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Perdendo tempo e dinheiro

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Primeiro museu de Minas Gerais, dono de um dos mais importantes acervos do Brasil imperial, com duas imponentes construções históricas e um jardim projetado pelo francês Auguste Glaziou. As qualidades que credenciam o Museu Mariano Procópio como instituição de relevância nacional agregam em um único espaço características que, separadamente, já costumam atrair milhares de turistas em outras cidades brasileiras. Com apenas um terço do parque aberto à visitação, entretanto, a instituição vem, há quatro anos, desperdiçando a chance de explorar o potencial econômico gerado pela cultura, a exemplo do que acontece em outras cidades brasileiras. Um tipo de mercado que tem criado cada vez mais empregos diretos e indiretos no país, além de gerar dividendos sociais.

"Cultura gera divisas e ainda funciona como preventivo contra a violência, uma vez que trabalha o ser humano", argumenta o gerente executivo do Circuito Cultural Praça da Liberdade, Carlos Gradim, referindo-se ao projeto de Belo Horizonte, um dos maiores investimentos em cultura já realizados no Brasil. Com conclusão prevista para 2014, o conjunto terá 13 espaços culturais de naturezas diversas. A sugestiva data coincide com a realização da Copa do Mundo do Brasil, que terá a capital mineira como uma das cidades sedes.

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"Entendemos o circuito como a porta de entrada do turista estrangeiro em Minas Gerais. Através dele, poderemos divulgar outros circuitos, como o gastronômico e o de cidades históricas", explica Gradim, chamando atenção para a atitude da primeira-ministra da Alemanha Angela Merkel, que aumentou o orçamento da cultura do país em 30% em plena crise econômica na Europa. A medida foi tomada em prol da recuperação da autoestima dos cidadãos e da geração de dividendos com o turismo.

 

 

Quando a história alavanca a economia

As apostas do turismo não se resumem à Copa do Mundo e aos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. O Museu Imperial, em Petrópolis, trabalha com expectativa de aumento de 20% no número de visitantes em 2013 por conta de eventos como o Encontro Internacional de Museus, que acontecerá pela primeira vez no Brasil e deverá reunir cerca de cinco mil visitantes na capital fluminense.

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Maior atrativo de Petrópolis, o Museu Imperial tem sua imagem confundida com a da própria cidade. A relação quase indissociável tem origem histórica, conforme explica o diretor da instituição, Maurício Vicente Ferreira Jr. "Temos um caso peculiar, pois estamos instalados na casa de veraneio da família imperial, e a ideia da casa é anterior à ideia de Petrópolis", elucida, destacando que o desenvolvimento da cidade se deu sob a tônica da viagem de entretenimento, em uma tendência iniciada pelo imperador Dom Pedro II.

Ciente do papel que cumpre na economia da cidade, a equipe do museu investiu, há nove anos, no espetáculo "Som e luz". Por ter sessões noturnas, o atrativo seria uma forma de convencer os turistas a pernoitarem na cidade, abrindo caminho para a hotelaria, a gastronomia e outros segmentos diversos, incluindo os condutores de vitórias (charretes) que ficam à disposição dos turistas. "O Museu realmente alavanca a economia local, pois temos essa função de alimentar o comércio da cidade", afirma o diretor da instituição, que recebeu 275 mil visitantes em 2012. O ano, aliás, não foi considerado um dos melhores para a entidade, que teria sido prejudicada pela tragédia na região serrana fluminense em janeiro daquele ano. Em 2010, o número de entradas vendidas na bilheteria da instituição chegou a 331 mil.

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Com metade dos espaços culturais abertos, o Circuito Cultural Praça da Liberdade, em BH, já registrou um fluxo de 500 mil pessoas em 2011. A expectativa é que esse número, no mínimo, dobre até a conclusão do projeto. O perímetro na região central de Belo Horizonte ganhará um novo espaço cultural no dia 19 de março, quando será inaugurado o Centro de Arte Popular – Cemig. No segundo semestre, será a vez do Centro Cultural Banco do Brasil de Belo Horizonte, que será o maior do país, com 12 mil metros quadrados de área.

"Criamos um mercado de trabalho muito grande para museólogos, historiadores e outros profissionais da área. Também houve um investimento muito grande em tecnologia. Ainda há os profissionais que fazem uso desse fluxo de pessoas para ganhar dinheiro, como os ambulantes que vendem lanches nos arredores", explica Carlos Gradim em relação à experiência da capital mineira.

 

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Sucesso em potencial

Guardadas as devidas proporções, as estatísticas do Museu Mariano Procópio indicam o grande potencial na visitação dos dois prédios históricos, na parte alta do conjunto. O parque encerrou 2011 com a marca de 211 mil visitantes. Apesar de incluir pessoas que freqüentam o espaço diariamente para caminhadas, o dado comprova a existência de um fluxo muito grande de pessoas no complexo. "Nosso desafio será levar as pessoas aos prédios, pois sabemos que houve um hiato enorme", pondera Douglas Fasolato, diretor da Fundação Museu Mariano Procópio (Mapro). Segundo Fasolato, aliás, há registros de pessoas de outras cidades da região, e de municípios do Rio de Janeiro, que vêm a Juiz de Fora com o intuito de conhecer o parque do museu.

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O diretor concorda com o potencial da entidade para movimentar a economia da cidade. "É um campo muito mais amplo do que se costuma imaginar. Quando o museu faz uma publicação, por exemplo, estamos gerando uma demanda para o setor gráfico da cidade", explica.

Conforme Fasolato, as obras no Museu Mariano Procópio, incluindo todo o trabalho de expografia e a construção de um novo prédio para o setor administrativo da Mapro estão estimadas em cerca de R$ 25 milhões. "Não temos valores exatos, porque as condições vão mudando rotineiramente. Mas com essa quantia, colocaríamos o museu com qualidade de primeiro mundo", diz, referindo-se aos atrasos eventuais nas obras devido a descobertas inesperadas. Recentemente, a restauração da Villa Ferreira Lage teve que ser prolongada depois das pinturas que apareceram no teto, por baixo de outras camadas de tinta, e de um piso de tijoleiras, escondido há décadas por ladrilhos hidráulicos. "Não estamos maquiando, mas recuperando."

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