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Paraíso dos trópicos

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Penedo (RJ) – Famosa pelos roteiros naturais por trilhas e cachoeiras, pela beleza do Parque Nacional de Itatiaia, pela gastronomia estrelada e pelo friozinho aconchegante, Penedo possui, em sua origem, segredos que conduzem a roteiros turísticos diferenciados. Colonizado por finlandeses no início do século XX, o distrito de Itatiaia guarda charmosos resquícios deste período, levando a um interessante passeio que une passado e presente em combinações surpreendentes.

Um dos marcos desta união entre Brasil e Finlândia, que remete ao ciclo do café, o Casarão de Penedo continua de pé e foi uma das primeiras moradas dos imigrantes. Para conhecer a história do monumento, vale tirar uma tarde para bater um papo com os atuais proprietários, o finlandês Mika Peltola e sua mulher Soile Viitaniemi-Peltola, filha de finlandeses. Eles se conheceram no baile do Clube Finlandês, que ocorre no primeiro fim de semana de cada mês, para manter viva a tradição de polkas e manukas.

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"Os finlandeses queriam viver do que plantavam, estar em contato direto com a natureza e também fugir do frio intenso. Ninguém veio fugindo de guerra, ou em condições difíceis, como aconteceu com outras imigrações. Eles escolheram Penedo para fundar um paraíso tropical, e o Casarão é um marco dessa comunidade agrícola, que existiu por uns oito anos", explica Mika, enquanto passeia pela propriedade, de onde se tem uma visão privilegiada da Serra da Mantiqueira.

Outro marco da história local é o Museu Eva Hilden da Cultura Finlandesa, aberto diariamente, com mostra de artigos diversos, como teares, objetos de arte talhados em madeira, trajes típicos finlandeses, árvores genealógicas dos colonos, brinquedos, documentos e mesmo latas e garrafas de bebidas do país.

Expressão atual nas artes, o finlandês Martti Vartia transforma, em seu ateliê, madeira morta abandonada nas matas em peças dotadas de movimento. "Todo finlandês tem uma relação muito forte com a natureza, descobri nesta forma de arte um grande prazer." Em seu acervo figuram peças com traços humanos, animais, personagens fantasiosos, figuras abstratas. Para completar a visita, vale provar uma dose da aguardente finlandesa Acquavita, derivada da batata, no restaurante de Martti, o Koskenkorva, anexo ao ateliê.

 

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Papai Noel, truta e chocolates

Depois de um dia de imersão na cultura nórdica, vale reservar a noite para aproveitar outras peculiaridades. Anexo à Pousada Pequena Suécia, o Jazz Village é um deleite à audição e ao paladar, com pratos tradicionais da cozinha sueca, baseados em peixes crus como o arenque e o salmão defumado. Outra opção é saborear o rodízio de fondue com carnes, queijos, vegetais e legumes, do Hotel Girassol, seguido por uma rodada de frutas e biscoitos banhados no chocolate.

Para as crianças, a dica é passear pela Pequena Finlândia, inspirada em um vilarejo nórdico, preservando a arquitetura típica da região na estrutura de lojas de artesanato e souvenirs. O destaque fica para a Casinha de Papai Noel, cópia fiel da que existe na Finlândia e a única no mundo reconhecida como réplica pelo país. Vale parar também na Tonttulakki, loja de chocolates da fábrica homônima, com incontáveis variações e combinações inusitadas com champanhe, gengibre e limão. Já a loja Viva Penedo! resgata as origens europeias em T-shirts divertidas e modernas.

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Os fãs da boa gastronomia não devem deixar de passar pelo Restaurante Jardim Secreto, que mescla vertentes da cozinha contemporânea a elementos tradicionais. Destaque para a tradicional truta, que no prato Boa Lembrança da casa aparece em versão salmonada, coberta por molho de damasco e acompanhada por risoto de queijo brie."Quis brincar com a combinação de queijo e damasco que aparece em docinhos e surgiu esse prato", explica o chef e proprietário Fabiano de Almeida.

* A repórter viajou a convite do Hotel Girassol

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