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Mozart segundo os brasileiros

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Orquestra Barroca tem reputação internacional pelo sólido trabalho continuado e o alto nível artístico de suas realizações
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Orquestra Barroca tem reputação internacional pelo sólido trabalho continuado e o alto nível artístico de suas realizações

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Carro-chefe do consagrado Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga, promovido pelo Centro Cultura Pró-Música/UFJF, a Orquestra Barroca lança, neste domingo, o 14º álbum do grupo, formado por músicos de várias partes do mundo e dirigido por Luís Otávio Santos. O lançamento acontecerá na Igreja da Glória, às 20h30, com concerto das orquestras e Coral Pró-Música/UFJF, sob regência de Nerisa Aldrighi e Guilherme Oliveira.

Gravado em julho, durante o Festival de Música Antiga, o álbum traz como destaque a primeira versão brasileira com instrumentos de época do "Requiem" de W. A. Mozart. "É uma obra-prima, uma peça de grande proporção e muito conhecida por quem se interessa por música clássica. É uma alegria poder oferecer ao público uma versão feita no país", diz o regente e violinista barroco Luís Otávio Santos. Para dar vida à versão brasileira da obra, a orquestra se apoiou no estudo, base do resgate da técnica e da interpretação historicamente correta.

"Fonte inesgotável de beleza e deslumbramento, o ‘Requiem’ exige uma entrega completa dos músicos; uma execução padronizada ofende e diminui tudo na obra, desde sua gênese ao seu conteúdo e efeito", avalia o regente. Mais que uma nova versão entre tantas da peça – cuja leitura, segundo Santos, só se revelará completa no plano das ideias -, a execução leva consigo os valores do evento. "Aqui neste CD temos não somente mais uma versão, mas sim a ‘nossa’ versão, aquela que espelha todo o espírito do festival – a paixão pela música e a perseverança na crença de que ela pode, sim, unir e transformar as pessoas." Mozart ainda é homenageado no programa com a interpretação da peça "Ave verum".

Outra novidade da gravação é a participação especial do Conjunto Calíope, coro carioca dirigido por Júlio Moretzsohn. A participação ganhou ares de comemoração, já que o grupo completa 20 anos de existência, retornando ao evento no qual estreou, em 1993.

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Característica dos álbuns anteriores, a "dobradinha" entre peças europeias e coloniais continua presente no trabalho da Orquestra Barroca. A música colonial é representada nesta edição por um de seus maiores expoentes, padre José Maurício Nunes Garcia. "Ele foi o maior compositor colonial. Chefe da música da corte de dom João VI, compunha com qualidade que se aproximava à dos europeus. É um orgulho saber que desde aquela época já existia talentos no país", observa Santos. Foram registradas no álbum duas obras breves do compositor: "Dies sanctificatus" e "Gradual de S. Sebastião".

 

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Dedicação e longevidade

 

Para Luís Otávio Santos, o CD e o festival de 2013 são especiais aos envolvidos, já que este é o primeiro ano em que o evento se realiza inteiramente dentro da UFJF. "A maior meta desta parceria é garantir a longevidade de todos os projetos da instituição. Essa incorporação vem se dando há três anos, em um processo gradual, mas em 2013 o festival ganhou muito em poder contar com uma infraestrutura mais presente, uma assessoria para receber os artistas, além da parte propriamente acadêmica", diz o violinista, ressaltando ainda a facilitação do intercâmbio com outras instituições do país e, sobretudo, do exterior.

"Foram muitos os momentos em que Juiz de Fora ganhou o mundo em função do festival, que vem deixando sua marca em gravações que registram um tesouro que, não fossem os esforços do Pró-Música, estaria perdido", destaca o reitor da UFJF, Henrique Duque, em texto do encarte que acompanha o álbum.

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"A gravação é um documento importante para a discografia brasileira", reforça Santos, destacando que os 14 registros da Orquestra Barroca são CDs únicos, que refletem a evolução musical do país. "Muitos acreditam que, com o passar dos anos, as coisas ficam mais fáceis, mas quanto mais tradicional um evento, maior é o compromisso em se superar", diz. No próximo ano, o Festival de Música Antiga comemora suas bodas de prata. "É algo raro. Por isso já figura entre os mais antigos do país e precisa ser, a cada ano, incrementado, não só em seu corpo docente, mas também em relação aos grupos convidados para os concertos."

A Orquestra Barroca possui uma formação única no país em seu segmento, contando ainda com convidados da Europa, e é resultado das principais metas do festival: o estudo, a realização e a divulgação da música antiga, interpretada segundo critérios técnicos e estilísticos de sua época. Em seus 14 CDs já gravados e um DVD, o grupo interpretou, além das peças de Mozart e Nunes Garcia, obras de J.S. Bach, G.F.Handel, G.P.Telemann, J. M. Leclair, A. Vivaldi, J.G.Graun, J.Emerico Lobo de Mesquita, André da Silva Gomes e J. Haydn. Em 2006, a orquestra recebeu o prêmio Disco de Ouro, concedido pela revista "Diapason" pela gravação do CD com obras de J. F. Rebel, J. S Bach e Lobo de Mesquita.

O regente Luís Otávio Santos atua com as mais conceituadas formações de música barroca no panorama mundial. Em 2007, o violinista, que é diretor artístico do festival e diretor para assuntos internacionais do Pró-Música/UFJF, foi agraciado com a Ordem do Mérito Cultural do Ministério da Cultura, distinção concedida aos que mais se destacam na divulgação da cultura brasileira.

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LANÇAMENTO DO CD DA ORQUESTRA BARROCA

Com concerto das orquestras e Coral Pró-Música/UFJF

Domingo, às 20h30

Igreja da Glória (Av. dos Andradas 855 – Jardim Glória)

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