
No final dos anos 1980, Beth Carvalho apresentou o estilo musical do pagode aos brasileiros. O nome já era conhecido, já que se referia ao encontro dos sambistas. O parente diferente do samba ficou popular a partir do grupo Fundo de Quintal. Isso só foi a porta de entrada para outros grupos surgirem na década seguinte. Nessa onda, alguns nomes foram aparecendo. Exaltasamba, por exemplo, de São Bernardo do Campo (SP), é um deles. A efervescência foi perdurando e fazendo criar um movimento que, anos depois, com várias mudanças, mantém como referência os anos iniciais, mas com algumas mesclas que a música pop brasileira pede. Mesmo com o fim em 2012, o Exalta perdura nos nomes dos integrantes que continuam nas paradas de sucesso. Péricles Faria é um deles. O artista de 52 anos acabou de lançar o disco “Céu lilás”, que registra esse momento atual da música. Neste sábado (12), ele faz show no Real Grandeza, às 21h. A abertura será com o MC Marcinho.
Em entrevista à Tribuna, Péricles garantiu que o show vai passar pelos sucessos da turnê “Tô achando que é amor” e das novas do disco recém-lançado. Em “Céu lilás” ele se encontra com músicos de vários gêneros e gerações, como Nando Reis e Liniker, além de duas parcerias inéditas com Thiaguinho, seu companheiro de estrada. Para “Pericão”, como é chamado pelos fãs, esses encontros mostram que a música não tem barreiras. “Cantar com pessoas de diferentes estilos é um desafio que enriquece muito o meu trabalho. Gosto de trocar essas experiências únicas. A música cresce com isso e todo mundo sai ganhando.” O disco, de acordo com ele, fala sobre amor, recomeços e reconciliações. A faixa-título foi composta há 30 anos, mas só agora foi momento de gravar, o que, para ele, fez todo sentido.
Péricles percebe que, de uns dez anos para cá, o pagode foi ganhando outra relevância. As lives do ritmo na pandemia, por exemplo, superaram as visualizações que as de pop e funk tiveram no Brasil, e Péricles está entre elas. “A cada momento que surge uma novidade e um novo ritmo, existem pessoas que estranham um pouco. Foi assim com o samba, com o funk, com o sertanejo, com o piseiro. Mas os números mostram o contrário. Essas músicas estão cada vez mais no coração de quem para pra ouvir. Se o povo disse sim, não tem quem possa dizer não.”
Ele acredita que as redes sociais foram importantes para impulsionar esses trabalhos. Mas outro fator determinante é a união entre os pagodeiros. Os discos dos principais artistas do pagode têm “feats” (colaborações) entre eles. É como se um empurrasse o outro. Para Péricles, essa lição de união foi tirada do sertanejo, que, desde o começo, apresenta as parcerias que acabam por ajudar no engajamento.
“Sei que os mineiros são mesmo muito bons de samba”, pontua Péricles, já esperando pela movimentação no Real Grandeza. Por ser uma escola de samba, ele se anima ainda mais, já que acredita que, além de elas serem importantes escolas para a música brasileira, ajudam toda a comunidade na qual estão inseridas. “Em todas que pude participar de alguma forma, vi de perto o impacto positivo que elas têm dentro de suas respectivas comunidades e o quão grande é a representatividade delas na sociedade e na cultura do nosso país.”

