
Idealizada a partir do desejo de compreender melhor como Guimarães Rosa escreveu “Grande: Sertão Veredas”, uma viagem será realizada entre os dias 20 e 24 de maio de 2026 e passará pelo Cerrado brasileiro buscando conexão com a natureza e com o universo literário rosiano.
Eternizada como uma das mais importantes obras da literatura brasileira, a obra de Rosa, que foi escrita em 1956 e completa 70 anos neste ano, inspira um roteiro que se inicia em Brasília e, de lá, parte em busca do sertão. A viagem se inicia na capital para criar um contraste entre a modernidade e o contato direto com a natureza que se segue nos próximos dias do roteiro.
Os outros quatro dias da viagem são passados na Pousada Trijunção – localizada no encontro de Minas Gerais, Goiás e Bahia -, que está reservada unicamente para o grupo. Durante esse período, os viajantes são convidados a conhecerem a fauna, flora e biodiversidade do segundo maior bioma brasileiro e a visitarem o Parque Nacional Grande Sertão Veredas.
A experiência literária, iniciada em 2021 e que completa a sua quarta edição em 2026, promete ser um momento de pura conexão com o espaço que inspirou Guimarães Rosa a escrever sua obra prima. Para Zilda Fraletti, viajante que participou de uma das edições anteriores, o tempo passa diferente: “Sinto que passei um tempo em suspenso, fora desta dimensão em que estamos inseridos normalmente. A sensação para mim foi a de pertencimento. Ao grupo, à natureza, a cada minuto que vivi no sertão”.
‘Sertão: é dentro da gente’
“Sertão: é dentro da gente.” Essa frase, escrita por Rosa em sua obra, mostra ao leitor o porquê deste livro ser tão importante para a literatura brasileira. A história segue Riobaldo, ex-jagunço que narra em forma de monólogo sua vida de perseguições, amores e conflitos para um doutor, explorando questões filosóficas e existenciais do homem em meio a um sertão marcado pela violência.
Considerado de grande importância por conta de sua linguagem e originalidade, “Grande Sertão: Veredas”, romance de quase 600 páginas, é considerado um dos livros mais difíceis de serem traduzidos no mundo, justamente por conta da linguagem única que Guimarães Rosa constrói para seus personagens, misturando neologismos, ritmo da oralidade sertaneja e uma sintaxe poética que desafia a semântica tradicional.
O livro também é um marco do modernismo brasileiro e possui um caráter de denúncia social ao retratar como o interior do país operava por meio de uma lógica marcada pela violência e insegurança.
Meu pequeno Sertão
A travessia literária, que foi criada pela Nomad.roots, agência de viagens focada em experiências que possibilitem os viajantes lerem o mundo – inclusive, com clube do livro próprio -, necessita de um grupo mínimo de dez pessoas para ser realizada. O grupo reduzido, caso formado, terá uma experiência que a agência de viagens define como “encontros marcados pela escuta, pela contemplação e pelo contato direto com o território”.
Para Rafaella Silva, jornalista e coordenadora de comunicação da Nomad.roots, “o livro está sempre presente, mas não como algo a ser explicado. Ele aparece nos intervalos, nas conversas espontâneas, nos detalhes do caminho. Há compreensões que só acontecem quando o corpo está em movimento”.
Além da viagem, que tem preço inicial de R$ 12.800 por pessoa, o viajante também deve arcar com as suas passagens aéreas, traslados que não estejam estimados na agenda do grupo e suas despesas pessoais. O interessado também tem a opções de estender a viagem na Pousada Trijunção, que conta com opções de ecoturismo como safári noturno pelo Cerrado e caiaque na Lagoa das Araras. As diárias da pousada começam em R$ 3.705.
Outras informações acerca de opções de pacotes da viagem podem ser consultadas no site da Nomad e buscar o roteiro da edição Grande Sertão: Veredas 2026. Os interessados devem realizar o pagamento de um sinal de R$ 1.000 até o dia 13 de fevereiro para garantirem a sua vaga.
*Estagiária sob a supervisão da editora Cecília Itaborahy

