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Copiando com honestidade

julia roberts nicole kidman e chiwetel ejiofor interpretam os agentes do fbi que tem suas vidas marcadas por um brutal assassinato e o sentimento de impunidade

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Julia Roberts, Nicole Kidman e Chiwetel Ejiofor interpretam os agentes do FBI que têm suas vidas marcadas por um brutal assassinato e o sentimento de impunidade
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Julia Roberts, Nicole Kidman e Chiwetel Ejiofor interpretam os agentes do FBI que têm suas vidas marcadas por um brutal assassinato e o sentimento de impunidade

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Não é de hoje que Hollywood sofre com o medo (ou seria falta de inspiração?) para criar e produzir obras originais. A Meca do cinema americano tornou-se pródiga em entregar ao público adaptações de livros, histórias em quadrinhos, séries de TV, reboots, remakes e versões made in USA de produções estrangeiras que muitas vezes tornam-se uma maçaroca que dá até vergonha de assistir; foi o caso, recentemente, do “Oldboy” de Spike Lee. Mas há momentos em que até mesmo o “nada se cria, tudo se copia” rende bons resultados: “Olhos da justiça”, que chega aos cinemas nesta quinta-feira, é exemplo de produção que – mesmo algo inferior ao original – conseguiu agradar a crítica.

O longa-metragem dirigido por Billy Ray (roteirista de “Jogos Vorazes” e “Capitão Phillips”) é a versão com estética americana para o argentino “O segredo dos seus olhos”, de Juan José Campanella, vencedor do Oscar de filme estrangeiro em 2009. As mudanças vão além (claro) da língua, como também da temática, época e elenco. A tensa e magistral produção de Campanella tem como pano de fundo a ditadura argentina entre as décadas de 70 e 80, com um oficial de justiça aposentado dedicando-se a escrever um livro sobre um estupro e assassinato ocorridos em 1974, numa investigação tardia para tentar descobrir o autor do crime.

Já o remake escrito e dirigido por Billy Ray tem como base histórica os Estados Unidos traumatizados e paranóicos pós-11 de setembro. O ano é 2015 e um ex-investigador do FBI, Ray (Chiwetel Ejiofor, o futuro protagonista de “Pantera Negra”, da Marvel) consegue uma nova pista para um crime ocorrido em 2002: o brutal assassinato da filha adolescente de uma de suas antigas colegas do Bureau, Jess (Julia Roberts). Os dois, com sua chefe de divisão, Claire (Nicole Kidman) e Bumpy (Dean Norris, de “Breaking Bad”), chegaram a descobrir, na época do crime, o autor do homicídio, Marzin (Joe Cole), mas não conseguiram levá-lo à prisão. Um dos motivos para o suspeito ter se livrado da cadeia era o fato de ele ser um informante do governo americano em uma mesquita, onde acompanhava os passos de suspeitos de planejarem atos terroristas. Com isso, ele acabou sendo protegido pelo agente do setor de contraterrorismo do FBI, Martin Morales (Alfred Molina), que não tinha vontade de ver sua operação ligada a um crime cometido por um psicopata.

Adaptação honesta

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Boa parte da trama é mostrada em idas e voltas no tempo, revelando o quanto a personagem de Julia Roberts passa de uma pessoa alegre, confiante, para uma personalidade arruinada pela tragédia e a impotência de não poder levar a julgamento o responsável pela morte de sua filha, que não tem a menor parcimônia em debochar dela nas ocasiões em que acabam se cruzando. Porém, mesmo depois de desaparecer por anos, Marzin é encontrado por Ray, e é chegado o momento de se decidir o que fazer: apresentar as provas e mandar o sujeito apodrecer na cadeia, ou deixar Jess fazer justiça com as próprias mãos?

Apesar das mudanças feitas no roteiro para tornar o filme mais palatável para o “paladar” cinéfilo americano (transformando o crime, por exemplo, em um drama pessoal, ao colocar a vítima como filha de uma das investigadoras), “Olhos da justiça” tem sido considerado pela crítica como uma adaptação honesta e bem realizada de uma produção que, por si só, não precisaria de uma refilmagem. Em dúvida, o espectador pode ir à sala escura para conferir o trabalho de Billy Ray e, depois, comparar com o original de Campanella. Desta vez, pelo menos, não será perda de tempo.

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OLHOS DA JUSTIÇA

UCI 4 (dub): 13h20. UCI 4: 15h45, 18h10, 20h 35 (todos os dias) e 23h (sexta-feira e sábado). Cinemais 2 (dub): 14h30 e 19h30. Cinemais 2: 17h e 22h. Palace 2 (dub): 14h40 e 16h40 (exceto segunda-feira). Palace 2: 21h10 (exceto segunda-feira). Santa Cruz 1 (dub): 16h30, 18h45 e 21h

Classificação:14 anos

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