Foi a partir do entusiasmo e da sensibilidade do professor e instrumentista Alberto Jaffé que os festivais de música clássica solidificaram-se na Zona da Mata e no Campo das Vertentes mineiros. O educador paulista, conhecido no Brasil e no exterior pelos projetos de ensino coletivo da música vivenciado por meio de uma metodologia singular, é o homenageado da 24ª edição da Oficina de Música Cinves, que acontece entre 11 a 19 de janeiro.
Jaffé, falecido no último ano, foi fundador do festival, que teve sua primeira edição em Juiz de Fora em 1985 – e se expandiu nas décadas de 1980 e 1990 para São João del Rei e Ouro Preto -, congregando o ensino da música a recitais, concertos, música de câmara e apresentações de música instrumental.
As oficinas de instrumentos e canto serão ministradas por professores reconhecidos nos cenários nacional e internacional, como Alceu Reis, Ciro Tabet, Ernani Aguiar, Felipe Prazeres, Jairo Chaves, Priscila Bomfim, Simone Santos e os convidados especiais da Noruega Geir Braaten e Öle Bohn. "São professores com uma vasta experiência, alguns dos quais começaram a traçar suas carreiras como alunos do Cinves, nos primeiros anos do festival", aponta o coordenador geral e maestro Ciro Tabet.
Para o maestro, a convivência entre professores e estudantes é um dos aspectos mais marcantes do festival. "A forma de trabalharmos o conteúdo mantém os alunos próximos. Não existe essa história de o professor no pedestal e o aluno lá embaixo", explica.
A complexidade exigida pela música de câmara, aperfeiçoada nas apresentações ao longo dos anos pelos integrantes do Cinves, é outro mote do festival. "Ela é o trabalho mais transparente da música, pois cada elemento é responsável por uma voz, o que exige uma interação mais complexa e correta", explica.
O concerto de abertura, que acontece amanhã, às 20h, na Igreja Nossa Senhora do Rosário, será protagonizado pela Academia Juvenil da Orquestra Petrobras Sinfônica. Com regência do maestro Felipe Prazeres, o grupo teve sua origem na própria oficina, no último ano, e é formado por jovens moradores de comunidades pacificadas do Rio de Janeiro. Quase 30 jovens virão à cidade, com o auxílio da UFJF, representar todos aqueles que fazem parte do projeto, encabeçado por Prazeres em 2012.
Entre os adolescentes, estará o jovem violoncelista Miguel Braga, de 13 anos. "O Miguel é dono de uma musicalidade impressionante e uma promessa da música clássica brasileira", destaca Tabet. O adolescente será um dos solistas da apresentação, ao lado do maestro Felipe Prazeres e de Iago Pereira, nos violinos, e do cravista Eduardo Antonello. Integram o programa peças de Bach, Geminiani, Nepomuceno e Mendelssohn.
