
Com uma programação repleta de artistas da música juiz-forana, a 22ª edição do Feijão de Ogun traz shows gratuitos de rap, hip hop, samba e pagode abertos ao público, a partir desta quarta-feira (9), em diferentes espaços da cidade. O evento celebra o orixá Ogun, dá visibilidade ao protagonismo negro e amplia o debate sobre a luta antirracista.
A primeira atividade musical está prevista para esta quarta, às 18h30, com a apresentação do Coral Àkórin, pertencente ao Bloco Afro Ilú Axé Muvuka, no Mercado Municipal. “O Coral Àkórin é um processo que começou, no ano passado, pra um grande projeto no futuro de integrar as artes: o canto da voz, a percussão e o ritmo da dança. Queremos a integração desses grupos autônomos, mas ligados à nossa associação. O povo pode esperar muita energia, a gente ‘tá’ vindo de um dos melhores carnavais que já tivemos, com novos investimentos e muito entusiasmo”, afirma o mestre da Muvuka e coordenador de projetos sociais do Òrúnmilá, Rick Guilhem.
Já na sexta-feira (11), o Feijão de Ogun recebe o Dj MCastro e O Samba de Colher com as participações de Aline Crispin e Camila Brasil, na Praça Antônio Carlos, no Centro.
O Samba de Colher, criado em 2018, é um grupo de pagode juiz-forano formado por Alessandra Crispim (cavaco e voz), Isabella Queiroz (tantã e voz), Mariana Assis (pandeiro e voz) e Tamires Rampinelli (violão e voz).
“É sempre uma alegria, uma honra enorme receber as nossas amigas, irmãs, Aline Crispim e Camila Brasil, e no Feijão de Ogun não vai ser diferente: vai ser uma energia única, a união das mulheres em prol do samba, do pagode”, afirma Isabella Queiroz.
Aline Crispim é cantora e compositora. Em 2021, lançou seu primeiro single, “Flores”. Camila Brasil iniciou sua trajetória no samba cantando em bares de Juiz de Fora. “Eu recebi um chamado para cantar samba. Mas tenho que saber onde piso, ir com calma. Sou uma pessoa branca e de classe média que faz samba. (…) Eu reconheço meus privilégios, sei meu lugar. O samba na minha vida é uma crescente, e tenho muito respeito por todo esse legado”, diz a cantora.
Encerrando a programação de sexta, o rapper juiz-forano RT Mallone se apresenta com Maria Preta e BRK Mallone. Vencedor da primeira temporada do reality musical “Nova cena”, da Netflix, ele recebeu o título de cidadão benemérito de Juiz de Fora pela contribuição para a música da cidade. MC Maria Preta é uma rapper que acumula mais de 8 mil ouvintes mensais no Spotify.
Também juiz-forano, o rapper BRK Mallone destaca a participação no evento ao lado dos dois colegas de profissão. “Eu trabalho junto com o RT tem alguns anos. Com o lançamento do meu álbum (“Todo atalho é uma miragem”), ele me convidou a participar (do Feijão de Ogun) realizando a apresentação das músicas novas ao vivo. O evento é um convite a viajar no tempo, onde oscilamos entre passado e presente, construindo a arte do futuro. Quem for não vai se arrepender, tem gente bonita, boa música e é uma aula histórica.”
No penúltimo dia de evento, sábado (12), a programação é composta por DJ Anderson Fofão, Samba D’ilè com Samba do Mato e Maracatu Trovão da Roza – grupo de estudos de maracatu e outros ritmos. Também na data, o Muvuka se apresenta com o grupo carioca afro cultural Òrúnmilá e, encerrando as atividades, há o Baile Black Bom, considerado patrimônio imaterial carioca.
“O Feijão de Ogun rompe o silêncio, né? Imposto pelo racismo religioso. Quando abre espaço pro samba de terreiro, ele está dizendo que as vozes negras importam sim. Que orixás têm lugar, e que a cultura de matriz africana não vai ser apagada. É um ato político, espiritual e artístico, logicamente, né? A gente se orgulha muito de fazer parte dessa afirmação que é o Feijão de Ogun. A gente traz muito além do estar no palco, de simplesmente cantar o samba de terreiro, a gente traz também muita didática, muita coisa que aprendemos”, afirma o líder do Samba D’ilè, João Pedro Guimarães.
Para o último dia de programações, domingo (13), o Feijão de Ogun terá o Samba de Ogun com Mulheres do Samba JF e Bateria Sensação, o Xirê de Ogun; além do grupo artístico de música popular, Ingoma.
*Estagiária sob supervisão da editora Gracielle Nocelli
Serviço
Data: 9 de julho (quarta-feira)
18h- Abertura da Exposição “Caminhos ancestrais” por Daniela Miranda
18h30 – Coral Akorin – (Mercado Municipal)
19h – Roda de conversa – “Entre peles e padrões: Identidade negra, masculinidade e
dissidências sexuais”
Local: Mercado Municipal (Av. Getúlio Vargas, 188 – Centro)
19h – Mesa: Tiago Azeviche (BA), Martvs das Chagas e Mediação Camilo Azarias
Local: CCBM (Av. Getúlio Vargas, 200)
Data: 10 de julho (quinta-feira)
18h45 – Exibição do Documentário “Decifra-me”
19h – Roda de Conversa: “Herança e luta: Racismo e a realidade socioeconômica das famílias
negras”
Mesa: Danielle Teles, Joana D’arc Talha, Jussara Alves e Mediação Dani Melo
Local: CCBM (Av. Getúlio Vargas, 200)
Data: 11 de julho (sexta-feira)
16h – Feira de Etnodesenvolvimento e Economia Solidária
17h – DJ MCastro
19h – Samba de Colher convida Aline Crispim e Camila Brasil
21h – RT Mallone convida Maria Preta e BRK Mallone
23h – Encerramento
Local: Praça Antônio Carlos
Data: 12 de julho (sábado)
Caminhada Juiz de Fora Negra
Horário: 10h às 12h
Local: Do Parque Halfeld até o Mirante do São Bernardo
Valor: R$ 30,00 (compra via link do Sympla)
14h – Feira de Etnodesenvolvimento e Economia Solidária
14h – Dj Anderson Fofão
15h – Samba D’Ilê convida Samba do Mato
16h45 – Maracatu Trovão da Roza
18h – Muvuka convida Òrúnmilá (RJ)
20h30 – Baile Black Bom (RJ)
23h – Encerramento
Local: Praça Antônio Carlos
Data: 13 de julho (domingo)
12h – Distribuição do Feijão de Ogun (Gratuito)
12h – Samba de Ogun convida Mulheres do Samba JF e Bateria Sensação
16h – Xirê de Ogun
17h – Ingoma
Local: Quadra União das Cores (Rua Daniele, R. Cláudia Lamarca Pereira, 11 – Milho Branco)
