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Entrevista Dalila Roufi, escritora e contadora de histórias

dalila roufi lanca as invencoes do genio imemore com ilustracoes de fernanda cruzick leonardo costa

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Dalila Roufi lança
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Dalila Roufi lança “As invenções do gênio imêmore”, com ilustrações de Fernanda Cruzick (Leonardo Costa)

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Não existe Dalila Roufi sem D’Roufi. Onde a escritora está, ali está o mascote inseparável. É assim quando ela segue para as contações de histórias. Foi assim quando ela esteve no “Sala de leitura” para apresentar o livro “As invenções do gênio imêmore” (Funalfa Edições). A publicação infantil é a nona da coleção da autora e será lançada no dia 13 de setembro, às 14h, na Escola Municipal Santana Itatiaia (Rua José Lourenço Kelmer s/nº – Martelos). Nas 37 páginas, são os tecidos da Fábrica São João Evangelista que dão o colorido para o fundo das ilustrações de Fernanda Cruzick.

“Essa é uma história de todos nós, porque começou quando a natureza tinha livre caminhar, e milhares de criações ainda estavam por desabrochar. Bem em meio à natureza, não existia casa, comércio nem cidades. Mas quem estava lá? O homem. Esse homem, de repente, um dia olhou para o mar, viu aquela quantidade de água e falou: ‘Será que existem terras para além dessas águas?’ E o que esse homem fez? Criou formas de navegar nas águas. Passado um tempo, ele olhou para aquela terra que ele pisava e imaginou: ‘Será que posso nesta terra andar além dos meus pés?’ E o que ele fez? Criou formas de andar para além de seus pés e formas muito mais velozes. Passado um pouco, esse homem olhou os pássaros e imaginou: ‘Será que posso voar, viajar pelo céu, seguir as estrelas, tocar as nuvens, visitar a lua?’ E o que ele fez? Percorreu as alturas. Passado um pouco, esse criador de tudo se tornou um gênio imêmore, que quer dizer um gênio esquecido. Esqueceu quem era, o que fez e, o pior, porque fez”, explica a autora, em tom que lembra o contar histórias.

Em Juiz de Fora desde 2004, onde publicou o primeiro livro, Dalila logo teve a ideia de levar seus escritos, durante as férias, fins de semana e feriados, para dentro de shoppings da cidade. Esse foi o primeiro passo do projeto “Eu vou contar o que escrevi”, que, há dez anos, já visitou instituições de ensino de várias localidades de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná. Sempre envolvida na cena local, em 2013, Dalila voltou de Belo Horizonte com a ideia do Leia JF, Liga de Escritores, Autores e Ilustradores de Juiz de Fora, da qual é presidente. O movimento, como ela conta na entrevista abaixo, ainda está engatinhando, mas já começou a dar resultados.

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Tribuna – Seu livro tem a intenção de ultrapassar a função de entreter.

Dalila Roufi – É uma releitura que faço da própria história de todos nós. É para conscientizar porque, apesar de o homem ser o gênio neste livro, ele se tornou também um imêmore, um gênio esquecido. Quando digo que, a partir de agora, a história é com o leitor, é porque o homem passa a usar a própria genialidade contra a própria existência. O que vamos fazer com isso? É um caso para pensarmos.

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– Como se dá o diálogo entre seu texto e as ilustrações da Fernanda Cruzick?

– Tivemos uma ideia de fazer uma homenagem à fábrica centenária São João Evangelista. Conversamos com o proprietário e conseguimos a permissão de fotografar mais de cem tecidos. A partir daí, colocamos na arte imagética o fundo com as ilustrações dos tecidos.Também estamos trabalhando com o artesanato brasileiro para representar toda a criação do homem e o próprio homem. Por isso eles estão em forma do barro.

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– O Leia JF nasceu com a intenção de discutir estratégias de divulgação da literatura de Juiz de Fora. Como o movimento está caminhando?

– Tem muita coisa para trabalhar ainda, muita coisa para ser vista. Estamos aprendendo com os próprios erros, mas é isso aí. Não é só a divulgação do autor e do trabalho. Estamos com muitas ideias legais de levar contações de histórias, oficinas e palestras para a comunidade, inclusive, já fizemos isso no “Corredor cultural”, participamos da Bienal do Livro de Juiz de Fora e da Festa Literária de Rio Novo. Está sendo um trabalho muito legal.Tenho uma certa trajetória, muitos têm o primeiro livro, e está sendo uma troca boa.

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– Muitos escritores locais dizem que se sentem sozinhos com seus livros. Quem é o responsável por esse não reconhecimento? Seriam os leitores, que não leem, ou as editoras, que não abrem espaço?

– Vou falar por mim. Não vejo dessa forma. Tudo o que fiz foi sempre trabalhando, buscando minhas conquistas, batalhando bastante e sempre tive portas abertas. Sempre fui muito bem recebida pelas escolas, a Lei Murilo Mendes é uma oportunidade incrível para os autores e para os artistas da cidade. No meu caso, diante de todo o contexto social e econômico, só tenho o que agradecer. Tem muito para ser melhorado, muita inclusão para ser feita, mas não é só reclamar. Tenho mais a agradecer Juiz de Fora do que tudo.

– O que a criança de hoje quer ler é uma discussão sempre em pauta. Como torná-la um leitor em potencial? É preciso apresentar histórias que sejam do interesse dela e, a partir daí, pular para textos mais profundos, para os clássicos?

– De tudo um pouco. Tudo o que é excesso não é bom, tem que ter um equilíbrio. O caminho é esse. A gente tem que estar sempre em contato direto com o leitor. Conheço muitos amigos autores que fazem livro, publicam e não conseguem levar o livro até o leitor. E, desde o início, a proposta do meu projeto, “Eu vou contar o que escrevi”, é aproximar a criança do livro e do prazer de ler. É um projeto que não parou durante dez anos. Mensalmente, com mais frequência ou com menos, ele está sempre a caminho do leitor. Não temos que impor a leitura, podemos sugerir. Independentemente da idade, é o leitor quem tem que escolher o que quer ler, o gênero que gosta. Temos que respeitá-lo.

SALA DE LEITURA

Sábado, às 10h30. Reprise na segunda, às 14h30.

Rádio CBN Juiz de Fora (AM 1010)

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