Petrópolis (RJ) – Petrópolis continua a figurar entre os destinos da boa mesa. O clima privilegiado e a qualidade da produção rural são atrativos para muitos chefs de cozinha subirem a serra. Esse é o caso do autodidata Alessandro (Barão) Vieira, cujo restaurante Barão Gastronomia oferece degustação de quatro a oito pratos por refeição, todos executados, ao vivo, na cozinha aberta e instalada no meio do salão.
Sem adotar cardápio, Barão improvisa na hora de criar iguarias à base, sobretudo, de produtos locais, como legumes tamanho baby, flores e verduras orgânicas e diferentes cogumelos, combinados com carnes de caça, como jacaré, faisão e javali. A única pergunta feita aos clientes é se há restrições quanto algum alimento ou tempero. Independentemente da resposta, não faltarão surpresas. Destaque para o filé de cabrito ao molho de amora e purê de batata-baroa, servido após a sequência iniciada por salada, montada numa taça de dry Martini, com folhas e ingredientes em formas que fazem referência à cozinha molecular, como, por exemplo, fios de abobrinha e beterraba. A sensação de fazer parte de uma experiência fantástica aumenta quando é servido um licor de pimenta para preparar o paladar para o creme de alho-poró que acompanha o bacalhau servido no azeite e, em seguida, o sorvete de manga à base de pimenta. A sobremesa, construída sob uma "redoma de vidro", recebe o apelido de intocável. Isto porque casquinhas crocantes de castanhas são recheadas com creme de limão siciliano e limão taiti, blueberry, amora, carambola, sorvete de creme, calda de morangos e vinho do Porto, gotas de caramelo e seriguela.
Na busca por experiências gastronômicas, o turista também conta com o sabor da tradição. Com a ampliação da loja de doces e salgados e mudança do layout da fachada – com destaque para peças da cultura portuguesa em cerâmica -, o Parrô do Valentim, desde junho de 2011, tem capacidade para receber mais 30 clientes à beira da Estrada União Indústria, onde, desde 1978, oferece uma carta variada de bacalhau e outras carnes brasileiras. Desde o clássico (postas assadas com cebolas e batatas coradas) ao exótico (filé empanado com molho branco e camarão), o prato tipicamente português é o forte da casa, administrada pelos sócios Marcelo Raibolt e Sebastião Malta, ex-auxiliar de pedreiro que atuou na construção do restaurante.
O bacalhau ao Valentim e o bacalhau à Guilhermina, este último servido em postas cobertas por cebolinhas e azeite, são outros destaques do cardápio, que traz ainda as famosas sardinhas portuguesas assadas na brasa. A Faraona ao Bairro Alto é uma homenagem à região homônima de Lisboa. O prato vem acompanhado de um creme de espinafre perfumado com limão. Para a sobremesa: pastel de nata, arroz-doce e bolo de frutas com chantilly.
Ousadia em ‘solo’ clássico
A cozinha contemporânea também está ligada ao passado. Boa opção para o jantar, o Restaurante Imperatriz Leopoldina, do Hotel Solar do Império, oferece pratos assinados pela chef Cláudia Mascarenhas em construção vizinha à casa da Princesa Isabel, no Centro Histórico. Entre as sugestões, estão a cavaquinha à milanesa com couscous de palmito fresco e nirá e o filé de peixe grelhado com purê de banana da terra, alcachofras e molho de urucum.
Embora desperte a atenção do turista pelo clima de fazenda, o Solar do Cedro mantém o cardápio voltado à culinária mediterrânea, assinado pelo mineiro Valdenir Rocha. Com forte influência da cozinha grega, representada por pratos como o moussaka de cordeiro (fatias de berinjela ao forno com cordeiro e molho bechamel), o espaço disponibiliza produtos genuinamente gregos, como vinhos e azeites.
Entre um passeio e outro, o happy hour pode ser um prazer à parte. Há quatro meses instalado dentro da área onde funciona o Museu Imperial, o Duetto’s lembra a casa da vovó. No aconchegante bistrô, é possível encontrar massas, salgados, geleias, doces e diferentes opções de bebidas- tudo feito pela proprietária Vanda Martins, inclusive o procurado canudinho de carne-seca e os drinques gelados de café.
Mas é em Itaipava que a noite ganha ares de balada. Os bares Faustino e o NuCrepe são a pedida para quem optar pela boa e velha trinca: música ao vivo, chope gelado e tira-gosto. O pastelzinho de queijo brie com geleia de pimenta do Faustino, aliás, cai muito bem.
Barão Gastronomia (Est. União e Indústria 13.581)
Parrô do Valentim (Est. União e Indústria 10.289)
Solar do Império (Av. Koeler 376)
Solar Faz. do Cedro (BR-040 KM 45)
Duetto’s (Museu Imperial – Rua da Imperatriz 220)
