
Em tempos de tiros na Marechal Deodoro, assalto na mesma rua, na mesma semana, assassinato no Largo do Riachuelo e um generalizado temor, a música chega para transformar. Ao longo de dezembro, 15 shows tomam o espaço em frente ao Banco do Brasil no Calçadão da Rua Halfeld. Dudu Lima e Trio ocupam, nesta sexta, às 19h, o palco montado no local, em projeto da Funalfa, intitulado “Natal é música”. “Essas apresentações colaboram para criar um cenário positivo no Centro. Esperamos modificar a paisagem pela prevenção, trabalhando para que as pessoas possam ter tranquilidade para viver as tradições do Natal”, anuncia o superintendente da Funalfa, Toninho Dutra.
Do jazz ao samba, contemplando de apresentações instrumentais a corais, o projeto aposta na valorização da canção local. Segundo Dutra, a seleção dos músicos se deu pela disponibilidade de agendas, já que o imperativo eram os dias em que o comércio faz circular pelas ruas centrais um grande número de pessoas. “Queremos trazer arte e cultura num momento em que a região está cheia por conta das compras de Natal, numa forma de brindar o ano com esses consumidores”, pontua o superintendente, destacando que as músicas não passam pelo cancioneiro natalino, mas pelo repertório desses artistas, grande parte dele autoral.
Resgatando clássicos da música popular brasileira que falam de sentimentos positivos, o Lúdica Música! recebe, na próxima terça (15), às 20h, no Cine-Theatro Central, os músicos Alessandra Crispin, Carlos Fernando, Sandra Portela, Roger Resende e Thiago Miranda, para o show “Tempo de amor e alegria”. Caravana Mezcla de Palhaços, Estação Palco, grupo Tresdias e Oficina Lúdica de Ritmos também completam o time no espetáculo promovido em parceria da PJF com a UFJF. “Já há algum tempo queríamos trocar figurinhas com esses artistas. Construímos um repertório baseado numa mensagem positiva, que não necessariamente tem a ver com Natal ou religião, mas fala sobre bons sentimentos, o que é importante para esse momento conturbado, politicamente e socialmente”, comenta a lúdica Isabella Ladeira.
“A paz”, de Gilberto Gil, “Paciência”, de Lenine, além de composições de Milton Nascimento, Roberto Carlos, Gonzaguinha, Nelson Cavaquinho, Cartola, e, claro, Abujamra (parceiro fiel do trio), o repertório exalta algo de mineiro, dissertando, também, sobre a potência das tradições, sobre a força de uma fé que se ampara no homem e em suas certezas. “Vamos ancorar esse show, recebendo esses convidados, com entradas dos atores e com a interação de todos entre si. Todos os músicos têm uma música individual. No final, todos estarão juntos. Ainda bem que será no Central!”, brinca Isabella, ressaltando serem 51 artistas no palco, clamando e exaltando tempos dos quais Juiz de Fora tem se esquecido.
Em volta de Noel
Os móveis continuam graciosos, como o quadro sobre a cama, com a foto do casal Noel. Os cômodos, porém, mudaram de lugar. Na casa do Papai Noel, montada no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas e aberta até o dia 24 deste mês, o escritório chegou para frente e é a primeira passagem dos pequenos (e grandões) visitantes. Depois de escritas as cartinhas, a visita continua. Conforme aponta o superintendente da Funalfa, Toninho Dutra, a receptividade tem sido muito positiva. “Precisávamos apresentar algumas novidades”, diz. Nos arredores da casa do Bom Velhinho, estão diferentes presépios, a maioria deles em cerâmica, como os típicos conjuntos das casas brasileiras.
Do anúncio feito pelo anjo Gabriel à romaria dos três reis magos, Yure Mendes representa, na exposição “Natividade”, o decorrer do nascimento de Jesus, em esculturas coloridas na galeria Narcisse Szymanowski. “Tive muito cuidado com a fidelidade dos relatos bíblicos. Não quis nenhuma distorção, procurei ser o mais fiel possível. Lógico que foi preciso fazer alguns ajustes por questões escultóricas. Não queria que o ponto central fosse o presépio, mas a trajetória do menino Jesus”, comenta o artista, que escolheu as cenas mais marcantes e harmônicas entre si. “Gosto muito de arte sacra, e a temática natalina é poética e linda”, acrescenta ele, que tem se tornado um nome tradicional nos festejos natalinos da cidade.

