Sarcasmo, acidez e causticidade. A inconformidade é a matéria-prima de André Capilé. A ironia está presente na minha poesia como uma espécie de ‘desmentimento’ da lírica amorosa. É a necessidade de a linguagem dar conta de uma realidade, confidencia o poeta, que nesta terça-feira, às 19h, na Planet Music (Avenida Itamar Franco 1.522), lança o livro Rapace, com selo da Texto Território. Segundo o próprio autor, por sorte, a publicação pode ser lida como um livro manifesto. Essa obra está toda montada numa cena de desconforto em relação ao mundo e às coisas desse mundo, explica. Natural de Barra Mansa (RJ), Capilé é doutorando em Literatura Brasileira pela PUC – Rio. Na última década, morou em Juiz de Fora, cidade onde não só se formou em filosofia pela UFJF mas também enraizou seus versos: atuou como cofundador e organizador do Eco-Performances Poéticas – espaço em que artistas sobem ao palco para apresentar seus textos. Tudo ao som do discotecário Pedro Paiva. Existe um desejo de que a poesia seja mais e melhor lida. Nesse sentido, a performance é um contato imediato, mas sempre efêmero, por ser um acontecimento.
Trovadores elétricos, de Anderson Pires
Um livro que parte do cenário de crise instalado na poesia, mas politiza-se e põe boa guarda nessa tensão com a polis – o jogo do privado (lugar do poeta) e do público (lugar da poesia) – sem perder a sinuosa, mas precisa, via de comunicação com o leitor
Edimilson de Almeida Pereira
A radicalização do verso nas lides com as modulações da sintaxe, sempre em atrito; junto do uso escorregadio no jogo (e ginga) da memória, que desmantela zonas de conforto, já naturalizadas, na leitura de uma determinada mineiridade, são elementos que tornam Edimilson um dos poetas incontornáveis na nossa contemporaneidade
Pós – Paulo Henriques Britto
Poema crítico, composto em seis quadras, todas em decassílabos – nas variantes possíveis do metro – em que ensaia a discussão com as poéticas das vanguardas e as atuais em um arguto jogo discursivo entre as exigências dos modelos utópicos e as da contemporaneidade, dispostas entre ‘facilidades’ e ‘dificuldades’
Joaquim Pedro de Andrade
No bojo de sua produção, Joaquim Pedro traça um dos mais interessantes painéis na construção e formação da memória cultural brasileira, na visitação do futebol (‘Garrincha, alegria do povo’); do modernismo e da antropofagia (‘Macunaíma’ – filmado, obviamente, a partir do romance de Mário de Andrade) e da poesia (‘O poeta do castelo’ – com Manuel Bandeira)
A lira do delírio, de Walter Lima Jr
Um bloco de carnaval. Uma trama policialesca. A atuação magistral de Paulo Cesar Pereio. E, ainda, um dos planos mais belos do cinema – a cena em que Pereio, na redação do jornal, enquanto tecla no ar, vê a máquina de escrever andar pelo corredor da sala. Magnífico
Recanto – Gal Costa
Gal incorpora elementos eletrônicos e de distorção rasurando o lugar reconhecido da própria voz e me acerta. ‘Recanto’ oferece algumas das mais belas canções da atual música brasileira: ‘Autotune autoerótico’ e ‘Tudo dói’, como exemplos. Além da divertida e frontal ação com ‘Miami maculelê’
Sem volta – Visco
A canção reúne algumas das características mais marcantes do rock contemporâneo, com riffs flutuantes e uma cozinha muito concisa, sem perder de vista a exata equação entre linhas vocais, bastante inteligentes, harmonizadas entre a intimidade e a dimensão de arena em um refrão matador
Sibila – www.sibila.com.br
Hospeda alguns dos grandes articulistas culturais da contemporaneidade. Embora, em aparência, a ênfase pareça recair sobre a literatura, na verdade vemos um intenso e esclarecedor debate acerca das cenas das artes em geral, sem perder de vista o potencial crítico da polêmica
