
Primeiro trabalho do clarinetista e saxofonista Caetano Brasil busca mostrar a versatilidade do choro a partir da mistura com outros estilos
Caetano Brasil tem apenas 21 anos e não deixa de usar a seu favor a disposição que a idade pode conceder. Participando do cenário cultural de Juiz de Fora desde a virada da última década, o músico, compositor, arranjador e produtor já trabalhou com meio mundo e um pouco mais, participando de gravações, shows, espetáculos teatrais… E ainda consegue tempo para gravar seu álbum de estreia, que leva seu nome e terá show de lançamento neste sábado na Sociedade Filarmônica de Juiz de Fora. Além das músicas de seu primeiro disco, Caetano, que toca saxofone e clarinete, vai apresentar algumas composições que ficaram para os próximos registros fonográficos. Ele será acompanhado no palco por Adalberto Silva (contrabaixo), Gladston Vieira (bateria), Rick Vargas (percussão) e Guilherme Veroneze (piano).
A estreia de Caetano Brasil em CD reúne nove canções: sete de sua autoria, uma em parceria com Rafa Castro (Damasco) e uma releitura de “Ó abre alas”, de Chiquinha Gonzaga. O trabalho, financiado por meio da Lei Murilo Mendes, foi gravado em apenas duas sessões: a primeira, em julho, teve como base o Fibra Estúdios, no Rio de Janeiro; a segunda, em agosto, foi em Juiz de Fora mesmo, no Nave Studio.
“Uma coisa que prezei foi gravar o mais breve possível, para não perder o sentido artístico que norteava o álbum quando mostramos o projeto. E foram apenas duas sessões de gravação para termos essa proximidade do que apresentamos ao vivo, com as improvisações. Fizemos as bases no Rio de Janeiro, enquanto que os overdubs e as participações especiais (André Pires no acordeom, Fabrício Nogueira no cavaquinho e Samy Erick no violão) foram registrados aqui na cidade”, conta o artista, acrescentando que o lançamento do álbum é o encerramento do primeiro ciclo do Caetano Brasil & Grupo, formado há dois anos.
“O segundo ciclo começa agora, com a divulgação do trabalho e a articulação para a futura gravação das canções que ficaram de fora.” Já neste sábado, adianta, o álbum poderá ser adquirido no formato digital na Amazon e no iTunes, além de poder ser ouvido pelos serviços de streaming Spotify e Deezer. O site do artista (www.caetanobrasil.com) entrou na onda e foi repaginado.
Cem músicas em 365 dias – e sem parar
Música, aliás, é o que não falta no repertório de Caetano. Além das ideias que surgiram durante a produção do álbum, ele desenvolveu em 2014 um projeto que espera, um dia, ver concretizado também em CD: foi o “Um ano, cem canções”, em que se desafiou a compor cem músicas a partir da mistura do choro com outros ritmos. “Estava buscando o diálogo com músicas de outros lugares, como a latinoamericana, o jazz, a música do leste europeu, a oriental e a impressionista. Algumas (‘Assimétrica’, ‘Um domingo no céu’ e ‘Mestre André’) até entraram no álbum. E eu continuo compondo, é um processo de evolução a partir do que estou ouvindo e trabalhando’, afirma Caetano Brasil, que classifica a música que faz como uma variante da world music: o “worldchoro”. “Eu busco um viés contemporâneo para o choro a partir dessas misturas, estando diretamente ligado à estrutura do gênero, mas não necessariamente à estética tradicional.”
Ainda falando sobre o tema, o compositor acredita ter aprendido muito com essa busca por novos caminhos. “Apesar de a música instrumental ter essa coisa popular – mas não popularesca -, ela permite essa abertura (para as misturas). Há muito tempo o choro é comparado ao jazz não só pela linha histórica concomitante, mas também pela abertura sonora. A diferença é que o jazz vem dos Estados Unidos, com sua predominância cultural que ajudou a difundir o gênero, enquanto que houve um delay (atraso) com o choro. Acredito que estou ajudando, hoje, com essa divulgação.”
Arte que vem do berço
Caetano Brasil vem de uma família ligada às artes, mas é o primeiro a se tornar músico. “O interesse por ouvir música e a conhecer as artes em geral vem do berço. Minha mãe era professora e participava de grupos de teatro, mas sempre ouvia música em casa: MPB, Gilberto Gil, Marisa Monte… Meu avô, por outro lado, era ouvinte constante de música clássica, e meu pai tinha ligação com artes plásticas, teatro, dança. Então, ao completar 10 anos, pedi um violão de presente, pois via o pessoal tocando, e achava legal”, relembra. O presente, porém, foi outro: uma flauta doce. “Foi a melhor coisa que ela pôde fazer por mim”, diz ele hoje, que logo procurou aprender as manhas do instrumento.
Mais tarde, na adolescência, começou a participar de uma oficina de música no centro espírita de seu bairro, e foi lá que teve o primeiro e decisivo contato com o choro. “À medida que me desenvolvia na oficina de flauta doce, o Marcelo Gonçalves, que era professor de violão, me incentivou a passar para o clarinete. Ele conseguiu um instrumento emprestado para mim, e foi amor à primeira vista”, diz. Nessa época, Caetano chegou a participar de um regional (como são chamados os grupos de choro) montado com alunos da oficina, mas aos 15 anos foi à sua primeira reunião com o Clube do Choro.
“O pessoal logo passou a me convidar para tocar com eles”, comemora o músico, que desde então vem subindo novos degraus, como os quase dois anos em que estudou na Bituca (Universidade de Música Popular de Barbacena). “Foi muito importante, porque tive a oportunidade de conhecer outros músicos e o pessoal do grupo Teatral Ponto de Partida, com quem trabalho até hoje”, destaca. Segundo Caetano, ele viaja pelo país com o grupo participando de três espetáculos. Além disso, segue realizando shows, produzindo ou tocando em álbuns de outras artistas de destaque regional ou nacional de MPB, incluindo Yamandú Costa, Dudu Lima, Lúdica Música!, Chadas Ustuntas e Cristovão Bastos.
CAETANO BRASIL
Neste sábado, às 20h
Sociedade Filarmônica de Juiz de Fora
(Rua Oscar Vidal 134)

