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Realidade tátil

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O corpo responde não apenas às suas necessidades, mas também às possibilidades e aos estímulos que sofre. Para o escultor Israel Kislansky, a percepção visual é uma qualidade muito elástica e, sem dúvida, figura como a primeira sensação que nos chega da realidade. A imagem possui uma força imensa, muito maior do que costumamos acreditar, que se desdobra infinitamente em significados, avalia o mestre em escultura, que esteve na cidade para ministrar um curso de modelagem da figura humana no Instituto de Artes e Design (IAD) da UFJF.

Apesar da imediata assimilação pelo visual, para os escultores, boa parte de sua sensibilidade se expressa pelas mãos que, nesse caso, também participam da criação. Nesse sentido aprendemos muito com os deficientes visuais que, na ausência do recurso ótico, se valem do tato para ‘experimentar’ a realidade. As mãos se desdobram em sensações que ampliam o usufruto da imagem, analisa.

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O escultor baiano colabora com o Centro de Referência em Fundição Artística, trabalho de referência realizado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), em São Paulo, que tem como objetivos recuperar o fazer artesanal em metal – que vinha sumindo do país – e atingir não apenas a mão de obra especializada, mas também artistas, conservadores, restauradores e artesãos ligados à reprodução de obras de arte que utilizam o material.

Para o artista plástico Maurílio da Costa Souza, professor de modelagem em argila e entalho em madeira do Atelier Ponto com Arte, parceira do IAD na vinda de Kislansky à cidade, é curioso pensarmos que, de fato, enxergamos com as mãos. Quando queremos conhecer um objeto, imediatamente estendemos as mãos e dizemos: ‘deixa eu ver’, exemplifica.

A representação da figura humana é recorrente na história, lembra Souza. Os artistas sempre buscaram, e buscam, representá-la, argumenta o professor, ao lembrar como os alunos ficam maravilhados modelando uma mão. E essa mão não precisa parecer de verdade. Ela precisa expressar algo. A opinião é compartilhada por Kislansky, que avalia ser a ideia de perfeição humana quanto às proporções algo puramente emocional. Como disse James Ensor, ‘o erro é fundamental para a obra de arte’, sem ele a arte seria uma repetição monótona de acertos, diz.

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Na arte contemporânea, segundo Kislansky, a imagem necessita de uma série de invólucros, mesmo que estes conceitos sejam paradoxais – e de preferência os são -, sendo a imagem propriamente dita secundária. Pergunto sempre aos amigos se eles seriam capazes de selecionar dez objetos contemporâneos cujas imagens sejam importantes para o homem moderno. Difícil. Existem duas artes contemporâneas: a das instituições e a da realidade. Os livros discutem e tentam estabelecer conceitos, e a vida segue seu rumo. Amanhã, quero dizer daqui a 100 anos, a arte contemporânea será outra coisa. E quem pode imaginar o quê?

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