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Para ser dono da situação

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A relação de Danilo de Moura com os palcos sempre foi pautada por desafios. Ator de musicais, além de realizar as peripécias vocais e corporais necessárias ao ofício, Danilo já precisou emagrecer 30 quilos para viver um papel, e, logo em seguida, perder mais 20, para dar vida a outro. O desafio da vez é encarnar ninguém menos que Tim Maia, protagonizando um dos musicais de maior sucesso do teatro nacional dos últimos anos, já visto por mais de 400 mil espectadores. "Tim Maia – Vale tudo, o musical" terá apresentação única em Juiz de Fora hoje no Cine-Theatro Central.

Não bastasse o desafio de interpretar o ídolo da música brasileira, Danilo entra em cena para substituir o carismático – e agora "global" – Tiago Abravanel. "Quando vi a peça, meu Deus do céu, fiquei em choque com o trabalho dele, que é meu amigo", conta o ator, que já dividiu o palco com Abravanel em outros musicais. "Quando apareceu a oportunidade de fazer o Tim no lugar do Ti, logo pensei: se eu me encher de medo, nunca vou ser o Tim’. Ele era o dono da situação, onde estivesse, e eu precisava daquela essência", conta o simpático ator em entrevista à Tribuna pelo telefone. Sem pedir licença, Danilo, que conta com formação em música e possui vários musicais no currículo, como "Aida", "Hairspray", "Huck Finn" e "Alladin", encarou o desafio e lançou-se no trabalho, assumindo o papel em performance vigorosa.

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"Sem sombra de dúvida, não é nada saudável subir no palco sabendo que você não é o ator desejado. Mas viver o Tim é a principal ‘responsa’", constata de maneira franca, dizendo não ter sido única a vez que ouviu comentários depreciativos assim que as cortinas se abriram. Mas a motivação do ator é a convicção no seu trabalho. "Em duas cenas, a plateia já esquece que sou eu ou outro e só quer saber do Tim", ri.

Para Danilo, toda atuação resulta da simbiose entre personagem e ator, este trazendo na bagagem suas vivências artísticas, pessoais e outras tantas. "Acho que o ‘meu’ Tim é mais brucutu, mais ogrão. O tiozão do churrasco, sabe? Também sou um pouco assim", brinca. "Acho que o Tim Maia do Ti pedia por favor, o meu, jamais."

 

Vida em melodias

Se estivesse vivo, o Síndico completaria 70 anos em 2012. "Tim Maia foi o ser mais livre que conheci", sintetizou o autor da peça, Nelson Motta, que conheceu a fundo a vida de um dos artistas mais controversos, rebeldes e igualmente amados que o país já conheceu. "É incrível porque quem conheceu o Tim Maia chora e depois dança. Quem não conheceu fica louco, ‘eu quero esse cara todo dia’", comentou Motta.

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Assinando a direção do musical, João Fonseca optou por estruturar a narrativa em blocos temáticos, ilustrados por clássicos de Tim que remetem conceitualmente a cada passagem. A cena se desdobra a partir da infância pobre no bairro carioca da Tijuca, o contato com a música e as primeiras bandas que integrou, como Tijucanos do Ritmo, The Sputniks e The Snackes, quando conheceu Roberto Carlos, Jorge Benjor e Erasmo Carlos.

Ainda são retratados momentos como a partida para os Estados Unidos, em 1959, e a posterior deportação por roubo e porte de drogas, a eclosão da Jovem Guarda e a gravação do primeiro disco, a primeira grande paixão, Janete, e as discussões explosivas travadas entre Rio e Londres em diversas idas e vindas, o período em que aderiu à ideologia "Racional superior", a explosão popular, os filhos e a formação da banda Vitória Régia.

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O público ouvirá grandes sucessos como, "Vale tudo", "Do Leme ao Pontal", "Cerejeira rosa", "Azul da cor do mar", "Primavera", "Eu amo você", "Não quero dinheiro", "Chocolate", "Gostava tanto de você" e "Sossego".

 

 

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Guaraná, suco de caju e goiabada para sobremesa

A primeira lembrança da música de Tim Maia que alcança Danilo de Moura, com seus 30 anos, remonta o cenário dos anos 1990 e os sucessos em parceria com Jorge Benjor. "Minha memória é muito musical, e não há como viver no Brasil sem ouvir Tim Maia. Mas foi quando fui amadurecendo que comecei a ouvi-lo com outros ouvidos. Depois que entrei para a faculdade de música, passei a entender melhor a importância da musicalidade dele", diz o paulistano que tem de encarnar uma figura das mais cariocas e cheias de suingue.

"É estudo. Não tem o que dizer. Cada ator tem um processo muito particular, cada um precisa de uma preparação específica para o que vai executar", observa Danilo, que garante que, agora, o corpo já aceitou a maratona dos musicais. "São mais de duas horas nesse espetáculo, mal tenho tempo para tomar água. Saio podre", diz.

Além da preparação vocal diária, o ator teve que engordar para convencer no papel. "Quando emagreci 50 quilos, conheci um novo corpo, porque sempre fui gordinho. Uma vez gordinho, gordinho para sempre", diz Danilo, que hoje procura "cultivar" a marca dos 125 a 127 quilos. "Engordar é sempre mais fácil. Costumo dizer que é o mesmo que te darem uma Ferrari em uma rua totalmente vazia. Você vai embora."

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Além dos trabalhos nos vocais da banda Cia 1111 – que tem outros integrantes no elenco do musical -, Danilo diz que vários projetos estão encaminhados, embora a dedicação à turnê teatral seja a prioridade atual. "Parece que toda vez que você planeja algo acontece alguma coisa que te tira do prumo, mas para o bem. Tem muita coisa boa para acontecer."

 

TIM MAIA – VALE TUDO, O MUSICAL

 

Hoje, às 21h30

 

Cine-Theatro Central

3215-1400

 

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