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Luz no fim dos túneis

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A frase do artista e gestor de políticas culturais Aloísio Magalhães (1927 – 1982) condensa as diretrizes a serem seguidas. "A comunidade é a melhor guardiã de seu patrimônio", disse Magalhães. A máxima é citada pelo professor Fabio Lima para definir o trabalho coordenado por ele e idealizado em parceria com o Departamento de Cultura da Prefeitura de Matias Barbosa (MG). Desenvolvido pelo núcleo de pesquisa e extensão "Urbanismo em Minas Gerais", do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFJF, o projeto de restauração da Capela Nossa Senhora do Rosário e de seus enigmáticos túneis encontra-se em análise na 13ª Regional do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em São João del-Rei. Como assegura o diretor Mário Ferrari, o final do ano atrasou as avaliações, mas um parecer oficial deve ser liberado até o fim de janeiro. Segundo Lima, o processo em si não é demorado, mas "a intensa demanda por parte dos técnicos da instituição" traz algumas dificuldades. O imóvel onde localiza-se a sede da administração municipal também recebeu proposta de recuperação. A mesma foi encaminhada ao conselho municipal e aprovada para execução.

Com auxílio de alunos e professores, numa abordagem multidisciplinar, foi elaborado um caderno com todas as informações sobre o restauro da igreja, protegida pelo Iphan e pelo município, e do prédio da Prefeitura, tombado em âmbito municipal. O coordenador explica que as pesquisas em acervos e os trabalhos de campo levaram em conta a memória da ocupação de Matias Barbosa e a inserção de bens culturais na dinâmica urbana ao longo do tempo. "Ressaltou-se a importância desses referenciais e a proteção legal nas instâncias governamentais. Em seguida, definiu-se o estado de conservação das construções, considerando as diversas modificações implementadas nelas e em seu entorno", enumera Fabio Lima, destacando ainda a realização de reuniões comunitárias para direcionamentos.

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Estado de conservação

 

Uma rede de túneis centenários corre sob a Capela do Rosário. Em junho de 2009, eles foram fechados sob risco de desabamento. De acordo com o historiador e diretor de cultura de Matias, Ricardo Sartine, a movimentação de terras nas galerias aconteceu em 2007 e 2008, mas só foi descoberta mais tarde. Conforme observa Fabio Lima, por apresentarem problemas de estabilidade, os túneis colocam em risco a integridade do conjunto edificado – o chamado Espaço Século XVIII, que compreende também a placa comemorativa dos 200 anos de execução de Tiradentes, o relógio de Sol e o chafariz . "A primeira medida, antes mesmo da intervenção na capela, diz respeito a um estudo arqueológico e de mecânica dos solos para a reversão desta condição." Sartine aguarda o retorno do Iphan também nesse caso, para, em seguida, buscar recursos por meio de leis federais e estaduais ou com apoio da iniciativa privada.

Segundo Lima, o estado de conservação da igreja – que aparece retratada na tela "A jornada dos mártires", de Antônio Parreiras – é razoável, apesar dos problemas relacionados ao uso e a intervenções que alteraram os componentes originais. Recentemente, o beiral localizado na parte posterior esquerda da edificação foi danificado pelo impacto de um caminhão. "A capela se insere em trecho do Centro urbano com tráfego de veículos constante", menciona Lima, relatando ainda o mal acondicionamento do sino original, que deve ser reinstalado, e de taças, pratarias e jarros utilizados em cerimônias religiosas.

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Sobre a sede da Prefeitura, o professor comenta que o imóvel, construído nas primeiras décadas do século XX, está conservado, embora tenha recebido reformas equivocadas e anexos. A fachada frontal, entretanto, mostra os elementos decorativos bastante preservados. "As estruturas e paredes de vedação também estão estáveis, mesmo com o trânsito de veículos", acrescenta Lima.

 

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A Capela do Rosário – antiga Capela de Nossa Senhora da Conceição do Caminho Novo, construída no século XVIII – e seus túneis chamam a atenção por desafiarem os historiadores. Conforme Fabio Lima, a finalidade original das galerias ainda merece um estudo aprofundado. "Como a igreja estava vinculada a uma sede de fazenda, certamente os túneis tinham função estratégica. O seu aspecto rústico, no entanto, e o acesso pouco facilitado, sem acabamentos mais sofisticados, sugerem que eles serviam para situações emergenciais."

Os projetos de restauro fazem parte do Programa de Apoio aos Municípios, da UFJF. Conforme afirma Lima, além de se interessar pelas realidades da região, a universidade busca atualizar teorias e prática discutidas em sala de aula. "Essa imersão nos municípios permite visão mais ampla para os futuros profissionais e a qualificação dos pesquisadores e professores envolvidos." O núcleo "Urbanismo em Minas Gerais" interage com a Universidade Federal de São João Del Rei e com o Instituto Universitário de Arquitetura de Veneza (Itália), onde Fabio atua hoje. A proposta tem participado de congressos nacionais e estrangeiros, além de ter sido premiada pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil em Minas Gerais.

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