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O prazer de trabalhar em casa

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As locações do curta "Casa de boneca" estão repletas de sabores, sons e aromas de infância para sua protagonista, Larissa Bracher. Nascida em Juiz de Fora e criada em Ouro Preto, a atriz esteve em sua terra natal para rodar cenas do filme, em que atua sob a direção da amiga Adriana Barata. Filha do pintor Carlos Bracher, ela cultiva memórias afetivas em relação à cidade, como a convivência com os avós e tios paternos, no célebre castelinho dos Bracher, na Rua Antônio Dias. O restante da produção tem como cenário outro município que é referência para a atriz, Piau, local de nascimento de sua mãe, Fani Bracher. Para completar a atmosfera de intimidade, Larissa teve a oportunidade de contracenar com o marido, o cantor Paulinho Moska, pai de seu filho Valentim, de 11 meses. "É uma delícia trabalhar em casa", resume.

Inspirado em um caso real, ocorrido no Maranhão, o curta conta a história de Desirée, uma mulher que cresceu isolada na área rural e que se tornou mãe de sete filhos, todos resultados de abusos praticados pelo próprio pai. O caso, que ganhou destaque nos jornais, também chocou o país pela ingenuidade de sua protagonista. "Até então, ela não sabia que aquela situação não era comum", comenta Larissa.

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Antes de começarem as filmagens, a atriz buscou o universo rude e agressivo de Desirée através de pesquisas sobre o tema. Durante a preparação, o perfil e os gestos da personagem começaram a surgir quase espontaneamente. "Comecei a sonhar muito com ela, sobre como seria", conta.

O roteiro acompanha a história dessa personagem em três etapas da vida: infância, adolescência e idade adulta, fase interpretada por Larissa. Diante do histórico de violência e da falta de amparo social, Desirée acaba caindo na prostituição. É nesse momento que o personagem de Moska entra na trama, como um dos homens que exploram a jovem. Mais conhecido por sua música, o cantor não é um iniciante no ramo. Ao contrário, tem no currículo participações em filmes como "Quarup" e "Bete Balanço". "Nem todos sabem, mas ele é um excelente ator. Na época em que surgiu o Inimigos do Rei, ele cursava teatro", esclarece Larissa.

Exposições com obra do pai

A relação com Moska, que já dura quatro anos, ficou ainda mais intensa com a chegada do filho Valentim. Larissa conta que, mesmo tendo menos de um ano de idade, o bebê já acompanha os pais por coxias, bastidores de gravações e viagens de trabalho. A atriz, aliás, coleciona as passagens aéreas do bebê, que já somam 15. Esse número tende a aumentar, uma vez que Larissa ainda tem pela frente as apresentações de "Rock Antygona", peça que a manteve no palco até o oitavo mês de gravidez. Encerrada a temporada, ela vai se dedicar a uma nova especialidade, fazendo assistência de direção para o ator e diretor Guilherme Leme.

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Em 2011, a atriz ainda vislumbra outro projeto de fôlego, a organização de um ciclo de exposição em homenagem aos 70 anos de Carlos Bracher. Estão confirmadas mostras em locais nobres, como a Pinacoteca do Estado de São Paulo (na capital paulistana), Paço Imperial (Rio de Janeiro), Museu da República (Brasília) e Palácio das Artes (Belo Horizonte). Ela não descarta, entretanto, uma passagem por Juiz de Fora. "Esta cidade sempre estará nos nossos planos."

 

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Música no escuro

Embora tenha crescido cercada pela pintura, Larissa confessa que não tem o menor pendor para esse tipo de arte. Pelo menos, não o suficiente para se arriscar nesse ramo. Em contrapartida, ela acredita que a convivência com a arte desenvolveu seu senso estético. "Acredito que vocação não seja resultado de um fator só, mas de uma mistura de genética com o que aprendemos em casa e os encontros que temos pela vida."

Entre as lembranças de infância, estão as fábulas contadas a cada noite pela mãe e os momentos em que o pai apagava as luzes para que ela e a irmã, Blima, libertassem a imaginação ao ouvir música clássica. Essa sensibilidade, constantemente cultivada, encontrou seu meio de expressão quase por acaso, quando Larissa decidiu ingressar em um curso de teatro em Ouro Preto, aos 16 anos, para vencer a timidez. De modo despretensioso, as oportunidades começaram a surgir para a jovem atriz. Aprovada para um teste para entrar na oficina de atores da Rede Globo, ela começou a atuar como elenco de apoio em produções da emissora. Mais tarde, surgiu o convite para a novela "Chiquititas", do SBT, que era gravada na Argentina. A artiz optou por pedir demissão e ir para Buenos Aires, onde viveu por um ano.

De volta ao Brasil, começou a produzir suas próprias peças e atuar no cinema. A telona, aliás, tem se tornado uma modalidade cada vez mais presente em sua carreira. Em 2011, Larissa soma participações em três produções no circuito nacional: "De pernas pro ar", "A professora maluquinha" (que estreia em outubro) e no longa "A antropóloga", que considera um de seus trabalhos mais intensos, no papel de uma imigrante açoriana. "Comparo cada trabalho a uma pedra. Meu grande momento será quando a casinha estiver completa", avalia.

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