Ícone do site Tribuna de Minas

Dupla carioca de palhaços toca instrumentos estranhos no espetáculo Tremelicando

lilian moraes da vida a currupita e seu parceiro richard riguetti interpreta o palhaco cafe pequeno

lilian-moraes-da-vida-a-currupita-e-seu-parceiro-richard-riguetti-interpreta-o-palhaco-cafe-pequeno

Lilian Moraes dá vida a Currupita, e seu parceiro, Richard Riguetti, interpreta o palhaço Café Pequeno
PUBLICIDADE

Lilian Moraes dá vida a Currupita, e seu parceiro, Richard Riguetti, interpreta o palhaço Café Pequeno

PUBLICIDADE

Um é pouco, dois é bom e três é demais. Um é difícil, dois também, e sete é quase impossível, mas é justamente esse um dos grandes méritos do palhaço Treme Treme, que sabia tocar diferentes e estranhos instrumentos. Em “Tremelicando”, espetáculo que o grupo carioca Off-Sina apresenta neste domingo na Praça Jarbas de Lery Santos, no Bairro São Mateus, às 16h, homenageia o personagem e sua parceira de picadeiro ao ar livre Corrupita. “Esse é um espetáculo de palhaços excêntrico-musicais, que tocam instrumentos inusitados. Ele é fruto de uma pesquisa que realizamos sobre esses palhaços que foram nossos mestres e já faleceram”, conta Lilian Moraes, que dá vida a Currupita, e seu parceiro, Richard Riguetti, interpreta o palhaço Café Pequeno.

“Criamos um roteiro de números nos quais os palhaços tocam instrumentos como bomba de bicicleta, buzina de padeiro, piano de latas, guizos e moedas, que, ao bater em mesa de mármore, reproduzem notas musicais. Parte disso foi resgatado através da pesquisa. Nossos mestres já faziam isso há anos. Eles tinham, inclusive, uma repercussão muito grande no Brasil”, acrescenta a atriz. “Resgatamos, também, a figura do casal banda. O Treme Treme, quando vivo, fazia um excelente homem-banda, que é aquele artista que toca muitos instrumentos ao mesmo tempo”, diz Lilian, carioca que passou grande parte das férias de infância em Juiz de Fora, onde mora sua avó materna. Contemplado pelo Prêmio Funarte Artes na Rua (Circo, Dança e Teatro), “Tremelicando” – cuja trilha sonora é assinada por Daniel Gonzaga, filho de Gonzaguinha e neto de Gonzagão -, integra o projeto “Pelas ruas das cidades” e ainda deve desembarcar em Petrópolis, Teresópolis, Nova Friburgo e Campinas, no Estado do Rio.

PUBLICIDADE

Picadeiro engajado

Em Juiz de Fora, o projeto convida os alunos da Escola de Circo Carequinha para apresentar o espetáculo “A arte não pode parar”, às 15h. “A ocupação é importante para a cidade, porque ressignifica o espaço público. A praça não é do prefeito, do Governo, é do povo”, discursa Lilian Moraes, a Currupita, com as certezas que a longa estrada lhe deu. “Somos uma companhia de circo e teatro de rua. Aqui no Rio, temos uma prática que é adotar uma praça como sendo uma sede pública. Nosso espaço é o Largo do Machado, onde sistematicamente ocupamos com o Off-Sina, ao longo do ano, com atividades que vão desde aulas ao ar livre de teatro, canto, circo, música, até apresentações de nosso repertório e de grupos convidados de todo o Brasil. Estar na rua é nossa missão, compreendemos a rua como um espaço de celebração e de troca”, comenta.

Enquanto os palhaços seguem uma lógica nada convencional para criticar acidamente o mundo, o grupo Off-Sina, um dos mais respeitados do país, mostra-se igualmente atento ao que o cerca. “No Rio, temos uma movimentação grande. Há alguns anos, foi criada a Lei do Artista de Rua, de número 5.429, que dispõe sobre as apresentações artísticas em logradouros públicos. Antes dela, tínhamos bastante dificuldade de trabalhar. Mantemos, ainda, todas as segundas-feiras, reuniões num fórum chamado Arte Pública, que discute situações envolvendo políticas para as artes públicas, num sentido local e nacional”, pontua a artista, completando em seguida: “Hoje temos a Eslipa, a Escola Livre de Palhaços, que veio de nossa necessidade em ter um espaço onde pudéssemos discutir, refletir e praticar o ofício do palhaço”.

PUBLICIDADE

Tamanho engajamento é fruto dos 21 anos de existência, além de uma metodologia própria consolidada e da sede instalada no Grande Circo Teatro Garagem, no Bairro Cosme Velho, Zona Sul do Rio. Nesse percurso, a cena se transformou, e hoje os palhaços não estão apenas nos circos, mas também nos palcos e, como desejam, nas praças. “A dramaturgia do palhaço tem tomado novos rumos, novos ares”, recorda Lilian. “A dramaturgia do palhaço é muito flexível, o que tem a ver com o trabalho do artista de rua, que precisa estar muito bem preparado para todas as interferências possíveis”, complementa. O palhaço, segundo ela, é espontâneo e múltiplo. É um ser singular, desses que conseguem tocar mais de meia dúzia de instrumentos.

PUBLICIDADE

PELAS RUAS DAS CIDADES

“A arte não pode parar”, da Escola de Circo Carequinha, às 15h

PUBLICIDADE

“Tremelicando”, do Grupo Off-Sina, às 16h

Neste domingo, na Praça Jarbas de Lery Santos (São Mateus)

Sair da versão mobile