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Exposição ‘Paisagem: áspera pele’ reconstrói paisagem marítima no Mamm

Exposição 'Paisagem: áspera pele' reconstrói paisagem marítima no Mamm
Exposição 'Paisagem áspera pele' reconstrói paisagem marítima no Mamm
Obra a partir da cianotipia, sem título (Foto: Divulgação)
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Uma série de caminhadas à beira-mar. É assim que começou o processo criativo de Julia Ciampi e Tiago Lima, que deu origem à exposição “Paisagem: áspera pele”, que está em cartaz no Museu de Arte Murilo Mendes (Mamm). Os artistas trazem a paisagem da Praia Grande, em Arraial do Cabo, no Rio de Janeiro, para Juiz de Fora em uma série de esculturas, fotografias e cianotipias em uma programação que envolve ainda oficinas e rodas de conversa.

Julia Ciampi e Tiago Lima frequentam a extensa faixa de areia da Praia Grande desde a infância. Talvez por isso o imaginário da água salgada e a areia já estivessem presentes antes mesmo da pesquisa para a montagem da exposição começar. Ao todo, estão expostas 60 obras, que foram produzidas entre 2023 e 2026, navegando entre a memória e a investigação artística.

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Estando em exibição no Mamm, a exposição, que explora a passagem do tempo na paisagem e seus efeitos, também dialoga profundamente com o poeta Murilo Mendes no poema “Certo mar”, presente no livro “Parábolas”. Nesta fase do poeta, considerada surrealista, há uma transição entre o material e o espiritual que também dialoga com “Paisagem: áspera pele”.

Além da mostra, a programação também envolve oficinas de cianotipias, processo artesanal de fotografia que produz imagens monocromáticas, marcadas por um tom de azul, nos dias 12 e 26 de setembro, cujas inscrições poderão ser realizadas via formulário disponibilizado pelo museu.

Chinelo construído com recortes encontrados no local (Foto: Divulgação)

Já as rodas de conversa com os alunos da universidade e de escolas devem ser agendadas pelos próprios professores (ou responsáveis) direto com o museu, pelo e-mail visiteomamm@gmail.com para grupos de 8 a 40 pessoas.

Os arqueólogos do tempo

“A grande maioria das pessoas acham, a primeira vista, que nossas obras são feitas de cerâmica, pedras ou até mesmo corais. Acham também que pintamos, e já elogiaram o ‘trabalho de cor’ que fazemos. Porém não interferimos nos objetos que encontramos”, explica Julia.

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Os objetos em exposição não são alterados pelos artistas em forma ou cor, assumindo um lugar de protagonismo. Encontrados na faixa de areia da praia, eles impõem sua paleta de cores e história aos artistas.

“Nossa prática é baseada em objetos encontrados, e os encontramos nas caminhadas. São objetos que foram descartados ou perdidos, que encalham, aparecem e desaparecem todos os dias com o movimentos das marés”, conta Julia.

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Entre fotografias, fragmentos de sandálias e boias de pesca encontrados durante as caminhadas da dupla, um dos temas centrais é também o deslocamento. Tiago explica que muitos dos objetos presentes naquela paisagem não são originais de lá, mas de alguma forma, passam a ser.

E Julia completa, indicando uma beleza própria que marca a linguagem da exposição: “São objetos lindos porque foram tocados pelo tempo e pela paisagem”. Além disso, eles também carregam o peso de serem frutos de uma produção de massa e, ao mesmo tempo, terem se tornado únicos pela passagem do tempo.

Expostos na areia

O uso de diversos suportes para a montagem de “Paisagem: áspera pele” também não é por acaso. Formados no Instituto de Artes e Design (IAD) da UFJF, Julia e Tiago foram incentivados a borrar as fronteiras entre diferentes linguagens, como a escultura e a fotografia.

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“Não fazemos, no processo, uma separação. Tudo acontece em conjunto, de acordo com o que cada objeto ou matéria demanda”, conta Ciampi.

Tudo na montagem foi pensado para trazer o deslocamento do mar para a Galeria Retratos-Relâmpago do Mamm. O projeto expográfico foi desenvolvido em parceria com os arquitetos Nicolas Crown Guimarães, Marcelo Khoury Alves e Vitor Lima, contanto com um palco curvo que emula o desenho que as ondas fazem na areia, recebendo as esculturas.

Fotografia faz parte da composição do espaço (Foto: Divulgação)

Na entrada da exposição, estão inclusas três fotografias que retratam a Praia Grande e o processo de coleta dos artistas, inseridos para dar um contexto ao espectador, além do texto curatorial de Ricardo Cristofaro.

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Sobre o propósito das esculturas, Tiago reflete: “Talvez refletir seja uma palavra mais próxima. Porque o reflexo nunca devolve uma imagem estável. Ele distorce. Oscila. Falha. Então talvez as obras sejam menos representações da paisagem do que superfícies atravessadas por ela”.

Sobre os artistas

Julia Ciampi é bacharela em Artes & Design e em Artes Visuais pela UFJF, com formação complementar pela Escola de Artes Visuais do Parque Lage e, atualmente, é mestranda em Artes Visuais na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Tiago Lima também realizou formação na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, é bacharel em Design e Artes Visuais pela UFJF, mestre em Poéticas Visuais pela mesma instituição e atualmente doutorando em Artes Visuais na UFMG.

Serviço

“Paisagem: áspera pele”
Visitação de terça a sábado, das 9h às 18h. Domingos e feriados, das 13h às 18h
Galeria Retratos-Relâmpago, Museu de Arte Murilo Mendes (Rua Benjamin Constant, 790)
Entrada gratuita

*Estagiária sob a supervisão da editora Cecilia Itaborahy

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