toninho, Wilson era considerado a memória viva da história do tombamento em Juiz de Fora.
A Câmara Municipal também prestou homenagens a Wilson Júnior e fez, ontem, um minuto de silêncio em pesar pela morte do procurador do município e cidadão atuante.
