Um pedra no meio do caminho? Não estranhe se, enquanto passar pelo Centro de Juiz de Fora nos próximos dias 26 e 27, topar com um bando de fotografias penduradas. É que, trazendo a força da arte produzida na – e para a – rua, o coletivo carioca O Estendal, pela primeira vez, reúne, por aqui, fotos afixadas em varais com pregadores de roupa. O grupo é um dos destaques do Corredor Cultural 2012, cuja programação – que inclui mais de 120 atrações em 42 horas de duração – foi anunciada pelo prefeito Custódio Mattos e o superintendente da Funalfa, Toninho Dutra, em coletiva na tarde de ontem na Funalfa. A agenda completa, voltada sobretudo, às comemorações do aniversário da cidade (31 de maio), pode ser conferida no site www.pjf.mg.gov.br.
Uma das novidades é a mudança no dia de abertura: do sábado para sexta. Portanto, no dia 25 de maio, às 19h, o Museu Mariano Procópio dá o pontapé inicial, com mais uma versão da atividade infantil Caçada ao Saci, com 30 vagas para crianças de 8 a 11 anos. Em seguida, às 20h, na Praça da Estação, a Banda do Síndico apresenta seu tributo ao ex-integrante Tim Maia. A maratona é interrompida e volta no sábado, a partir das 8h, para terminar só no domingo por volta da meia-noite.
O Corredor Cultural segue a tendência de programas como o Virada Cultural do Rio e São Paulo e as noites brancas de Paris. Desta vez, além de contar com espaços como o Museu Ferroviário e o Diversão & Arte, o festival ganha o reforço do Espaço Manufato (mostra de acervos dos artistas Renato Abud e André Lopes e shows musicais com Brasil Zil e Joãozinho da Percussão), da Rua Marechal Deodoro (fechada para skate e slackline) e de cinco bairros, dois a mais que a edição de 2011. Música, exibição de filmes, contação de histórias, dança, capoeira e batucada se espalham por Santa Paula, Benfica, Furtado de Menezes, Manoel Honório e São Benedito. Foram investidos, segundo Toninho Dutra, R$ 250 mil.
Seja com atrações infantis, como a contação de histórias da atriz Suzana Nascimento e o Piquenique Encantado, ou por meio de lançamentos de obras produzidas com recursos da Lei Murilo Mendes, como Trupicada, Kadu Mauad, Fabrício Conde e Carlos Fernando, o Corredor Cultural promete não deixar ninguém parado. Para o Piquenique, por exemplo, de 12 a 14 sombrinhas serão armadas na Praça Antônio Carlos no domingo pela manhã, com personagens da literatura infantil e lanche à disposição das crianças. No CCBM, antes, durante e depois da tradicional madrugada musical, uma bateria de exposições marca o centenário de Tupi Futebol Clube, Jorge Amado, Nelson Rodrigues e Luiz Gonzaga. Focado em temas ligados à língua portuguesa, o coletivo O Estendal expõe Diabo a quatro (Praça da Estação), O futuro a Deus pertence (Parque Halfeld), Pé na jaca (Praça Antônio Carlos) e As paredes têm ouvidos (Praça da Estação), resultado, segundo uma das integrantes, Ana Rodrigues, de dois anos de trabalho junto ao público.
A sétima arte não ficará de fora. Estreia mais que aguardada, o longa O artista, melhor filme no Oscar 2012, terá quatro sessões gratuitas (senhas distribuídas uma hora antes) no Cinearte Palace. Haverá uma edição extra do Teatro Lido no Mezcla – o texto ainda não foi definido -, e o Pró-Música recebe o espetáculo Doutor – Como enlouquecer um médico em um dia, com Rosane Gofman e seu filho, Yuri Gofman.
Diretamente de Olinda, os Bonecos Gigantes serão os condutores do cortejo marcado para se concentrar no Parque Halfeld no sábado a partir das 12h15 e descer o Calçadão, até a Praça Antônio Carlos, às 13h. Em seguida, os personagens típicos do carnaval pernambucano partem para Benfica, onde participam de show de frevo na Praça Jeremias Garcia. Ainda de Pernambuco, a banda Seu Chico comanda performance com versões de samba para canções de Chico Buarque na Antônio Carlos, sábado, às 21h. No domingo, a música ganha o reforço da Orquestra Mário Vieira (parque do Museu Mariano Procópio, às 16h) e Russo Jazz Band (SP), na Antônio Carlos, às 19h30. Para encerrar, a Família Rodrigues (Jair, Jairzinho e Luciana Mello) se juntam na Praça da Estação às 21h.
Eles vão do Leme ao Pontal
Antes da abertura do Corredor Cultural, a Banda do Síndico faz uma prévia do suingue e do soul de Tim Maia com show hoje, a partir das 23h, no Privilège. O grupo, antes chamado Vitória Régia, acompanhava o maior síndico do país e agora apresenta repertório que passeia por todas as fases da carreira de Tim, focado em suas músicas mais dançantes. Vamos tocar com os arranjos originais da época. É o que o povo mais gosta e como temos tocado em todo o país, adianta o trompetista Silvério Pontes, que por 12 anos excursionou com Tim. O público vai poder conferir grandes sucessos como O descobridor dos sete mares, Coroné Antônio Bento e Vale tudo.
Para o show no Corredor Cultural, o enforque será outro. A música do Tim era muito vasta, por isso, com ela podemos fazer dois ou três espetáculos totalmente diferentes. A rua pede uma mistura maior e cabem músicas mais sentimentais. Na Praça da Estação, o repertório passará também por grandes baladas românticas, como Mê dê motivo e Um dia de domingo.
Criada como brincadeira, a banda virou coisa séria. Depois de acompanhar Tim em sua carreira, os integrantes resolveram se juntar a partir de um convite para uma apresentação especial. Além de Silvério, integram a banda Paulo Braga (bateria), Tinho Martins (saxofone), Toca Delamare (teclado), Adriano Ginfone (baixo), Perinho Santana (guitarra), Fabiano Segalote (trombone) e Bia Falcão e Suzana Carvalho (backing vocal). Nos vocais está Bruno Maia, que não tem parentesco com Tim e foi escolhido por incorporar o espírito e os trejeitos do síndico. Ele funciona bem com a gente, mas também tocamos com vários cantores que tem ligação com o Tim ao longo desses anos, conta. A banda já se apresentou, por exemplo, com Sandra de Sá e o ator Tiago Abravanel, que leva Tim aos palcos em Tim Maia – Vale tudo, o musical, de Nelson Motta.
A missão da banda é manter viva a música de Tim. É uma grande surpresa sermos convidados para tantos lugares. Juiz de Fora mesmo é uma cidade que nos apadrinhou. Com a morte de Tim, ficou um vazio na soul music brasileira, percebemos nos nossos shows as pessoas carentes e saudosas do estilo.
BANDA DO SÍNDICO
Hoje, às 23h
Privilège
(Estrada Eng. Gentil Forn 1.000)
