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Cidade filtrada

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Eles já perderam as contas de quantas vezes suas fotos foram parar na página popular do Instagram, aplicativo/rede social que permite aos usuários tirar fotos com as câmeras de seus celulares, aplicar efeitos e publicar instantaneamente na web. Juntos, eles postam, em média, dez imagens redesenhadas da cidade na rede diariamente e, hoje, fazem parte do seleto grupo de usuários sugeridos por aqui. Há pouco mais de um mês, o instrutor de ioga Gopala Deva (@gopaladeva), passou pelo crivo de seus seguidores, – de diferentes partes do mundo, como Suíça, EUA, Japão, China, Maldivas, Dinamarca, Irlanda, Índia, Espanha e Portugal -, e teve algumas fotos em destaque nas tags #wegramjuizdefora e #idestaque_id nos últimos dias. Há dois meses, a professora e fotógrafa Gleice Lisboa (_@gleicelisboa) foi buscar recursos no Instagram, para aperfeiçoar suas aulas e técnicas fotográficas de celular. A advogada Ana Mokdeci (anamokdeci) descobriu o aplicativo em fevereiro último, e gerencia a #wegramjuizdefora, por meio da qual ela incentiva e destaca fotografias de Juiz de Fora. Graças ao exercício diário de profissionais e novos interessados no ramo, a cidade vem ganhando outras cores e formas no perfil de usuários em todo o mundo.

Gopala, Gleice e Ana exercitam cada vez mais o olhar, pois buscam, na rotina local, cliques esteticamente interessantes, volumes, luzes, cores e sombras. Um desafio diário para Gleice, por exemplo, é não voltar para casa sem, ao menos, uma foto. "Utilizo o aplicativo para entender e explicar aos meus alunos sobre a nova técnica. Se não for assim, a gente fica de fora da linguagem", justifica a professora.

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O desenvolvimento de sua tag (#wegramjuizdefora) e a adesão dos juiz-foranos levaram Ana Mokdeci a perseguir outros objetivos. "A ideia é organizar um ‘instameet’, encontro de usuários do Instagram, que caminharão juntos pela cidade para fotografar", informa a advogada, sobre o novo suporte para o aplicativo, previsto para este ano.

Ao clicar seu "universo imediato", uma espécie de Juiz de Fora particular, Gopala Deva busca focar e compartilhar na rede o "extraordinário do corriqueiro e o inusitado do cotidiano". "Me interessa acompanhar e ser acompanhado pelos que realmente gostam de fotos e não somente pelos que usam o aplicativo como um Twitter", justifica Deva, único da trinca a utilizar o sistema Android para produzir e disseminar conteúdos. As outras duas fotografam com o iPhone.

 

Com que filtro eu vou?

O Instagram dispõe de 16 filtros, capazes de imprimir outros tons de cores e texturas nas fotos: preto e branco, envelhecido, alto contraste, retrô etc. Qual é o seu favorito? "Não uso nenhum específico. Com o tempo, você vai ganhando agilidade, prevendo resultados a partir de uma foto sem efeito", diz Gopala.

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O fotógrafo e pesquisador do ramo, Rick Arruda, de São Paulo, prevê que a estética de filtros e molduras tem prazo de validade. "Deve se esgotar, como qualquer estética ou moda, surgindo a nova ou releitura de outra."

Voltada para sua formação como repórter-fotográfica, Gleice Lisboa diz que estuda cada filtro da rede social, imaginando a forma como estes foram criados. Ana Mokdeci utiliza mais os recursos de filtragem do Instagram, sem abrir mão, inclusive, de outros aplicativos de edição do seu celular. "Em Juiz de Fora, a arquitetura de prédios como a do Mascarenhas é meu foco predileto", conta Ana, que aproveita a empreitada como "nova fotógrafa de celular" para compartilhar seu material no Facebook.

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Coidealizador do Instagram, o paulista Mike Krieger, 25 anos, transformou cinco milhões de donos de iPhone em fotógrafos, ajudando a criar o fenômeno. Aos 18 anos, ele fez as malas para estudar ciência da computação e design na Universidade de Stanford. À revista "Galileu", Krieger contou que, pelos corredores da faculdade, ele conheceu o programador Kevin Systrom, ex-funcionário do Google, que o chamou para criar o aplicativo que viria a colocá-los entre os mais festejados talentos do mundo tech.

Em outubro de 2010, a primeira versão do Instagram já estava no ar. O serviço se tornou rapidamente um fenômeno mundial. Milhares de usuários passaram a fotografar festas, viagens e comida aplicando efeitos. Em fevereiro de 2011, a pequena empresa, que ainda conta com apenas quatro funcionários, recebeu um investimento de US$ 7 milhões do fundo de capital de risco Benchmark Capital – outros dois fundos já haviam investido US$ 500 mil. O assédio não parou por aí. Starbucks e Pepsi fecharam parcerias com o serviço, e CEOs do Vale do Silício demonstraram interesse em comprar seus direitos.

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Há dois meses, o Instagram foi lançado para o sistema Android, já que a rede social era exclusividade do iOS, sistema operacional da Apple. Com mais de 50 milhões de novos usuários em pouco menos de um mês, o aplicativo teve de incrementar sua versão para o sistema do Google. À revista "Forbes", Mike Krieger disse que só quer saber de aprimorar o Instagram, dedicando mais de dez horas por dia ao aplicativo. "Na hora de contratar, competimos diretamente com o Google e o Facebook, que têm muito mais dinheiro", explicou, orgulhoso, o emergente "geek" brasileiro.

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