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Das gavetas para as ruas

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Antes, guardados em caixas no fundo dos armários. Hoje, expostos em espaços públicos. Abusando de detalhes, técnicas e ângulos, os fotógrafos têm conseguido eternizar momentos íntimos de uma forma cada vez mais autoral e única. No mês passado, no shopping BH2 Mall, em Belo Horizonte, os fotógrafos mineiros Cristina Lima e Alexandre Lima inauguram a exposição "Tempo para o amor", um compilado extraído de registros que a dupla realizou em eventos sociais e familiares, sobretudo casamentos.

É a primeira mostra da dupla dentro deste tema, conforme explica Alexandre. Divididos em três partes – "tempo", "para" e "amor" – os registros levantam questionamentos sobre a definição destes conceitos. "É importante refletir sobre o tempo dispensado ao amor; o que te faz parar e refletir sobre o amor; o que, ou quem, te desperta a vontade de amar", comenta.

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Fotógrafos de Juiz de Fora, ainda que não têm seus trabalhos expostos em espaços públicos, vêm seguindo esta tendência. Munidos de referências, eles conseguem transformar seus clientes em modelos, que compõem uma obra artística."Para produzir este tipo de imagem, o artista precisa fazer um combinado de todas as suas experiências já vividas. Observar o ambiente em que está e nele inserir todas as referências de livros já lidos, filmes já vistos, galerias visitadas e obras contempladas. É isso que faz um trabalho ser diferente do outro. É dessa forma que criamos nossa própria identidade", ressalta o fotógrafo Alessandro Mesquita, que comanda estúdio na cidade. Segundo ele, 60% de cada álbum de casamento (seu carro-chefe) que produz são compostos por fotografias com toque artístico. "Os outros 40% ainda são de imagens tradicionais. Acredito que, com o passar do tempo, a porcentagem de registros artísticos pode chegar a 80%. Os clientes têm optado cada vez mais por fotos trabalhadas."

A fotógrafa e sócia da Magenta Studio, Karolina Vargas, explica que a captação das imagens vai muito além do simples registro. Nos trabalhos que a equipe realiza, sobretudo na sessão de fotos para formaturas e casamentos, muitas referências são utilizadas, principalmente as formas geométricas, a arquitetura, gestos e sentimentos. Para o registro de formandos, os profissionais da empresa têm apenas uma exigência: deixar as becas para serem usadas apenas na colação de grau. "É o que chamamos de subversão dos conceitos. Todo o ensaio está inserido em um tema, que é conversado e discutido com cada turma. Usamos muito o humor e baseamos a referência no cinema, na moda e na publicidade, além de conceitos de arte. Já fizemos convites que tiveram como tema a street art, com grafites urbanos", comenta Karol.

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