
Conhecido pelos fãs de quadrinhos pela absoluta insanidade e incorreção política, Deadpool chega aos cinemas após teste de vídeo com Ryan Reynolds viralizar na internet
Deadpool é louco de pedra. Deadpool é violento. Deadpool é tagarela. Deadpool é praticamente imortal. E feio. E ainda mais louco do que se imagina. É carismático. É diferente de qualquer super-herói que já tenha sido levado para os cinemas. E, mesmo assim, vai conquistar corações e mentes do público a partir desta quinta-feira, quando o filme com o personagem entra em cartaz no Brasil. Dirigido por Tim Miller e com Ryan Reynolds no papel principal, “Deadpool” é a aposta da Fox para apagar da memória do público o fiasco do reboot de “Quarteto Fantástico”, lançado em 2015, e para preparar o terreno para o próximo filme do X-Men, que estreia em maio.
A aposta, porém, é arriscada. Assim como os Guardiões da Galáxia, que chegaram à tela grande em 2014, Deadpool faz parte daquele grupo de personagens conhecido basicamente pelos leitores de histórias em quadrinhos. Por isso mesmo, o longa-metragem vem sendo promovido por uma massiva campanha de marketing que vai além dos trailers, incluindo mensagens de Natal, Ano Novo chinês e campanhas contra o câncer, entre outras, com Deadpool, além de fotos promocionais e outdoors absurdos que podem ser encontrados nos Estados Unidos.
Todo esse esforço por parte da Fox vai além da necessidade de apresentar o personagem, pois “Deadpool” tem tudo para ser o mais politicamente incorreto filme de super-heróis feito até agora. Ao mesmo tempo em que abusa do humor, nonsense, da iconoclastia e metalinguagem, “Deadpool” carrega ainda mais nas tintas quando o assunto é violência, sangue, linguajar obsceno, erotismo e gente com pouca roupa, e, por isso mesmo, a produção foi banida da China e só pode ser assistida por menores de 17 anos nos Estados Unidos caso estejam acompanhados pelos pais ou responsáveis.
A história, a princípio, é simples: o sujeito ferrado que faz o necessário para sobreviver, ficar ao lado da amada – e aceita qualquer roubada para isso -, definitivamente entra nessa roubada e depois parte numa missão de vingança/salvamento ao ver que foi enganado. Wade Wilson (Reynolds) é um ex-militar e mercenário mutante que sofre de um câncer terminal que se espalhou pelo corpo. Ele recebe a proposta de ser cobaia em um experimento que, se bem-sucedido, vai curar a doença e torná-lo virtualmente indestrutível. O que Wilson não sabe é que os seus “benfeitores” planejam utilizá-lo como uma arma viva, e a tal experiência acaba tendo resultados desastrosos: além de ficar com o corpo deformado, Wilson passa a sofrer de instabilidade mental e adquire um senso de humor mais que bizarro, além de falar pelos cotovelos. Mas também passa a ter superpoderes, que ele vai usar para se vingar do sujeito que ferrou com sua vida e salvar sua namorada, Vanessa Carslyle (a brasileira Morena Baccarin, da série “Gotham”).
A partir daí, “Deadpool” promete ser um banho de sangue, mutilações, palavrões e piadas infames, em que o herói vai mandar quantidades industriais de bandidos para o cemitério e encontrar com outros mutantes, como Ajax, Angel Dust, Negasonic Teenage Warhead e o x-man Colossus. Vai ser difícil não se tornar fã do mutante tagarela.
De personagem secundário a ‘o cara mais legal da festa’
Wade Wilson, o Deadpool, é o tipo de personagem que tinha tudo para não dar certo. Ele foi criado em 1991 pela dupla Fabian Nicieza e Rob Liefeld para ser um dos antagonistas dos Novos Mutantes, uma das superequipes da Marvel. Ele foi imaginado como uma versão satírica de um personagem da rival DC, o vilão Exterminador (que se chama Wade Wilson), que eventualmente quebraria o pau com os Novos Mutantes e o X-Factor.
Mas o universo dos quadrinhos tem suas peculiaridades, e, assim como havia ocorrido com Wolverine duas décadas antes, o falatório e as loucuras de Deadpool fizeram sucesso com o público e ele ganhou várias revistas com o seu nome na capa, a maioria mostrando histórias absurdas (Deadpool enfrentando ex-presidentes americanos transformados em zumbis; Deadpool assassinando todos os heróis da Marvel ao descobrir que era um personagem de ficção; Deadpool matando personagens clássicos da literatura, como Moby Dick; Deadpool tentando matar o próprio Deadpool; Deadpool tentando desfigurar o próprio rosto após ser “amaldiçoado” a ter uma face igual à de Tom Cruise).
Hollywood, claro, começou a ficar de olho no mutante politicamente incorreto, e desde o início do milênio a ideia de um filme com o personagem circulava pelos estúdios. Antes de ter um filme para chamar de seu, Deadpool apareceu em “X-Men origens: Wolverine” (2009), com Ryan Reynolds interpretando uma versão que tinha praticamente nada a ver com o personagem.
Desde então, levar uma versão digna de Deadpool aos cinemas se tornou uma obsessão para Reynolds, que fez de tudo para que o projeto se tornasse realidade. A Fox, porém, após ter se animado com a bilheteria de “Wolverine”, colocou o filme na geladeira e só mudou de ideia quando um teste de vídeo feito com o ator em 2012 vazou “acidentalmente” na internet. Com a reação positiva dos fãs, o estúdio colocou o projeto entre suas produções a chegarem aos cinemas em 2016.
UCI 1 (dub): 14h40, 17h, 19h20 e 21h40. UCI 3: 14h, 16h20, 18h40, 21h (todos os dias) e 23h20 (somente sexta e sábado). Cinemais 5 (dub): 15h e 19h40. Cinemais 5: 17h20 e 21h50. Santa Cruz 1: 16h15, 18h30 e 21h. Classificação: 16 anos

