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Diário de bordo

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Buenos Aires é arquitetura, história e, principalmente, arte. Mais uma vez me aventurando pela capital portenha, chego com o olhar treinado, não pretendo apenas turistar. Meu intuito é sentir a cidade. Desnudo-me por alguns dias de minha brasilidade em prol de vestes mais latinas, temperadas com o agridoce sabor do tango. A capital argentina é uma cidade multifacetada, possui de forma bastante curiosa a capacidade de apresentar diferentes avatares agradando todos os estilos de maneira amplamente satisfatória. Artisticamente representa ao meu ver a Meca da América Latina. Buenos Aires ainda é o principal polo difusor de arte no continente.

Cosmopolita, a cidade oferece opções artísticas e culturais em quase todos os bairros, o que torna o simples fato de percorrer suas ruas algo extremamente dinâmico e surpreendente. Em uma de minhas visitas à cidade, me deparei, por exemplo, com uma divertida loja conceito em San Telmo, onde o visitante era convidado pelos proprietários a intervir na decoração do local. Ali também localizam-se o Macba (Museo de Arte Contemporânea), apresentando uma das maiores coleções de abstração geométrica do planeta, com obras de Martha Boto e Cruz-Diez. Além, é claro, do Museo de Arte Moderna que recebe interessantes mostras itinerantes. A Calle Defensa, localizada logo em frente a esses espaços, é um excelente local para se garimpar antiguidades e obras de artistas emergentes e tem se tornado ultimamente reduto de descoladas lojas de design.

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Para os colecionadores de plantão, vale uma visita à Calle Arroyo, entre os bairros do Retiro e Recoleta. Trata-se de uma elegante rua arborizada onde há a maior concentração de galerias de arte da cidade. Lá encontram-se para comercializar trabalhos de nomes como Andy Warhol e Cildo Meireles. Ainda na Recoleta podemos encontrar o famoso cemitério onde repousa Evita Perón e que atrai como consequência uma legião de turistas. Esses, entretanto, muitas vezes não se atentam a uma das mais notáveis peculiaridades do local: a escultura tumular, com impressionantes trabalhos em mármore e jade cuja plasticidade evoca drama e fé.

Para os mais tradicionais, o Museu Nacional de Belas Artes guarda obras de Braque, Cézanne, Picasso e Toulouse-Lautrec na mesma sala. Em Palermo, prepare-se para se encantar com o Malba (Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires), casa do Abaporu de Tarsila do Amaral desde 1995. Além de um acervo fixo com nomes como Pablo Reinoso e Frida Kahlo,o museu possui as maiores exposições internacionais da América Latina.

Contudo, em Buenos Aires a arte não é vivida apenas nos museus e galerias. Nos bairros de Palermo Soho e Palermo Hollywood, é comum se deparar com importantes nomes da literatura e da arte contemporânea argentina jantando em um dos deliciosos e elegantes bistrôs. Se a intenção é dançar, o estonteante Ásia de Cuba, em Puerto Madero, sempre reúne um grupo de bons pintores e escultores que aproveitam a noite para conversar sobre arte. Enfim, assim é Buenos Aires. Um grande ponto de encontro, entre a vida e a arte.

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