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‘Herbert sempre quis nos levar a outro patamar’

para joao barone no alto grupo sempre buscou apostar na mudanca de rumos musicais como pode ser conferido em albuns como severino e os graos

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Para João Barone (no alto), grupo sempre buscou apostar na mudança de rumos musicais, como pode ser conferido em álbuns como 'Severino' e 'Os grãos'
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Para João Barone (no alto), grupo sempre buscou apostar na mudança de rumos musicais, como pode ser conferido em álbuns como ‘Severino’ e ‘Os grãos’

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Mais longeva banda do rock nacional a manter a mesma formação, Os Paralamas do Sucesso chegam aos 33 anos de estrada colecionando uma quantidade de hits que faz inveja a muito artista, seja ele novato ou veterano. Desde 2012 comemorando as três décadas de atividades, o trio formado por Herbert Vianna (vocalista), João Barone (baterista) e Bi Ribeiro (baixista) lançou recentemente uma caixa com 20 CDs, incluindo os álbuns de estúdio, ao vivo, um com raridades e outro com versões em espanhol, além de começar a pensar em um novo trabalho de inéditas – o primeiro desde “Brasil afora”, de 2009.

Sem perder a fome dos palcos, os Paralamas se apresentam em Juiz de Fora nesta sexta-feira, no La Rocca, no evento Arena Music, em uma noite que terá, ainda, Humberto Gessinger, do Engenheiros do Hawaii, e dos locais do Acoustic N’ Roll. Aproveitando a volta à cidade (“um dos públicos mais legais que temos, é sempre bom tocar aí”), o baterista João Barone conversou com a Tribuna sobre a atual turnê, a caixa comemorativa, as mudanças na sonoridade da banda, o Rock in Rio e outras coisas mais.

Tribuna – Qual o repertório do show?

João Barone – O show atual é de grandes sucessos, baseado na turnê de comemoração de 30 anos que encerramos na virada do ano, em Niterói (RJ), um sucesso incrível, com muita gente na praia.

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– Vocês acabaram de lançar uma caixa com nada menos que 20 CDs. Por que lançá-la agora?

– Fizemos uma garimpada em gravações que significassem algo mais inusitado para o fã e aproveitamos para compilar uma série de versões em espanhol que lançávamos simultaneamente no mercado latino. Os Paralamas talvez sejam o caso de banda brasileira que mais teve influência da música argentina. Conseguimos escrever uma página muito interessante nessa história. Tentamos sempre fazer esse intercâmbio valer, mesmo que não exista a unidade que sonhamos no continente devido ao fato de sermos um país de língua portuguesa.

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– E como é analisar todas as mudanças musicais pelas quais o grupo passou?

– A gente não tem uma visão muito laboratorial disso, porque estivemos muito envolvidos nesse processo e meio que nos surpreendemos com o que não teve resultado de vendagens. No lembramos muito nessas entrevistas do “Severino”, que era um álbum muito ousado e não teve um resultado comercial grande, pensamos em como tivemos coragem de fazer um disco estrambólico e ousado. Sentimos o mesmo com “Os grãos”, que era um trabalho da transição dos anos 80 e 90, em que as bandas de rock foram escolhidas para Judas por parte da imprensa musical. Nos lembramos desses dois porque não tiveram resultado comercial mas, ao mesmo tempo, ajudaram a sedimentar nosso som. “Cinema mudo” (álbum de estreia do grupo, de 1983) foi uma experiência humilde e ingênua, fizemos o que eles achavam que era para fazer e não gostamos. Apostamos tudo no segundo álbum (“O passo do Lui”, de 1984), colocamos o que queríamos fazer, e aí deu no que deu (risos). “Selvagem?” (1986) foi um álbum importantíssimo, em que apostamos ao não repetirmos a fórmula do seu antecessor, e foi um dos álbuns que mais vendeu. Ficamos muito orgulhosos vendo nossa discografia em perspectiva. O Herbert era um visionário, sempre quis levar a gente a um outro patamar.

– A banda não lança um álbum de inéditas desde 2009. Há planos de gravar algo novo?

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– Estamos retomando nossa produção em cima do material do Herbert, que é bem extenso. Vamos trabalhar essas músicas, sedimentando o material até ver quando for a hora de preparar um novo disco. Há algumas músicas que ficaram de fora do “Brasil afora”, mas estamos indo além, vendo o material novo. Pensamos também se vale a pena lançar um álbum novo ou talvez um EP, um single, analisando como aproveitar essa nova ideia de disponibilidade de música.

– Como será voltar ao Rock in Rio, que há 30 anos ajudou a tornar a banda ainda mais popular?

– Nós temos uma história com a primeira apresentação no Rock in Rio, que foi muito importante por convidarem diversas bandas emergentes do rock brasileiro. E agora temos esse momento simbólico, de lembrar a importância de termos tocado 30 anos anos atrás e ver a roda girar e podermos tocar agora – que será diferente de 2011, uma coisa meio fora do comum porque tocamos com os Titãs e a Orquestra Sinfônica Brasileira.

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– Além de tocar com os Paralamas, você é conhecido pela sua pesquisa ligada à II Guerra Mundial. Tem desenvolvido algum projeto atualmente sobre o conflito?

– Estou contabilizando um momento superfeliz com o meu segundo livro (“1942: O Brasil e sua guerra quase desconhecida”, de 2013), que está chegando à quarta edição. E vou para Itália este mês, porque vão rolar algumas homenagens devido aos 70 anos do final da Segunda Guerra, e também vou fazer um documentário mais abrangente a respeito da participação do Brasil no conflito a partir do meu livro. Essa é uma página da nossa história que merece ser lembrada e valorizada por tudo que representou para o nosso país.

ARENA MUSIC

Com Os Paralamas do Sucesso, Humberto Gessinger e Acoustic N’ Roll

Nesta sexta-feira, abertura da casa às 22h, shows a partir da meia-noite

La Rocca

(Avenida Deusdedit Salgado 2.400 Salvaterra)

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