Na trajetória de Arthur, há um misto de fantasia, lenda e um tanto de dramaticidade. Verdade ou não, a trama medieval seduz pelo heroísmo que engloba, tendo como protagonista um líder romano-britânico que lutou contra a invasão da Bretanha pelos anglo-saxões muitos séculos atrás. No livro em latim Historia Brittonum, datado do ano 830, o Rei Arthur é tratado como um cavaleiro envolvido em 12 batalhas, dentre elas a Batalha do Monte Badon, na qual chegou a matar sozinho cerca de mil homens. Tive que imaginar, sonhar muito. Não existe nada desenhado que sirva de registro fiel. Usei a inspiração, comenta o artista plástico Henk Kamps, que inaugura hoje, às 20h, no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas (CCBM) a mostra Rei Arthur, exibindo sua própria escrita dos possíveis fatos.
Do contexto histórico, de castelos suntuosos, espírito cortês e trovadores elegantes, à busca do Graal – cálice utilizado por Jesus Cristo na última ceia -, Kamps ilustra a retirada da Excalibur por Arthur e, consequentemente, sua investidura no reinado. Premiados com a mais alta ordem da cavalaria, os cavaleiros da Távola Redonda também são representados em trabalhos que se utilizam das técnicas da encáustica ou da acrílica. Da grandiosidade do Graal ao declínio da corte, o artista também retrata a traição de Guinevere, a rainha, com Lancelote, um dos integrantes da Távola.
Despertado para a história medieval quando foi feita a publicação da série A busca do Graal, do britânico Bernard Cornwell, que levantou discussões acerca da relíquia sagrada, Henk Kamps começou a pesquisar sua própria forma de narrar a saga. Em seus estudos, a técnica conversa diretamente com a passagem tratada, tanto que as imagens iniciais da mostra transbordam em objetividade, e a sequência final recai para um abstrato de sutil sensibilidade. Ali estão as ruínas, são as sobras, analisa o artista, apontando para uma tela em que a encáustica – cera de abelha misturada a pigmentos e resinas – reforça a dramaticidade da degradação.
Segundo a professora de história da Puc-Rio Flávia Eyler, em apresentação da exposição, o artista consegue, com um belo equilíbrio entre formas e cores, recriar o imaginário da cavalaria medieval e nos convida a compartilhar e refletir sobre o valor simbólico da busca. Atento aos aspectos místicos e abusando das tintas de mistério que circundam a vida do rei lendário, Kamps conclui: No fundo, bem no fundo, o Santo Graal está dentro de nós mesmos.
REI ARTHUR
Abertura hoje, às 20h. De terça a domingo, das 9h às 21h. Até 4 de agosto
CCBM
(Av. Getúlio Vargas 200)
