
Douglas Zimmermann reúne em livro quadrinhos inspirados na juventude
Os anos em que passamos entre os muros da escola inspiraram o artista Douglas Zimmermann a criar as histórias de quatro formigas inteligentes que, com suas personalidades diferentes, oferecem uma visão bem humorada do nosso mundo abordando temas do nosso dia a dia, como política, meio ambiente e internet. E o mundo de “Os Mullets”, já conhecido na internet e da publicação “O Gibra Indica”, ganha uma publicação em papel só deles com o lançamento do livro, nesta terça-feira, no Forum da Cultura.
Douglas conta que “Os Mullets” surgiram há cerca de dez anos, quando ainda estava no ensino médio, e os personagens principais (Doug, Felipe, KC e Uélei) foram inspirados nele e em três amigos da época do colégio, com o principal cenário das historinhas sendo uma escola na Juiz de Fora em que vive. A escolha em transformar o quarteto nos incansáveis e minúsculos insetos, para ele, foi natural. “As formigas sempre me cativaram, imaginava como conseguiam ser tão disciplinadas. Acho que, de certa forma, temos essa organização também. Quando criança, vamos para a escola, quando adultos vamos para o trabalho, as leis são respeitadas pela grande maioria. Além disso, com relação às coisas maiores, como planetas e galáxias, somos apenas formigas. Enfim, gosto dessa metáforas”, filosofa o autor.
O nome da tirinha surgiu do planeta natal do personagem Felipe, que veio de Mullet para tentar dominar a Terra, mas desistiu do projeto ao conhecer seus três amigos. Quatro anos após criar os personagens, Douglas migrou com Os Mullets para a internet, primeiro como blog, depois como site, até entrar para “O Gibra Indica”. Ele reuniu os seus melhores trabalhos e teve o projeto de livro aprovado pela Lei Murilo Mendes. Nesse período, o universo Mullet ganhou outros integrantes. “Há os vizinhos, um casal que está sempre na mureta vendo a vida passar; o Orni, um ornitorrinco de pelúcia que sofre de uma crise de identidade, não sabe se é ave ou mamífero; Helinho, um professor de química que é mal-humorado, mas adorado por todos”, lista Zimmermann, que, como tantos, tem entre suas primeiras referências na nona arte os personagens de Maurício de Sousa, além de admirar os trabalhos do cartunista Laerte, Fábio Yabu, o Tintim do belga Hergé, o mestre Will Eisner e, mais recentemente, a série “Sweet tooth”, de Jeff Lemire.
A vontade de transformar ideias em palavras em balões dentro de quadrinhos desenhados vem desde a infância. “Na primeira série do ensino fundamental, meu amigo disse que eu deveria usar a cor bege para colorir o tom de pele dos meus desenhos. Perguntei como sabia disso, e ele disse que o pai era desenhista. Fiquei fascinado. Naquele dia, decidi ser desenhista”, lembra Douglas, que, mesmo aos 30 anos, tenta manter os Mullets com o espírito juvenil. “Muita coisa mudou, meu primeiro filho nasce no mês que vem. Sinto que o meu olhar é muito diferente, mas sempre tento manter o olhar jovem de cada personagem. Eles são adolescentes, cheios de hormônios, conflitos e sonhos. Tomo o cuidado de não me esquecer disso. Colocar-se no lugar do personagem ajuda também.”
OS MULLETS
Lançamento nesta terça-feira, às 20h
Forum da Cultura
(Rua Santo Antônio 1.1112)

