A cerimônia de encerramento do 6º Festival Nacional de Teatro de Juiz de Fora, no último domingo, prestou homenagem aos atores locais Robson Terra e Rose Probst, falecidos neste ano. O evento, que também celebrou o centenário do dramaturgo Nelson Rodrigues, reuniu cerca de dez mil pessoas ao longo de nove dias. Durante a premiação, Robson e Rose – ela, uma das idealizadoras do festival – foram apontados como exemplos de operários da arte. Um incentivo para os grupos das 15 montagens da mostra competitiva que acompanhavam a entrega dos troféus. Entre os vencedores, destacam-se "Ó o sol", de Os Mininu do Bacuri (Ouro Preto – MG), considerado o melhor espetáculo adulto; "Direções do céu", do Teatro Circense Andança (Petrópolis – RJ), que recebeu o prêmio de melhor espetáculo infantil no júri especialista e no popular; e "A carroça dos desejos", da Carroça Cia. Teatral (RJ), a mais premiada da maratona: levou cinco dos 19 títulos oferecidos (direção, atriz coadjuvante, cenário, figurino e trilha).
O público, formado por crianças, adolescentes, adultos e idosos, pôde conferir ainda apresentações das sete trupes convidadas de Belo Horizonte, São Paulo e Rio, além das duas locais inseridas no circuito off. Uma intervenção urbana e 14 esquetes da 6º Mostra de Curtas Performances completaram a programação, que foi da comédia escrachada à poesia. Aliás, a vencedora da categoria adulto, "Ó o sol", narra de forma poética as vivências no sertão. A linguagem do circo também chamou a atenção. "A farsa do Advogado Pathelin", do Grupo Rosa dos Ventos (Presidente Prudente – SP), conquistou os prêmios destaque, pelo domínio da linguagem de teatro de rua, e melhor espetáculo adulto pelo júri popular. A montagem usa jogo de palhaço, acrobacia e malabarismo para contar as aventuras de um advogado trapaceiro e espertalhão. Em algumas categorias, como melhor atriz, ator, figurino e diretor de espetáculo infantil, o corpo de jurados não apresentou indicações e vencedores. O júri foi composto pela atriz local Cintia Brugiolo, pelo ator local Henrique Simões, pelo diretor e crítico de teatro Lucianno Maza (São Paulo), pela atriz Maria Clara Lemos (Belo Horizonte) e pelo diretor Delson Antunes (Rio).
Muitas histórias para contar
Como lembrou o superintendente da Funalfa, Toninho Dutra, durante a cerimônia de domingo, incontáveis histórias, com variados estilos, formatos e linguagens, chegaram aos espectadores em palcos e praças. As sessões aconteceram no Parque Halfeld, no Parque do Museu Mariano Procópio, no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas (CCBM), no Cine-Theatro Central, no Teatro Academia, no Museu Ferroviário, no Pró-Música e no Diversão & Arte. "Este é um festival pequeno, mas que, ano a ano, ganha notas e tons que o fortalecem", comentou Dutra, antes de ler um texto que fez referência aos títulos de todas as peças exibidas. Os ingressos foram trocados por livros de literatura em bom estado a serem distribuídos para bibliotecas públicas.
Cinco oficinas abriram 125 vagas para artistas e interessados. Entre os oficineiros, estavam profissionais que já participaram do mostra competitiva em outras edições, como Tatiana Henrique e André Lemos (ambos do Grupo Okearô – RJ), Lucas Santarosa e Neto Donegá (Grupo Zibaldoni – Ribeirão Preto – SP) e Silvia Leblon (NaCompaniaDosAnjos – SP). "Tenho a sensação de que, no início de setembro, os deuses do teatro se mudam para Juiz de Fora e ajudam a criar a magia deste festival. Até o ar se transforma", observou Dutra, assinalando as múltiplas possibilidades oferecidas pelo evento.
Para quem circulou pelas salas no decorrer da semana, o que não faltou foram debates e reflexões sobre as variadas propostas das trupes: dos polêmicos corpos nus de "A igreja do diabo", da Cia. Teatral Boccaccione, aos desafios com a interação do público na rua em "Parô! Palhaçada", de Os Profiçççionais (Ribeirão Preto – SP). O 6º Festival Nacional de Teatro de Juiz de Fora fechou as cortinas com a apresentação da peça "As mulheres da Rua 23", da Cia. de Teatro Autoral (RJ), eleita a melhor pelo júri popular na edição de 2010.
