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Encontro das artes produzidas entre as trilhas de Minas Gerais

Festival Audiovisual de Cultura
Festival Audiovisual de Cultura
Pri Helena participa do FAC com “Cadê o sangue”, cena sobre mulher que veleja e torna-se mãe (Divulgação)
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Minas Gerais é o segundo estado com mais habitantes. Por aqui, circulam pessoas e ideias desde antes de o Brasil ser Brasil. Na mesma medida, a formação de produção artística ficou registrada em cada cidade, histórica ou não, como as marcas da população. Essa produção vai crescendo e ganhando espaços. As montanhas podem até ser a inspiração para tanta arte. Tímidas ou não, elas estão presentes. Nesta quinta-feira (11), começa o Festival Audiovisual de Cultura de Minas Gerais (FAC). Nele, 40 vídeos de diferentes linguagens artísticas e de regiões do estado ficarão expostos no site por um mês. Daniel Toledo foi quem fez o acompanhamento crítico e curatorial do festival. Apesar das diferenças, ele diz que existe, sim, um traço mineiro que permeia as produções: “tem uma ideia de reflexividade. Um lugar da introspecção, do pensamento. Essa coisa de quem está na montanha e pensando, num ritmo de observar e contemplar, sobre a vida. Tem sempre uma elaboração que está em curso”.

Esta vai ser a primeira edição do FAC, que será realizada totalmente online. Daniel diz que três intenções podem ser traçadas. A primeira é de ele ser uma plataforma que pense o audiovisual a partir de diferentes artes. “Um encontro de artes.” A segunda é a de fomentar a cena cultural de Minas Gerais e promover proximidades dentro de um estado tão grande. Já a terceira, por sua vez, é a de o FAC ser um acervo digital que reúne e divulga todas essas obras. Com as inscrições, a ideia foi mapear a produção artística e já tentar fazer com que ela consiga chegar a lugares diferentes. “Um mapa para entender que, na verdade, as produções são complexas, mas, quando se juntam, ganham força.”

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Os caminhos que serão percorridos

A curadoria dos 400 produtos recebidos foi feita por quatro profissionais. Cada um deles ficou responsável pela área de interesse e, por fim, foi debatido quais seriam aqueles que contemplariam a ideia que o FAC procura passar, ampliando as identidades mineiras que ficarão registradas e darão a cara do evento. As produções são divididas em trilhas curatoriais com temas que, de certa forma, dialogam entre si. Esse nome faz referência ao fato de que, durante a produção, ainda viajava-se pouco por causa da pandemia. Assistindo, então, aos vídeos, que têm, no máximo, 5 minutos, “dá um sentido de viajar, de somar quilôimetros”. Além, também, de representar Minas Gerais e seus tantos caminhos e estradas.

Juiz de Fora foi a segunda cidade com mais trabalhos recebidos pela produção e, por consequência, a segunda, também, com mais artistas na lista dos selecionados. Assim como no FAC todo, foram trabalhos de músicos, dançarinos, atores e atrizes e diretores, todos em formato audiovisual. Uma dessas produções foi a da atriz Pri Helena. Nos 2 minutos de “Cadê o sangue”, a atriz encena a história de uma mulher que veleja e torna-se mãe, vivendo o que ela chamou de “uma vida tradicional”. “Eu tento colocar sobre a luz essa solidão, o abandono, a exaustão que a mulher vive quando é mãe. O cansaço, um pouco desse anular do pessoal para se tornar a mãe de alguém. Você perde um pouco a identidade, o seu espaço, você acaba se perdendo muitas vezes”, continua. Essa cena sobre o feminino foi gravada durante a pandemia.

“Encontro é crucial para a produção da arte”

Para ela, a importância do FAC reside também no fato de ele representar “uma mistura e abraçar diversos trabalhos de artistas muito potentes nas suas áreas, mas muito diferentes entre si”. Além disso, Pri acredita que “ele impulsiona o regionalismo, a cultura do interior, os trabalhos artísticos que são feitos fora desse eixo rio-são paulo”. Pedro Carcereri também entra na lista com “Os sonhos já encontraram um outro tempo”. Para ele, o mais importante é o encontro entre os artistas que o festival promove: “a possibilidade desse encontro é crucial para a produção da arte”. Os artistas, que nunca deixaram de produzir, têm esse tipo de evento como divulgação das obras. E ser online faz com que a audiência chegue a outros lugares.

Pedro inscreveu uma vídeo-arte de 1 minuto. De certa forma, ela também proporciona um encontro entre as artes. No curta, realizando uma interseção entre literatura, fotografia e cinema, ele registra uma pesquisa sobre sua própria história a partir de fotografias de famílias. Durante a pandemia, e após o nascimento de sua filha, ele teve vontade de se voltar internamente para entender de onde veio, propondo uma “árvore genealógica ao contrário, com aspectos da memória e de como essas coisas afetam a gente”. Totalmente intimista, Pedro narra um poema seu sobre as fotos do passado. A ideia é, inclusive, expandir esse trabalho.

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Fotografias de família compõem a videoarte de 1 minuto de Pedro Carcerei (Foto: Divulgação)
Letícia Nabuco conta com a participação de seu filho em “Matriz Motrix” (Foto: Divulgação)

A possibilidade de viver da arte

Letícia Nabuco, dançarina residente em Juiz de Fora, também traz seu filho Antônio, de 12 anos, para as telas do FAC com a “Matriz Motriz”. Ela explica que, às vésperas do dia das mães, chamou Antônio para dançar de olhos fechados. O resultado foi gravado em seu celular. Ele a acompanha no palco desde quando ainda estava na barriga. “Uma semana antes de ele nascer eu estava fazendo uma performance no MAMM”. Com esse vídeo, registra-se como a dança entrelaça essa relação e, ao mesmo tempo, todo o processo de maternidade, de acompanhar as fases das crianças que logo se tornam adolescentes.

Ela já realiza trabalhos de videodança, como foi proposto pelo FAC. Essa, inclusive, foi a realidade de vários professores que vivem da dança durante a pandemia, em que tiveram que adaptar os formatos para não parar. No seu caso, esse método está presente há anos. Para isso, ela precisa pensar em tudo o que envolve esse trabalho: dramaturgia, ritmo, sequência. “O olho edita o que a gente apresenta. Nesse caso, a gente é quem direciona o olhar de quem assiste.” O desafio, para ela, é “transformar o pessoal em linguagem”. De acordo com ela, eventos como esse acabam possibilitando que “a gente continue fazendo esse tipo de arte, com um viés que toca no sensível, no humano”.

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