Ícone do site Tribuna de Minas

Quebrando paradigmas

PUBLICIDADE

O primeiro beijo homossexual em uma telenovela da TV aberta brasileira está previsto para ir ao ar hoje na novela "Amor e revolução", no SBT. A cena mostra o momento em que as personagens Marcela, uma advogada vivida por Luciana Vendramini, e Marina, de Giselle Tigre, trocam um beijo na redação do jornal onde trabalham.

Na cena, Marcela conta a Marina sobre uma amiga homossexual que está interessada nela. Em sua sala, na redação do jornal "O Brasileiro", Marina pergunta se por acaso essa mulher é a própria Marcela, que fica desconcertada. A advogada teme perder a melhor amiga por conta da confissão, mas revela sua paixão por Marina e pede um beijo à amiga.

PUBLICIDADE

A ida ao ar de um beijo entre duas mulheres ocorre em um momento em que a união homossexual está em voga. Na última quinta, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a união civil de casais do mesmo sexo. A partir da decisão, casais gays podem ser incluídos no regime jurídico de união estável: passam a ter direito à inscrição do parceiro na Previdência Social e em planos de saúde, ser beneficiários de herança, pensão alimentícia, divisão de bens em caso de separação e autorização de cirurgia de risco.

Apesar de ocorrer com frequencia no cinema, tendo inúmeros filmes que abordam o tema e incluem o beijo homossexual em sua trama, na telinha ele ainda é tabu. Na novela "América", de Glória Perez, em 2005 na Globo, o beijo entre o casal Júnior e Zeca, personagens de Bruno Gagliasso e Erom Cordeiro, foi cortado da edição final do folhetim, mesmo tendo sido gravado pelos atores. Este ano, em "Ti-ti-ti", os personagens Julinho e Thales, de André Arteche e Armando Babaioff, terminam juntos depois de idas e vindas. Mas a união é selada com um abraço, mesmo em uma novela que abordava diariamente a temática homossexual.

Conforme o jornalista e pesquisador da identidade homossexual nas telenovelas brasileiras no mestrado em Comunicação da UFJF, Guilherme Moreira Fernandes, a temática homossexual nas novelas era abordada de forma velada até 1996. Com "A próxima vítima" – na qual os personagens Sandrinho e Jefferson, de André Gonçalves e Lui Mendes, terminaram morando juntos -, a representação se tornou mais clara para o público. "Antes, a relação poderia até ser interpretada como amizade, mas hoje o diálogo é mais claro, tanto que palavras como ‘homossexual’ e ‘gay’ são ditas", explica. Apesar de considerar que o beijo em "Amor e revolução" será um marco, o pesquisador relata que não é possível dizer até que ponto ele terá influência em tramas de outras emissoras.

Na opinião do diretor do Movimento Gay de Minas (MGM), Marcos Trajano, a veiculação do beijo é um avanço, principalmente tendo em vista que ele ocorre logo após a decisão do STF, que para ele representa o reconhecimento do afeto entre pessoas do mesmo sexo pelo Estado. "A maior simbologia do afeto e do amor é o beijo. E, se até o Estado o enxerga, já está mais do que na hora de ele ser visto no cotidiano. Dizem que a sociedade não está preparada para ver um beijo gay nas novelas, mas acho que ela está sim, já que estamos caminhando para a aceitação da diversidade." Para Trajano, o beijo na novela será um "divisor de águas" para a sociedade.

PUBLICIDADE
Sair da versão mobile