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Livro sobre Ponto de Partida é lançado em JF

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Fernanda analisa escolhas estéticas e éticas em textos e canções da companhia de Barbacena
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Fernanda analisa escolhas estéticas e éticas em textos e canções da companhia de Barbacena

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Em 1995, ainda na adolescência, a jornalista Fernanda Fernandes ganhou um amigo e um programa cultural na cidade de Barbacena, a 100km de Juiz de Fora. A amizade com o ator Felipe Saleme conduziu Fernanda ao grupo Ponto de Partida, cujas estreias passaram a ser estreladas por ele e acompanhadas por ela. "Ao longo do tempo, meu lugar na plateia foi se transformando. De fã do teatro como arte fui passando para um lado mais crítico e de pesquisadora. Acompanhei o trabalho do Ponto de Partida também como jornalista, e isso ajudou a desenvolver a observação e a análise antes da vida acadêmica", explica Fernanda, apresentando seu livro de estreia hoje no Museu Ferroviário. Fruto de três anos de pesquisa, a partir dos estudos desenvolvidos no mestrado em Letras pela UFJF – defendido em 2009 -, "Ponto de Partida – Um país em cena" (184 páginas) reconstitui a trajetória da companhia barbacenense, criada na década de 1980.

A julgar que num processo de pesquisa acadêmica é necessário construir distanciamento crítico, a autora teve de deixar o afeto de lado para investigar peculiaridades da companhia, como a opção de não buscar o mercado cultural estabelecido no eixo Rio-São Paulo, ou, ainda, Belo Horizonte. "Traçando um caminho diferente da maioria dos outros grupos, o Ponto de Partida optou por permanecer em sua cidade natal. Os limites da província, entretanto, não constituíram barreira para esses artistas que, em busca de uma linguagem que colocasse o homem brasileiro no centro do palco, no papel principal, não mediram esforços para operar no sentido contrário, levando até sua terra os melhores profissionais com quem pudessem aprender e desenvolver novos processos", destaca a jornalista.

Abrindo a bateria de lançamentos de "Ponto de Partida – Um país em cena", Fernanda Fernandes, que atua como professora da UFJF, recebe alguns integrantes do grupo, além dos músicos locais Daniel Lovisi, Rick Vargas, Cesar Demolinari, Marcelo Castro e a banda Matilda, todos com passagem pela Universidade de Música Popular (Bituca), em Barbacena. "O lançamento não é um evento do grupo, assim como o livro não tem nada de registro oficial, chancelado", explica.

O encontro de hoje no Museu Ferroviário tem apoio do Cultural Bar e uma performance do ator Tom Brynner. "Sempre gostei do lugar, e achei que fazer o lançamento na plataforma da estação teria tudo a ver com o trabalho do Ponto de Partida e com a minha pesquisa. O prefácio traz como título ‘Ponta de areia, ponto final, ponto de partida: uma utopia brasileira’ e capta bem o espírito da obra, ao levantar essas referências tão universais e mineiras, nossa ligação com a estrada de ferro e o vaivém entre o interior e o mar", ressalta a autora, anunciando ainda que a publicação será lançada no Rio no próximo dia 17, às 18h30, na Moviola Livraria e Bistrô (Rua das Laranjeiras 280 – lojas B e C).

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Parte dos 800 exemplares do projeto, que contou com recursos da Lei Murilo Mendes de Incentivo à Cultura, pode ser encontrada na livraria A Terceira Margem e, no Rio, na própria Moviola. Segundo Fernanda, a obra deverá ganhar versão na internet. Por enquanto, ela vem sendo comercializada no site Estante Virtual. A jornalista informa que, em breve, deverá haver lançamento em Barbacena e Belo Horizonte.

Em três décadas ininterruptas de pesquisa da cultura mineira e brasileira, o Ponto de Partida conquistou espaço e visibilidade nacional e internacional, a partir de uma proposta que vai além do teatro. Calcada na estrutura criada pelo grupo, Fernanda Fernandes levou três anos para concluir a pesquisa, sendo que nos dois primeiros ela atuava como repórter de cultura no Caderno Dois da Tribuna. O primeiro ano, de acordo com ela, foi de amadurecimento teórico. Logo em seguida, passou uma temporada em Barbacena, onde teve acesso aos arquivos do grupo. "Recolhi muito material para análise, incluindo os scripts originais, as gravações em VHS dos espetáculos e o clipping da companhia", conta.

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O livro, como descrito no prefácio assinado pelo orientador da proposta e escritor Alexandre Faria, é uma obra de análise e crítica, que busca identificar estratégias do grupo de teatro de Barbacena para conquistar espaço na arte, alcançando reconhecimento local, nacional e internacional. Não se trata, portanto, de um relato da história do grupo, mas de "uma reflexão sobre a utilização dos recursos musicais, literários, cênicos e sociais que revelam a maneira de inserção da companhia na cultura contemporânea".

Além da pesquisa escrita, a obra traz 17 imagens de cenas de espetáculos, registros e documentos. O destaque fica por conta da reprodução de um documento da Divisão de Censura de Diversões Públicas expedido contra o espetáculo "Contrastes", de 1984. Fernanda Fernandes buscou referências teóricas em textos assinados por nomes como Néstor García Canclini, Renato Ortiz, Silviano Santiago, George Yúdice, Charles Perrone e José Miguel Wisnik.

PONTO DE PARTIDA – UM PAÍS EM CENA

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Lançamento hoje, às 18h30

Museu Ferroviário (Av. Brasil 2.001)

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