Iniciada em agosto de 2011, a reforma dos 21 banheiros e sete camarins do Cine-Theatro Central deve ficar pronta até o próximo dia 30 de junho, após quase um ano. Segundo o pró-reitor de Cultura da UFJF, José Alberto Pinho Neves, o prazo foi estabelecido em reunião que contou com a presença do reitor Henrique Duque e dos responsáveis pela empresa Columbia Construções e Empreendimentos Ltda, contratada para realizar as obras. Em dezembro do ano passado, a Tribuna noticiou um atraso nas intervenções, orçadas em cerca de R$ 350 mil. A princípio, elas seriam finalizadas até 24 de novembro, mas não foi possível cumprir o cronograma de 90 dias, que conciliava as atividades do teatro. Somente seis sanitários da parte esquerda foram quebrados, cinco deles já começando a receber os ladrilhos hidráulicos nos tons cru e tijolo.
Na época, a Columbia solicitou que o restante do trabalho fosse desenvolvido ao longo de 60 dias corridos, em maio e junho de 2012. "Foi o que ficou acertado após deliberação. Agora, se houver descumprimento do prazo, a questão cai na legalidade", afirma Pinho Neves. O Central, que já estava sem aceitar novos eventos, continua com tal determinação até o fim do processo. O único show marcado é o do cantor Milton Nascimento, no dia 21 de abril.
Apesar de a revisão do teatro ter sido anunciada em 2009, quando o patrimônio completou 80 anos, as obras nos sanitários precisaram aguardar o parecer do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que levou 178 dias para ser emitido. Em matéria publicada em junho de 2011, o arquiteto Rogério Mascarenhas, responsável pelo projeto, explica que o reparo busca manter a identidade dos banheiros, embora eles tenham sido descaracterizados por intervenções anteriores. "Seguimos e resgatamos o que foi possível perceber." Até o momento, já foi investido cerca de R$ 1 milhão na reforma geral do espaço, que contou com a renovação dos sistemas de som e iluminação e da parte elétrica. Também estão previstos o restauro de pinturas da parede e a troca das cortinas e das cadeiras da plateia.
Construído em 1929 e tombado pelo Iphan em 1994, o Central deve receber um sistema de climatização em 2013. Conforme atesta José Alberto Pinho Neves, a empresa Urbanacon, do Rio, foi contratada para analisar a viabilidade da proposta. Segundo o laudo técnico emitido, o teatro tem condições de receber climatização, desde que sejam tomados alguns cuidados. O projeto deve reconhecer a especificidade dos revestimentos e não os danificar, além de conter um laudo que aponte a capacidade de carga da laje do terraço frontal. Também precisam ser verificadas as possibilidades de abastecimento de energia elétrica, por conta dos equipamentos de refrigeração.
Outro ponto diz respeito aos níveis de umidade, que necessitam ser medidos, monitorados e mantidos em determinado nível favorável à preservação dos afrescos do pintor italiano Angelo Bigi. A Urbanacon sinaliza ainda a imprescindibilidade de uma adequação acústica. "Mesmo antes de os aparelhos de ar condicionado estarem funcionando, constatou-se que o ruído de fundo no teatro já está muito acima dos limites adequados." De acordo com Pinho Neves, após seguir todas as orientações, o projeto será submetido ao Iphan. "Com tudo aprovado, teremos que fazer uma nova interrupção das atividades e aproveitaremos para já renovar as poltronas."
Sobre as infiltrações nas marquises, o pró-reitor de Infraestrutura da UFJF, Paschoal Roberto Tonelli, assegura que um projeto de restauração está sendo elaborado por professores da Faculdade de Engenharia, conforme orientações dadas pelo diretor da 13ª Regional do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em São João del Rei, Mário Ferrari. "Depois de pronta, a proposta será encaminhada ao Iphan. Mas como foi desenvolvida segundo as coordenadas do instituto, acredito que não esperaremos muito. Em seguida, partiremos para as licitações." A intenção, segundo José Alberto Pinho, é aproveitar o período de estiagem para os ajustes.
