
Amigos há mais de quatro décadas, sete dos mais importantes nomes da MPB e do rock brasileiro aproveitam a oportunidade para subir ao mesmo palco e, assim, celebrar suas parcerias e histórias com o show “Encontro marcado”, que iniciou turnê no último final de semana e que chega a Juiz de Fora neste sábado, no Cine-Theatro Central. Sá, Guarabyra, Flávio Venturini e o 14 Bis (Vermelho, Sérgio Magrão, Cláudio Venturini e Hely Rodrigues) vão relembrar alguns de seus maiores sucessos num espetáculo com 20 canções, entre elas “Planeta sonho”, “Nave de prata”, “Espanhola”, “Linda juventude” e “O pó da estrada”.
Ainda animado com o sucesso das apresentações em Belo Horizonte, Luiz Carlos Sá conversou com a Tribuna sobre o projeto que enfim reuniu o grupo de amigos. Como lembra o cantor e compositor, a vontade de se apresentarem juntos sempre existiu, mas a agenda de cada um dificultava a execução da ideia. “Chegamos a fazer esse show em duas oportunidades: a primeira em 2008, ainda com o Zé Rodrix (morto no ano seguinte), e a segunda em 2011. Então dois empresários de Belo Horizonte, o Gegê Lara e o Carlos Alberto Xaulim, nos apresentaram a ideia, e, desde o ano passado, reservamos as datas”, conta a metade da dupla com Guarabyra. “Demos um outro formato ao show, agora com todos juntos no palco. Virou uma ‘quarta banda’, e é uma ocasião para fazermos novos arranjos.”
Essa “quarta banda” iniciou os ensaios já em 2015, com uma pequena pausa para o carnaval e outros compromissos. Foram escolhidas, então, as 20 canções que vão fazer parte da turnê mineira do espetáculo, podendo ser alteradas a partir da visita a outras capitais. A escolha, porém, não foi fácil. “A gente não conseguia resolver o repertório, porque cada um escolhia as suas músicas preferidas dos outros. Como não chegávamos a um acordo, resolvemos pegar apenas os sucessos. É mais fácil (preparar o show) porque muita coisa foi feita em parceria, diferentemente de pegar um repertório desconhecido ou de inéditas. O que havia era um dando pitaco no arranjo do outro, foi tudo muito tranquilo. Todo esse entendimento pessoal e musical que a gente tinha voltou como num passe de mágica.”
Antes dos shows de estreia da turnê, foi feita uma “pré-estreia” no Chevrolet Hall, também na capital mineira, que reuniu cerca de cinco mil fãs. O ânimo do público prosseguiu na semana passada, com três mil pessoas comparecendo ao Palácio das Artes no sábado e no domingo. “O show do sábado esgotou com dois dias de antecedência, o de domingo, logo pela manhã do dia da apresentação. Você pega um público de três artistas diferentes, com carreira sólida, de sucesso, e que nota nossa satisfação de tocar juntos após 40 anos de amizade. Parte do grupo O Terço, que foi o embrião do 14 Bis, tocou comigo e com o Guarabyra antes de formarem a banda”, destaca. “Os iluminadores só precisam ficar atentos para os improvisos, porque, como todo mundo conhece as músicas, sempre tem alguém entrando para cantar junto no meio da canção. Agora, tudo pode (risos).”
Lembranças de Juiz de Fora
Luiz Carlos Sá destaca, ainda, a importância para todos de voltar a tocar no Cine-Theatro Central. “O Central é um espaço emblemático para todos nós, uma parte importantíssima do começo de nossas vidas. Foi aí que o Magrão estreou no baixo com o Zé Rodrix, nos anos 1970, quando ele defendeu ‘Casa no campo’ em um festival que houve na cidade. Foi também em Juiz de Fora que fiz amizade com os mineiros (Milton Nascimento, Lô Borges etc.) e tomei conhecimento da música mineira. Fiz muitos amigos na cidade. Esse festival dava uma abertura para gente nova. O Guarabyra venceu dois desses festivais, o Zé venceu com ‘Casa no campo’. Vamos nos sentir em casa”, diz o cantor, lembrando que uma das primeiras apresentações do retorno do trio Sá, Rodrix e Guarabyra, na década passada, se deu em Juiz de Fora.
Após a apresentação na cidade emblemática para o artista, o “Encontro marcado” vai até Pato de Minas e Uberaba ainda este mês. Outro show vai acontecer em maio, em Divinópolis, e o restante do país vai entrar na rota dos sete amigos assim que forem combinadas as agendas. Além disso, a reunião dos parceiros de música e vida já vai render, pelo menos, um CD de estúdio, com algumas canções já concluídas. Um DVD ao vivo também está nos planos.
Ao mesmo tempo, Sá & Guarabyra também têm seus planos. “Eu e o Guarabyra queremos gravar, até o fim do ano, um DVD ao vivo com nossos sucessos e algumas inéditas, além de relançar o nosso último álbum com o Zé Rodrix, que ficou pronto duas semanas antes da morte dele e que, por isso, não foi tão divulgado.” Luiz Carlos Sá também planeja lançar um álbum solo, celebrando os seus 50 anos de composição. “Estou preparando um show chamado ‘Totalmente solo’, que também pode virar um DVD. Será apenas eu e cinco violões, é algo que vai me exigir muita concentração. É um desafio que estou me propondo.”
ENCONTRO MARCADO
Neste sábado, às 21h
Cine-Theatro Central
(3215-1400)
