
Casal em crise visita Ibitipoca sem saber que suas vidas serão mudadas pelas pessoas, a natureza e a mística do local
No longa de Fabiano Cafure, personagens têm seus destinos cruzados enquanto passam a conhecer melhor a si mesmos
O distrito de Conceição do Ibitipoca, em Lima Duarte, é um dos destinos turísticos preferidos de quem é adepto da cultura hippie, ligado no misticismo, ama a natureza ou simplesmente quer descansar e relaxar do estresse da cidade grande. Ibitipoca, porém, pode ser mais que isso: muitos acreditam que o lugar pode, sim, mudar a vida de uma pessoa. Este é o caso do cineasta Fabiano Cafure, que filmou no local o seu segundo longa-metragem, “Ibiti o que?”, lançado em maio e que chega a Juiz de Fora nesta quinta-feira, com exibição marcada para as 19h, no CCBM, dentro do projeto Cineclube Bordel sem Paredes. A cidade, aliás, é conhecida do cineasta, que já participou como fotógrafo de duas edições do JF Foto.
O longa, filmado no distrito em 15 dias durante janeiro deste ano – além de mais um dia de gravação no Rio de Janeiro -, conta a história de diversos personagens que têm seus caminhos cruzados em Ibitipoca, sejam eles moradores ou visitantes. Há de tudo um pouco: o casal em crise devido ao irmão do marido, que é autista; o casal hippie apaixonado; os donos de uma pousada, em que a mulher fica responsável pela administração enquanto o marido passa os dias dormindo na rede; a jovem em busca de um novo amor, e outra que vive reclamando de tudo; o rapaz em busca de um outro rapaz; e criaturas místicas como o homem e a mulher do cajado. À medida que os dias passam, o “espírito” e as belezas de Ibitipoca vão mudando as percepções de mundo de cada um, resultando em destinos que, a princípio, não seriam esperados.
Segundo o diretor, o seu segundo longa-metragem (o primeiro foi “Eu te amo Renato”, de 2013) foi inspirado nas viagens que faz ao distrito mineiro desde a adolescência, quando ainda morava em sua cidade natal, Valença (RJ) – e lá se vão mais de 20 anos. “Eu reuni no filme diversas histórias que presenciei, mesclando algumas delas e criando personagens a partir disso”, explica ele, para quem lugares como o distrito são capazes, sim, de mudar as pessoas, ou pelo menos deixar aquelas reconhecidamente rabugentas “mais relaxadas”.
O Homem do Cajado, por exemplo, teve como inspiração as diversas lendas surgidas nos mais variados cantos do país, principalmente em localidades com uma carga mística tão notável quanto Ibitipoca. “Ele tem muito de um senhor conhecido no distrito, que tem um bar que fica num local diferente, que parece uma caverna.”
Sem parar de filmar
O processo de criação do longa-metragem foi, de acordo com Cafure, dentro do padrão exigido para a produção independente de cinema do país. Da elaboração do roteiro, passando por pré-produção e filmagens, foram cerca de seis meses, com um cronograma fechado e ajustado para não se perder um dia a mais. A estreia foi realizada em maio, no Rio de Janeiro, dentro do Festival O Cubo, realizado pelo canal homônimo que promove filmes, documentários, animações e outras produções audiovisuais do Instituto Kreatori (do qual Fabiano Cafure é um dos integrantes) na internet – o canal, destaca o cineasta, recebe produções independentes de todo o Brasil, bastando solicitar a inscrição. Desde o seu lançamento oficial, “Ibiti o que?” participou de pequenos festivais organizados por O Cubo e, agora, pode ser assistido na página do canal (www.canalocubo.com).
Outro passo dado é o lançamento e a promoção em diversas cidades do país, sendo a primeira parada, na última terça-feira, Campo Grande (MS). Depois de Juiz de Fora, “Ibiti o que?” já tem exibições garantidas em Curitiba e Niterói, com outras cidades já em negociação.
Com vários documentários, curtas e outras produções audiovisuais já lançadas, Fabiano Cafure segue com uma produção intensa. Além de “Ibiti o que?”, ele já lançou em 2015 o curta “Maya” e o média-metragem “Avise a sua mãe que não volto mais”. E ele também filmou o seu terceiro longa-metragem, “Não se esqueça de fechar a janela”, previsto para estrear no próximo ano. “Este será o mais ‘carioca’ dos meus filmes. Ele tem muita inspiração em Nelson Rodrigues, mostrando personagens do underground do Centro do Rio de Janeiro que vão se encontrar no meio do caminho”, adianta o diretor valenciano.
IBITI O QUE?
Nesta quinta-feira, às 19h
CCBM
(Avenida Getúlio Vargas 200)

