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Inoutside lança ‘Dare the night’, primeiro disco do trio

Inoutside
Inoutside 2 foto Caique Cahon
Mariana, Duda e Leticya: Inoutside estreia com nove músicas cantadas em inglês (Foto: Caique Cahon/Divulgação)
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Mais que desafiar a noite e seus obscurantismos, os pontos de sombra, a escuridão por completa. Um power trio de rock alternativo, formado por mulheres, precisa, ainda que sem querer, desafiar o mercado, a cena, o palco – uma lista extensa de embates que colocam à prova a vontade e a necessidade de fazer música. Mas o certo é mesmo fazer música. Mostrar que é possível construir um álbum e ocupar os espaços sendo como são: três mulheres instrumentistas. Desde sexta-feira (5), o disco “Dare the night” está disponível nas plataformas digitais da Inoutside: um cartão de visitas do power trio femino de Juiz de Fora que funciona, desde o lançamento do primeiro single, como um aviso de chegada.
A banda existe desde 2012, mas foi em 2019 que ganhou uma nova formação. Mariana Campello, quando fez um teste para procurar novas integrantes, de primeira encontrou em Duda Gielo e Leticya Bernadete o fechamento desse triângulo. Vocal, guitarra, baixo e bateria se juntaram de maneira que fez sentido e, quanto mais o tempo passa, mais vai fazendo. Desde 2019, as três vinham trabalhando nos arranjos das músicas que Mariana já tinha em mente que entrariam no álbum. Nesse processo, outras foram se juntando até que as nove, por fim, estivessem prontas para serem lançadas.
Esses três anos de produção foram o tempo suficiente para que o álbum saísse mais maduro, com elas mais unidas harmonicamente, inclusive com os instrumentos, por causa do tempo em que, cada uma em sua casa, só tinha a eles como forma de dar continuidade ao projeto, sem os encontros presenciais. Juntas, elas pensaram nos arranjos de uma maneira que mantivesse a personalidade de cada uma. Duda conta que, para o baixo, preferiu não ouvir versões anteriores que já tinham sido apresentadas com a formação antiga. Isso, para ela, garantiu pensar nas linhas que a representassem. Por ser uma banda com três pessoas, ela usou esse tempo de criação para buscar referências em grupos que têm poucos integrantes: isso ajudou a pensar em formas de criar uma música completa, que preenchesse os espaços.

O que Inoutside é agora

O resultado, de acordo com a baixista, é uma identidade deste momento, do jeito que elas são agora. “‘Dare the night’ é a gente, a nossa visão. Tudo dele representa o nosso estilo de agora, com experiências pessoais e desabafos. A gente fala de coisas nele que a gente acha importante de serem ditas, sobre feminismo e sobre três mulheres estarem ocupando esse lugar, além de muitas outras questões.” O nome do disco veio da música, lançada também como single, com clipe no YouTube, que também diz muito sobre elas. Esse não seria o título, mas elas começaram a pensar sobre como desafiam esse espaço e o mercado musical, o meio do rock que, por muito tempo, e ainda hoje, é, em sua maioria, formado por homens. Além das letras, o que traduz todos esses sentimentos são também as linhas de baixo, os sons vocais, as harmonias da guitarra e o toque da bateria: ele por completo.
Assim como a música “Dare the night“, “Shadow” foi lançada anteriormente. Elas seguiram essa indicação fonográfica de, antes do álbum, mostrar o que está por vir para dar um spoiler aos ouvintes. Mas se apresentaram à moda antiga trazendo um disco com nove músicas, considerado, atualmente, “grande” para as lógicas dos algoritmos. Isso, de acordo com Duda, foi até um medo. “Será que as pessoas vão ouvir um disco todo?”, elas se perguntavam. Mesmo assim, insistiram nisso, pensando em simbologias e em se mostrar por completo. “E a gente, pelas redes sociais, tem visto que o pessoal está ouvindo, compartilhando as coisas. No show a gente já viu gente cantando as músicas. É emocionante isso”, diz.
O trio ainda teve a experiência de, logo depois de lançar, testar o disco ao vivo, no show que fez parte da programação do Festival Mulheres no Volante. Foi, inclusive, uma decisão lançá-lo na sexta-feira anterior, porque elas queriam ter a oportunidade de apresentá-lo em um festival todo construído e pensado no protagonismo das mulheres. “Essa é uma tecla que a gente bate muito, porque, na Inoutside, tem mulher cantando, e tem mulher tocando todos os instrumentos, e a gente sempre viu pouco disso. No festival, isso era a maioria. E, para a gente, fazia sentido participar e lançar o disco lá.” No domingo, elas também participaram do Festival Dia de Rock, que no line up tinha poucas bandas formadas por mulheres. “Ocupar esses espaços é também nossa função. Porque a gente quer mostrar que é possível estar ali, principalmente para quem está vindo. É como se a gente falasse: ‘Só vai, que dá certo’. Ser inspiração mesmo. Mas é muito bom ver que esse movimento está crescendo, com bandas nascendo. As mulheres têm se unido nisso também. A gente vive essa mudança.”

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