Pesquisar no setor de Memória da Biblioteca Municipal Murilo Mendes ficou mais simples e rápido. Com parte do acervo de jornais e revistas antigas digitalizado, por meio de um projeto aprovado no Fundo Estadual de Cultura (FEC), a hemeroteca passou a contar com três terminais de consulta, que facilitaram o acesso a periódicos que circularam em Juiz de Fora nos séculos XIX e XX, como o Jornal do Commercio e o Correio de Minas. Nosso objetivo é dar agilidade para o pesquisador e também proteger o acervo, que não precisa mais ser manuseado, explica a responsável pelo setor, Heliane Casarin.
Através dos computadores, é possível visualizar cerca de 168 mil imagens, que reproduzem as páginas de 21 jornais e revistas do acervo. Apesar de abranger quase metade dos 43 títulos da hemeroteca, o material disponibilizado cobre apenas 30% da coleção, aproximadamente. Segundo Heliane, tal desproporção é justificada pela presença de muitos jornais pequenos, editados por pouco tempo na cidade. De natureza panfletária, tais publicações se multiplicaram na virada do Império para a República, e, via de regra, tiveram vida curta.
Por outro lado, entre o acervo que ainda não foi digitalizado estão periódicos que circularam por muito tempo na cidade, como o Diário Mercantil – que existiu por mais de 70 anos – e a Tribuna, com 30 anos de história. Apesar de ser o mais antigo jornal do acervo da hemeroteca, O Pharol – que começou a circular em 1876 – não está entre os títulos digitalizados. A razão é que os exemplares do periódico foram passados para o suporte de microfilme, encontrando-se disponível, atualmente, no Arquivo Histórico da UFJF. A prioridade, no caso do ‘Pharol’, é digitalizar os microfilmes, explica Heliane.
Com 70% do acervo ainda sem reprodução digital, a biblioteca enfrenta dificuldades para dar continuidade ao projeto. Apesar de a entidade contar com o equipamento viabilizado pelo FEC, utilizado na primeira etapa da digitalização, o trabalho está parado por conta da falta de mão-de-obra.
O setor de Memória da Biblioteca Municipal ainda busca superar outra limitação, a restrição da consulta a um sistema interno de pesquisa. Com todo esse material pronto e organizado, resta conseguir um servidor com capacidade suficiente para dar conta do elevado número de imagens arquivadas.
Heliane Casarin reforça, ainda, a importância da digitalização como forma de resguardar a integridade da coleção, evitando o manuseio direto dos exemplares. Um preocupação que se agrava diante das condições de conservação a que os periódicos estão submetidos no espaço. Segundo a responsável pelo setor, as instalações da hemeroteca não são adequadas, uma vez que não há sistema de climatização e pessoal especializado. Enquanto não surgem boas notícias nesse sentido, Heliane afirma que as coleções estão sendo mantidas higienizadas e organizadas, com banco de dados por assuntos procurados.
De volta ao começo
Contemplado com projeto semelhante ao da Biblioteca Murilo Mendes, na mesma edição do FEC, o Arquivo Histórico da Prefeitura não obteve o mesmo êxito. Os planos de disponibilizar documentos pela internet acabaram frustrados em consequência dos bloqueios de repasse decretados pela justiça durante a Operação João de Barro, da Polícia Federal, em 2008. Infelizmente, voltamos para a etapa de buscar recursos, lamenta a coordenadora do projeto, Elione Silva Guimarães.
Os recursos na ordem de R$ 83 mil seriam destinados à modernização dos computadores do Arquivo Histórico, para que as máquinas ficassem em condições de processar todo o material digitalizado, além de garantir a elaboração de um software para disponibilizar os documentos pela internet. As melhorias permitiriam a continuidade de outro projeto da entidade, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig), que permitiu a digitalização de arquivos da Câmara Municipal e da Prefeitura, com registros de compras públicas e reclamações da população durante o Império.
