
Seja clássica, erudita ou contemporânea, a música mostra sua atemporalidade em Juiz de Fora a partir da próxima segunda-feira, quando terá início a 26ª edição do Festival Cinves, organizado pela Sociedade Cultural Ad Libitum (Scala), com apoio da Funalfa e Sociedade Filarmônica de Juiz de Fora. Serão seis dias de apresentações no Cine-Theatro Central e na Sociedade Filarmônica, sempre com entrada gratuita. Este será o segundo ano em que o evento será realizado em maio, após o período em que era agendado para janeiro.
Apesar das dificuldades enfrentadas nos últimos anos (redução dos dias de apresentações, suspensão das oficinas), o diretor geral do Cinves, Ciro Tabet, acredita que o festival traz à cidade nomes importantes do gênero. “A gente tentou amarrar de um jeito que agrade toda a classe artística erudita. Vamos começar segunda-feira com a Orquestra do Instituto Pão de Açúcar, que já se apresentou no Carneggie Hall, em Nova York, mostrando que o ensino de cordas dá retorno”, elogia. “O encerramento será com o Coral Brasil Ensemble, da UFRJ, um dos melhores do país e que está acostumado a participar de óperas, com obras inéditas escritas para eles, e que tem à frente uma das maestrinas mais respeitadas do Brasil (Maria José Chevitarese). O (tenor) Marcos Louzada (dia 19) é uma das vozes mais importantes do Brasil e não se apresenta em Juiz de Fora há mais de 20 anos, e o Renato Bandel (viola, que fará recitam com o pianista Paulo Braga no dia 20) está sempre presente nos principais festivais do gênero.”
Ciro Tabet destaca ainda o repertório escolhido pelos artistas participantes. Este é o caso, por exemplo, do Coral da UFRJ, que vai interpretar, no dia 23, as obras de artistas contemporâneos como João Guilherme Ripper, Eduardo Biato e Ricardo Tacuchian. “Já no recital de piano do dia 19, teremos toda a sequência de 14 serestas de Villa-Lobos, que poucos executam na íntegra, e também a “Suíte Bergamasque”, de Debussy, de difícil execução.” A programação ainda é composta por nomes que vão do clássico ao popular: no dia 20, a Orquestra do Instituto Pão de Açúcar vai interpretar desde “Fool on the hill”, dos Beatles, ao “Concerto para quatro violinos” e “Primavera”, de Vivaldi, passando por “Mourão”, do maestro Guerra-Peixe. No dia 20, Renato Bandel e Paulo Braga vão tocar um repertório baseado em Ferenc Liszt, Astor Piazzolla, Zoltán Kodály, entre outros. No dia seguinte, Marcus Ribeiro (violoncelo) e Luiz Henrique Senise (piano) vão dedicar sua apresentação a Bach, Schumann e Sergei Rachmaninoff, entre outros.
Três décadas promovendo clássicos e contemporâneos
Se o Festival Cinves está em sua edição de número 26, ele surgiu há 30 anos, passando por períodos de interrupção de força maior. Neste período, o evento passou por três cidades: as primeiras edições foram em Juiz de Fora, mas em 1988 o Cinves aportou em São João del-Rei como parte integrante do Inverno Cultural, passando para Ouro Preto no início da década de 1990. Depois, o retorno temporário para São João del-Rei antes de se restabelecer em Juiz de Fora. “Tínhamos oficinas de instrumentos e canto durante o dia e apresentações gratuitas à noite, até 2013, mas desde o ano passado optamos por fazer somente as apresentações. Mas temos vontade de retomar as oficinas”, diz Ciro.
“Tenho a crença de que as coisas vão melhorar, mas até lá vamos nos adequando. O festival já teve três semanas de duração, agora serão seis dias. Você vê que há festivais em Juiz de Fora que se mantêm com muita dificuldade, mas o público gosta, frequenta e prestigia, e somos movidos por isso. É uma bandeira que não queremos deixar arriar.”

