
Tela “Serenidade”, de Maria Pardos, antes e depois da restauração
Periódico é composto por 12 artigos de autores de várias instituições brasileiras
“Uma publicação periódica com o caráter de investigação é importante porque desenvolve, na equipe do museu, o gosto pela pesquisa, aumentando a qualificação do quadro técnico da instituição”. É com a experiência de quem esteve na direção do Museu Histórico Nacional por duas décadas que a museóloga e historiadora Vera Tostes faz palestra no lançamento da edição número um dos “Anais Museu Mariano Procópio”. O evento acontece nesta quinta-feira, às 19h, no anfiteatro 1 do Instituto de Ciências Humanas da Universidade Federal de Juiz de Fora. Vera vai falar sobre o tema “Histórico das políticas de patrimônio para museus”.
“Não só o acervo, mas a instituição como um todo, ganha reconhecimento da comunidade cultural e científica com as pesquisas e as publicações”, destaca a historiadora, defensora da ideia de que o investimento em publicações deve ser enxergado como prioridade. “O primeiro anuário do Museu Histórico Nacional foi lançado em 1940. A partir daí, houve um período de 20 anos sem qualquer publicação. Quando assumi a direção, percebi que os funcionários tinham perdido o hábito de escrever, mas aos poucos isso foi retomando. A continuidade dos trabalhos e a qualidade dos artigos fazem com que os anais sejam a única publicação do Ministério da Cultura que já recebeu a nota máxima do Capes”, completa.
Publicado com apoio do Laboratório de História da Arte, do Programa de Pós-Graduação da UFJF, o volume chega ao público com 12 artigos de autores vinculados a várias instituições brasileiras, como Marize Malta, da Escola de Belas Artes da UFRJ, e Maria do Carmo Couto Silva, da USP, evidenciado a representatividade do acervo no cenário nacional e internacional, conforme aponta o diretor do museu Douglas Fasolato. “Esta realização é mais um exemplo de que o Museu Mariano Procópio vem cumprindo o tripé museológico, que é preservar, pesquisar, comunicar e expor para fins de estudo educação e lazer os testemunhos materiais e imateriais sob sua guarda, mesmo com os prédios históricos fechados para obras de restauro.” Fasolato destaca que a publicação segue o padrão dos periódicos científicos, contando com conselho editorial e conselho consultivo.”
Sete obras de autoria da pintora espanhola Maria Pardos voltaram para a casa fundada por Alfredo Ferreira Lage completamente restauradas. “Autorretrato”, “Serenidade”, “Desolada”, “Pillar”, “São Pedro” e outras duas sem títulos estiveram nas mãos da equipe do Atelier Raul Carvalho Restauração de Obras de Arte, de São Paulo, referência no assunto há 21 anos, por três meses. Segundo Douglas Fasolato, as intervenções foram orçadas em R$ 19 mil. O processo de restauro foi minucioso, começou ainda na fase de documentação fotográfica e incluiu a etapa de higienização.
Conforme a professora Valéria Mendes em sua dissertação de mestrado “Representações de Infância na Pintura de Maria Pardos”, a pintora é de origem espanhola e chegou ao Brasil em 1890. Morando no Rio de Janeiro, ela estudou desenho e pintura com Rodolpho Amoedo e apresentou suas obras nas Exposições Gerais de Belas Artes e em outros importantes espaços.
ANAIS MUSEU MARIANO PROCÓPIO
Lançamento nesta quinta, às 19h
Anfiteatro 1 do ICH
(Campus da UFJF)

