É hora de invertermos os fatores. Sermos mais do que termos mais. A serenidade das palavras de Thiago Varzé sobre seu novo trabalho, Tempo de ser, permeia a musicalidade e as letras do álbum. Moderno, o disco mostra o amadurecimento do artista paulista como cantor e compositor, com faixas que casam letras despidas de rebuscamento – porém plenas de poesia – com arranjos tão modernos quanto aconchegantes aos ouvidos. Assimilo e assumo a vertente pop na estética deste disco. Meu trabalho anterior é menos urbano, mais suave, conta ele em entrevista à Tribuna.
Segundo Thiago, as composições de Tempo de ser abordam os valores humanos sob diversas perspectivas, guiados sempre por uma necessidade de sermos mais e melhores. Quase totalmente autoral, o repertório do álbum é permeado por canções que falam de amor e das relações humanas, a maioria no formato de baladas harmônicas como Juntos, Por nós, Bem viver, Boa intenção e Amanhecer, que tem cara de hit de rádio.
O que se ouve remete, inevitavelmente, a Djavan e Jorge Vercillo, influências que Thiago não refuta e, ao contrário, reafirma. Djavan é a minha maior referência. O Vercillo é um extraordinário compositor, músico, intérprete e ser humano de sensibilidade e generosidade ímpares.
A atmosfera apaixonada é quebrada com a suingada Pimenteiro, que fala de fé, proteção e bênçãos sem amarras religiosas.
Já o sambinha pop A voz do Brasil traz uma letra oportuna para o momento político-social do país, um quê dos protestos cotidianos e coloquiais das letras de Gonzaguinha em versos como Diz aí meu irmão/A barra tá pesando pra todo cidadão. A música tem ainda a participação de Pedro Mariano, outra influência confessa de Thiago. Interessante é que essa música tem uns 12 anos. Isso mostra que o Brasil está mesmo na contramão. E ter o Pedro cantando é a realização de um sonho, sou muito fã.
Parte das composições é resultado do bate-bola entre Thiago e os músicos Dani Gurgel e David Silva. É poder agregar valores e sentimentos a uma idéia que anteriormente era apenas minha. Ao mesmo tempo que se partilha, soma-se. É uma troca deliciosa. A única faixa não autoral é uma releitura de Tribo, do músico mineiro Zé Modesto. É uma responsabilidade tremenda. Primeiramente temos que ter admiração e respeito pelo que já foi criado. Depois é deixar registrado sob outra ótica o meu modo de enxergar aquilo.
Planos para o futuro? Seguir com Tempo de ser, colhendo os frutos do trabalho pelo país afora, ligado a cada detalhe que possa se transformar em inspiração. Todo tipo de história, pessoa e paisagem me inspiram. Do farol fechado no trânsito caótico ao nascimento de um novo ser humano na Terra.
