Há dois anos, eles estiveram aqui. Estreavam em festivais e lotaram o Teatro do Pró-Música. De lá para cá, foram 22 indicações e 15 prêmios em mostras competitivas pelo país, incluindo as conquistas de melhor espetáculo pelo júri popular e melhor ator na quarta edição do Festival Nacional de Teatro de Juiz de Fora. Foi a primeira vez que o evento ‘dividiu’ um troféu para dois intérpretes, conta Leo Campos, da Cia. de Teatro Autoral, que comemorou ao lado de Leandro Bertholini. A dupla está de volta à cidade para a apresentação de encerramento do festival promovido pela Funalfa desde o dia 1º. A peça As mulheres da Rua 23, já conhecida do público local, descerra as cortinas do Cine-Theatro Central neste domingo, às 20h, logo após a cerimônia de premiação.
Segundo Leo, a dupla Catharina e Jovelina já não é a mesma. Ou melhor, é, mas está ainda mais íntima e natural. Se pudesse resumir a montagem em uma palavra, seria cumplicidade, menciona o ator e produtor, enfatizando que assuntos do cotidiano dão força viva às personagens. Nós falamos de amor, família, traição, religião. Usamos o humor para lançar algumas críticas. A interpretação não estereotipada que chamou a atenção dos jurados em Juiz de Fora partiu de um trabalho de composição iniciado em 2008. Nesse período, Leo e Leandro se juntaram a Carlos Alexandre e Raphael Miguel para fundar o Teatro Autoral. A tal cumplicidade, aliás, vem daí. Carlos cuidou da direção, enquanto Raphael assinou a dramaturgia ao lado de Leandro. Estamos na estrada juntos todo esse tempo. E sem patrocínio, reforça Leo, acrescentando que a trupe acabou de encerrar uma temporada de quatro meses no Teatro Miguel Falabella, no Rio.
Presente
Quando começou a desenhar o humor de As mulheres, o coletivo carioca sabia que remava contra a maré. De acordo com Leo Campos, se muitas produções priorizam o besteirol, poucas são aquelas que se enveredam pela linguagem nonsense ou baseada no teatro do absurdo. Mas a plateia mostrou valer a pena o risco. Leo conta que o primeiro grande público da montagem foi o juiz-forano, em 2010. Por aqui, as delicadas senhoras da Rua 23, com seus figurinos de século XIX, vislumbraram um horizonte distante.
A segurança e a intimidade em cena acabaram trazendo novas piadas e cacos incluídos no texto. O trabalho ganhou complexidade. Hoje, além do espetáculo, existe outra história criada internamente por nós. Sabemos tudo sobre essas mulheres, desde o nascimento. Estar no festival local como convidado não diminui a responsabilidade da peça. Assim assegura Leo, ansioso para conhecer de perto a arquitetura do Central. No dia 9 de outubro, a produção completa quatro anos de vida. Comemorar em Juiz de Fora é um presente, diz.
Outro que reaparece por estas bandas é o Grupo Zibaldoni, de Ribeirão Preto (SP). Gran Circo Internazionale e a saga dos heróis desconhecidos também marca o encerramento do festival, com sessão às 16h, no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas. Os ingressos devem ser trocados por livros de literatura na portaria da Funalfa (Avenida Rio Branco 2.234 – Parque Halfeld), entre 9h e 17h, ou uma hora antes de cada sessão, de acordo com a disponibilidade.
GRAN CIRCO INTERNAZIONALE E A SAGA DOS HERÓIS DESCONHECIDOS
Neste domingo, às 16h – CCBM – (Av. Getúlio Vargas 200)
AS MULHERES DA RUA 23
Neste domingo, às 20h – Cine-Theatro Central – (Praça João Pessoa s/nº)
