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Criança sabe o que quer

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Um quarto decorado com bambolês e almofadas, que viram brinquedos, sofá e cama. Esse é o ambiente de Yasmim. A pequena tem tudo o que toda criança quer, mas não para de chorar. Até mesmo um simples mosquito voando no quarto a faz abrir o berreiro. Os pais fazem de tudo para descobrir o motivo de tantas lágrimas, porém não conseguem. Ela ainda se vê dividida entre os amigos Beatriz, menina rica e extremamente preocupada com as aparências, e Raimundo, garoto simples, que adora brincar na rua. Vencedor do prêmio Zilka Salaberry – honraria dedicada a valorizar os profissionais que se destacaram pela seriedade e qualidade no trabalho voltado para o público infantil no Rio de Janeiro – nas categorias texto (Renata Mizrahi) e atriz (Débora Lamm), o musical infantil Coisas que a gente não vê tem única apresentação em Juiz de Fora neste domingo, às 18h, no Cine-Theatro Central, com apoio do programa Petrobras Distribuidora de Cultura. Mais cedo, às 14h, Renata comandará oficina direcionada a pequenos a partir dos 8 anos. A apresentação será acompanhada por um intérprete de libras.

Um musical infantil para toda família, que trata de um assunto muito pertinente na sociedade atual: receber carinho. Isso com muito humor, poesia, música ao vivo e diversão. Na visão da dramaturga, é assim que o espetáculo pode ser definido. Decidida a ter seus desejos atendidos a qualquer custo, a protagonista enfrentará o medo de expressar o que sente. É nessa hora que os pais percebem que a filha necessita mesmo é de atenção e afeto. O foco é a escassez do tempo concreto e emocional na vida dos pais para educar seus filhos como gostariam e a solidão urbana que muitas crianças compartilham, comenta Renata.

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O elenco é revezado. Quem aportará por aqui são os atores Elisa Pinheiro, de Cilada.com, no papel de Beatriz; Vicente Coelho, interpretando Raimundo; Paula Sandroni, como a mãe; Alexandre Mofati, como o pai; e Renata, na pele de Yasmin. Também sobem ao palco os músicos Felipe Ridolfi e Guilherme Menezes. De acordo com a autora, para narrar essa saga contemporânea, ela apostou em um texto linear e rimado com canções embaladas por guitarra e som eletrônico. As letras das músicas têm assinatura de Renata e Bruno Alexander. Já a direção musical é de Igor Araújo, que trabalhou dez anos como baixista e arranjador de Geraldo Azevedo. Atualmente, ele é um dos diretores musicais do Monobloco. A peça é dirigida por Joana Lebreiro. É uma montagem bastante comunicativa com a plateia, afirma a autora. A Joana é uma superdiretora, mãe. Cheguei com as letras e algumas melodias prontas. O Igor pegou tudo e fez os arranjos lindos com toda a sensibilidade! Tivemos uma excelente interação e parceria.

Para Renata, o teatro infantil não pode subestimar a lógica da garotada. Deve comunicar e, acima de tudo, ser divertido e profundo, ressalta ela, que transpôs a história para livro de mesmo nome publicado com selo da Giostri. A obra será sorteada no final do espetáculo e vendida na bilheteria da casa de espetáculos. O livro é a peça na íntegra. Resolvi publicá-lo para as crianças terem a oportunidade de levar a peça para casa, encenar, brincar de fazer personagens e entender como é um texto dramatúrgico, sua maneira de ser escrito. Ele é direcionado para qualquer criança alfabetizada até a terceira idade, brinca.

Também autora de outros dois textos voltados para o público infantil, Joaquim e as estrelas e Francisco e o mundo, a dramaturga e roteirista não acredita na existência de uma fórmula para fisgar a meninada. A resposta para o sucesso da empreitada, aplaudida pelo júri especializado na literatura infantil, segundo ela, vem do coração. Acho que o importante é não perder o respeito e se preocupar com a qualidade.

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Certamente, quando estiver ministrando a oficina no Cine-Theatro Central, Renata estará, mais uma vez, tentando contribuir para a formação de um novo público teatral. Tento enxergar o mundo a partir dos olhos das crianças, explica, destacando que a inspiração surge do contato com seu espectador mirim, da observação do mundo, da vontade de viver a vida intensamente. Diferentemente de outros autores que se debruçam sobre o mesmo tipo de literatura, Renata não quer saber se produz com fins pedagógicos. Escrevo a partir de algo que me move ou que observo. Além de conduzir exercícios de integração, a autora fará aquecimento lúdico, brincadeira de mudanças de estados e atividades de improviso de cenas dos espetáculos. Antes de os atores se desdobrarem em seus papeis, as situações serão vivenciadas no curso pela criançada, que deve retirar a senha no local.

A aproximação com a ribalta aconteceu quando Renata tinha 17 anos. De um curso livre em Copacabana, ela partiu para o Tablado. A atriz e dramaturga foi uma das criadoras da companhia Teatro de Nós, que também levou a melhor na montagem de Joaquim e as estrelas na categoria texto no Prêmio Zilka Salaberry 2010. A peça ainda abocanhou o Prêmio Fita 2011 – troféu Ítalo Rossi – como melhor espetáculo infantil e foi finalista do Prêmio Ana Maria Machado. No ano passado, Renata estreou como diretora na comédia dramática Os sapos. Os ingressos para Coisas que a gente não vê estão sendo vendidos no teatro a preços populares. Aos alunos de escolas públicas, serão reservados 20% da bilheteria. É preciso apresentar carteirinha de estudante.

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COISAS QUE A GENTE NÃO VÊ

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Neste domingo, às 18h

OFICINA COM RENATA MIZRAHI

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Neste domingo, às 14h

Cine-Theatro Central

(Praça João Pessoa). 3215-1400

Divertido e profundo

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