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Diário de bordo

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Conhecer Marrocos é mergulhar em um mundo de cores, cheiros, sabores e mistérios milenares. Por ser o país africano mais próximo da Europa – separado da Espanha pelo Estreito de Gibraltar -, sempre foi uma porta de entrada do Ocidente para o Oriente. Apesar de ter sido dominado por muitas etnias, os povos considerados nativos são os berberes, que ainda preservam laços tribais e têm uma língua própria. A maioria da população também fala o francês e o árabe, idiomas ensinados nas escolas.

Por conta das constantes invasões de outros povos, no passado, os berberes acabaram se refugiando nas montanhas, passando a viver camuflados em casas que se misturavam às paisagens áridas do país. Algumas dessas residências, conhecidas como kasbahs, espécies de fortificações feitas de argila misturada com água e palha, podem ser visitadas pelos turistas, o que acaba por complementar a renda de muitas famílias.

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As principais cidades do Marrocos são Casablanca, Fez, Ouarzazate e Marrakech. Cada uma tem uma cor específica, e nenhum prédio pode ser pintado com outra tonalidade. Enquanto Casablanca, por exemplo, é toda branca, Marrakech é ocre. As cidades, por sua vez, são divididas em duas: as medinas(a parte antiga, murada e protegida, com ruas estreitas e sinuosas) e a parte nova (fora dos muros). Dentro das medinas, estão os famosos mercados (souks), com todo tipo de produto, como ervas medicinais, confecções e ouro. Nada tem um preço fixo. A regra é pechinchar. A pessoa dá o preço que acha justo e negocia com o comerciante. Uma boa dica é dar um valor mais baixo do que você pagaria, para assim poder chegar a um bom acordo. Um dos maiores souks do país fica nos arredores da Praça Jemaa el-Fna, em Marrakech, onde encontram-se encantadores de serpentes, barracas de comidas típicas e os famosos temperos culinários.

As paisagens vão desde montanhas cobertas de gelo, como a famosa Cordilheira Atlas, com picos de mais de 4 mil metros, até desertos. Um dos passeios mais interessantes é a excursão ao Saara. Saindo de Marrakech, a viagem é longa e fatigante, mas inesquecível. Guias levam os turistas em vans pelas estradas entre as montanhas até chegar ao destino. Chegando lá, o meio de transporte passa a ser os camelos, que nos conduzem, por quase uma hora, em meio às gigantescas dunas. Nos locais de paragem, existem tendas nas quais são servidas refeições. A noite carrega o silêncio profundo do céu estrelado do deserto, o mais bonito que já vi até hoje. Apesar de não ter encontrado minha Jade, levo do Marrocos experiências para a vida toda.

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