A despeito da requisição de verba, que não para em época de carnaval, a Funalfa mantém o montante de R$ 600 mil disponíveis para as 13 escolas de samba que desfilam em 2012. Com o mesmo recurso, em 2011, a partilha atingiu uma agremiação a mais, a Água de Ouro, que desistiu de competir em 2012, assim como a Porto Siciliano que, por compor o Grupo de Avaliação no último desfile, não teve direito a verba. Em 2012, porém, esse déficit de cronograma está longe de ser o assunto principal em pauta nas rodadas de negociações entre Prefeitura e Liga das escolas de Samba (Liesjuf). Com a recusa por parte do Poder Público em financiar o retorno dos vencedores à passarela do samba – em 2011, a Funalfa liberou R$ 12 mil, além dos R$ 600 mil, somente para o desfile das campeãs -, a liga, com o aval dos dirigentes das escolas, optou pelo fim do desfile das escolas vencedoras. A medida, que reduz a programação na avenida em, pelo menos, uma noite, deixa outra baixa no ar. Afinal, quem vai pagar pelos R$ 735 mil gastos com a infraestrutura montada na Avenida Brasil, em 40 dias, que servirá de palco para uma festa de duas noites apenas?
O superintendente da Funalfa, Toninho Dutra, informou que entre R$ 40 e R$ 50 mil entraram na bilheteria dos desfiles por dia em 2011. "(a quantia) Não corresponde nem a 2% do recurso total, e com a diminuição de um dia, tende a ser pior", destaca o superintendente, com base na prestação de contas de 2011 enviada aos 19 vereadores do município. Segundo consta no documento, disponibilizado por Dutra à Tribuna, foram gastos R$ 1.988.592,50 com a festa na avenida, valor semelhante ao de 2010, mesmo tendo como condição o contingenciamento de 15% decretado pela Prefeitura em 2011.
Com o desafio de encarar o primeiro carnaval à frente da Liesjuf, o presidente Ney Gerald confirma o motivo do cancelamento do desfile das campeãs, alegando que vai manter a festa na segunda e na terça-feira, deixando, pela primeira vez na história da folia local, o domingo de fora da programação. "Eu preciso da terça porque é o dia em que muitos estão voltando de viagem. E não poderia pular a segunda pois aumentaria a despesa com os dez jurados, que vêm do Rio", refuta Gerald.
Só com as escolas de samba, que inclui concursos de logomarca e rainha do carnaval, montagem da estrutura, verba e mídia, a Funalfa gastou R$ 1.445.149,50 em 2011. Considerando as cerca de 16 mil pessoas que circularam pela passarela do samba, o custo foi de R$ 90,32 per capita. Numa comparação quantitativa, o Corredor da Folia, a grande novidade do último carnaval, trouxe atrações de âmbito nacional a espaços públicos de Juiz de Fora, uma semana antes da folia de Momo, por R$ 281.213,50, atraindo mais de 80 mil foliões, de acordo com estimativa da Polícia Militar. O custo per capita foi de R$ 3,52.
"O Corredor da Folia nasceu de uma demanda encontrada em pesquisa encomendada em 2009, quando a população, além da manutenção da estrutura tradicional, exigia um modelo novo de carnaval. E deu certo", afirma Toninho Dutra, anunciando a próxima edição do evento para, novamente, uma semana antes do carnaval. A previsão, conforme o superintendente, é divulgar a programação em breve.
Desde agosto de 2011, as agremiações carnavalescas, conforme Ney Gerald (Liesjuf), têm utilizado a carta de crédito para adquirir material de trabalho. A primeira parcela (R$ 160 mil em duas vezes) do montante disponível pela Funalfa a todas as agremiações foi liberada em dezembro, restando R$ 440 mil a serem repassados no final de janeiro (R$ 80 mil) e início de fevereiro (R$ 360 mil), conforme informações da fundação.
Do total, R$ 33.330 serão destinados a cada escola do Grupo B, que desfila na segunda a partir das 20h30. Já as agremiações do Grupo A levam, cada, R$ 60 mil, e desfilam na terça, a partir das 21h. Pela primeira vez, o Grupo C, que conta com apenas uma escola, recebeu verba. A proposta encabeçada pela liga, e referendada por todos os dirigentes, viabilizou a liberação de R$ 22 mil à Vale do Paraibuna, que abre os desfiles na passarela do samba na segunda.
O presidente da Liesjuf confirma o tempo mínimo de 40 minutos e o máximo de 60 minutos para cada agremiação apresentar seu enredo, assim como os 11 quesitos a serem avaliados: bateria, comissão de frente, alegoria, enredo, samba-enredo, fantasia, cronometragem, harmonia, mestre-sala e porta-bandeira, conjunto e evolução. Apesar da redução de um dia na festa de Momo desse ano, Ney Gerald aguarda as festa com entusiasmo. "As expectativas", ele diz, "são as melhores. Já está um espetáculo ver as agremiações trabalhando a todo vapor e a preocupação de diretores e carnavalescos em agregar valores na avenida."
Escolas de samba
Ordem dos desfiles
Segunda, às 20h30
Grupo C
Vale do Paraibuna
Grupo B
Juventude Imperial
Unidos da Vila do Retiro
União das Cores
Acadêmicos do Manoel Honório
Rivais da Primavera
Turunas do Riachuelo
Terça, às 21h
Grupo A
Feliz Lembrança
Unidos do Ladeira
Mocidade do Progresso
Mocidade Alegre
Real Grandeza
Partido Alto
