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‘O raciocínio do coração é outro’

o escritor e apresentador da tv gazeta lanca o livro para onde vai o amor para o dia dos namorados

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O escritor e apresentador da TV Gazeta lança o livro
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O escritor e apresentador da TV Gazeta lança o livro “Para onde vai o amor” para o Dia dos Namorados

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Conhecido pelas instigantes teorias sobre relacionamento, o escritor e apresentador do programa “A máquina”, da TV Gazeta, Fabrício Carpinejar não podia deixar de disparar uma de suas máximas durante entrevista, por telefone, a essa repórter. “Conviver comigo é uma espécie de big brother literário. Só que em vez de a outra pessoa ser eliminada, sou eu quem sou”, diz o poeta e cronista, que acaba de mandar para as prateleiras o livro “Para onde vai o amor?” (Bertrand, 176 páginas) para o Dia dos Namorados. A publicação traz as agruras de um casal que está prestes a se separar, mas que não consegue colocar um ponto final definitivo no relacionamento. “Eles buscam a ruptura pela conversa, pelo barraco, pelo amigável e não adianta. Eles sofrem de saudade e, ao mesmo tempo, não conseguem conviver.”

Nas 42 crônicas, o autor entrega ao leitor o que ele chama de um livro muito pessoal. “Nele, tento deslindar meus fantasmas. Acredito que, somente dividindo a fraqueza, a gente se torna forte”, comenta ele, que, abertamente, volta ao bullying sofrido na infância. “Evidente que eu criei a autocrítica e o humor para me defender disso, mas tem gente que não vai ter minha resistência, minha força de vontade. Preferia ter sido valorizado justamente pela minha esquisitice, que eu tivesse tempo para mostrar quem eu era, que eu não precisasse ficar me explicando ou porque eu tinha uma cabeça grande, ou porque tinha pernas tortas, ou porque falava errado”, afirma. “Acho que eu não precisava ter sofrido tanto para me aproximar das mulheres porque eu era feio. Precisamos desarmar o bullying.”

Carpinejar nasceu em meio às letras. É filho dos poetas Carlos Nejar e Maria Carpi. Sua lista de premiações literárias inclui o disputadíssimo Jabuti, de 2009. Sem meia palavras, mostrou nesta conversa o porquê de ter sido escolhido pela revista “Época”, em 2011, como uma das 27 personalidades mais influentes da internet. Você se autocensura? “Se eu falasse tudo o que eu penso, você não seria minha amiga e nem me cumprimentaria na rua”, brinca.

Tribuna – “Para onde vai o amor” traz respostas para os leitores?

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Fabrício Carpinejar – Acho que sim, na medida em que estou mostrando que este novo tempo é um pouco perverso. As pessoas têm muita pressa para se separar, muita pressa para dar errado e não para dar certo. Não há mais aquela convivência, aquela amizade, aquela toada, aquela sedução, o enamoramento. De uma certa forma, se a pessoa se encaixa na sua vida, fica, se não se encaixa, vai embora. A gente está sendo muito funcional no amor, e o amor não é para ter função. O amor é essa conexão com sentimentos inexplicáveis, como a esperança, a fé, a persistência.

– Seus textos nascem de suas experiências ou de suas observações?

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– Todos falam de mim. Não tem como ter uma teoria sem uma prática, sem vivência. Eu sofri muito, por isso tenho esse riso escancarado. Acredito que a dor ensina a rir melhor, a dor não ensina a gemer mais. Quem sente dor, quer sair da dor, não gosta da dor. O que quero destacar neste livro é o quanto estamos numa época de amores zumbis, amores mortos vivos. Há uma certa ânsia virtual: “Ah, toca a bola para frente, parte para outra, segue adiante”. A gente precisa renovar nosso status no Facebook e não se preocupa com o quanto o coração é lento. O raciocínio do coração é outro.

– Dizem que você não gosta de amor romântico, gosta mesmo é do amor imperfeito. É isso mesmo?

– Eu não sou uma pessoa que quer abolir os defeitos, pelo contrário. Eu não quero que a pessoa seja uma projeção minha. Quero que meus defeitos se apaixonem pelos defeitos dela, que tenha essa correspondência da imperfeição, que minha imperfeição provoque comoção nela. Quero que ela me ame mais por aquilo que está quebrado em mim, que ela não tente consertar o que está quebrado em mim.

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– O número de mulheres que comentam suas postagens no Facebook é muito superior ao de homens. Eles te leem?

– Se o homem não me lê, vai ser pior para ele, porque ele vai ser obrigado a ler pela sua namorada. Então, que faça isso quando der vontade. Mas meu público feminino acaba sendo maior justamente pela passionalidade, pela abertura confessional, porque convivo com as dúvidas, não tenho medo de enfrentar minhas tristezas. Quem esconde as tristezas fica recalcado. Tristeza é para mostrar e desaparecer.

– Por falar em tristeza, seu sofrimento na infância ainda te angustia?

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– Não é uma angústia, mas também não posso dizer: “ah não mudaria nada do meu passado por ter sido tão gratificante”. Eu gosto da solidão povoada, da solidão a dois, da solidão em família. Não dessa solidão hostil que se chama isolamento. Vejo o sofrimento de muitas crianças e não posso achar isso inspirador. A questão é que eu tinha a palavra, e eu sou filho de dois escritores. Eu tive um escudo. Tem gente que não tem a palavra para se defender. Muito complicado é ver uma criança absolutamente refém da agressão dos outros, vítima de constrangimentos. E hoje esse constrangimento pode ser virtual, vir como uma espécie de boicote digital, sem ela conseguir expressar sua dor, sem conseguir organizar seu pensamento, sem nem conseguir chorar de tanta emoção represada porque ela não tem coragem de contar para os pais aquilo que está sofrendo. Ela pensa que precisa resolver sozinha, e é muito triste ter que resolver o mundo sozinho.

– Você se autocensura ao escrever?

– Tenho censura sim. Acho que a escrita é refinamento. Se você já me acha louco com o que eu escrevo, não tem ideia do que eu penso.

– Seu entrevistado da semana passada em “A máquina”, o Lobão, foi alvo de muitas críticas nas últimas eleições. Como vê essa guerra travada nas redes sociais?

– Acho que o Lobão é vítima de extremismos, dessa patologia terrorista. A gente precisa admitir que um pensador, um músico, um artista, não faça coro ao senso comum e que tenha posições próprias, particularidades, extravagâncias, e nem por isso seja contestado.

– Você chegou a expor suas posições políticas na rede?

– Não faço propaganda política, é diferente. Já no passado demonstrei apoio a um candidato ou outro, mas não tomo esse estandarte. Meu papel é literário, é cultural, por isso, sim, não sou omisso, compro briga, vendo briga. A cultura já é uma festa, ninguém está interessado em cultura, então os artistas precisam se mobilizar, ser politizado dentro da cultura. Ter opinião, manifestar sua contrariedade. Por exemplo, se um artista da envergadura de um Ziraldo, aí em Minas, diz que a Fernanda Montenegro cometeu um vexame ao beijar outra mulher, você não pode deixar isso passar em branco, porque ele tem um papel influente. Você não pode deixar a tinta escorrer cegamente. Se precisar fazer oposição a figuras tão queridas, farei oposição, mesmo que isso signifique desagradar. Não estou me candidatando a absolutamente nada.

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