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A hora e a vez dos livros

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Essa terra, que tem palmeiras e onde cantam os sabiás, o mundo quer ler. Ou, ao menos, conhecer melhor para poder explorar um pouco mais. Convidado de honra da Feira de Frankfurt desse ano, que acontece de 9 a 13 de outubro, o Brasil já vislumbra um novo cenário para a literatura nacional. Editores e escritores, sob os olhares ansiosos dos livreiros, anseiam pela internacionalização da literatura brasileira, enquanto discutem ampliação e dinamização do mercado interno. Considerada o maior encontro do setor editorial no mundo, a Feira do Livro de Frankfurt reúne anualmente cerca de 70 mil expositores, sendo metade deles alemã e a outra fatia de fora do país. Os números elevados também estão na visitação da feira, que chega a receber, durante os quatro dias, mais de três milhões de pessoas. Numa área de quase 600 mil metros quadrados,o encontro também apresenta exposições, convenções, espetáculos e congressos.

Uma das responsáveis pelas atuais reformas no mercado editorial brasileiro dos últimos tempos, que viu tradicionais grupos fundirem e outras importantes incorporações de selos, além de uma inusitada dança das cadeiras entre editores, a feira tem sido apontada como um interessante propulsor para a literatura brasileira. "A exemplo do que ocorrerá em Frankfurt esse ano, quando teremos o privilégio de ser o país homenageado, são várias as nações que demonstram grande interesse em conhecer melhor nossa cultura e, por consequência, nossa produção literária", aponta Karine Pansa, presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL).

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Responsável por representar a maioria das editoras nacionais em atividade atualmente, a CBL foi uma das principais forças para a nomeação do Brasil na feira desse ano. Segundo a presidente Karine, os últimos dados divulgados pela instituição indicam que o mercado editorial brasileiro apresenta um faturamento anual de US$ 2,4 bilhões (aproximadamente R$ 4,89 bilhões). Em 2011, foram vendidos cerca de 470 milhões de exemplares, colocando o país atrás de China, Alemanha, Japão, França, Reino Unido, Itália, Espanha e dos Estados Unidos, líder mundial no setor, que fatura, por ano, cerca de US$ 29,1 bilhões (aproximadamente R$ 60 bilhões) no comércio de livros.

Dona de um catálogo numeroso, a editora carioca 7Letras não estará em nenhum estande da Feira de Frankfurt, mas seu editor Jorge Viveiros de Castro comemora a homenagem e confirma o mercado aquecido. "Toda iniciativa que abre caminho para nossa literatura é bem-vinda", diz. Idealizador da coleção Rocinante, selo que lançou autores relevantes para a cena contemporânea nacional, Castro comenta sobre as restrições econômicas que impedem editoras de pequeno porte de participarem de grandes feiras. Para ele, apesar de ainda gozar de uma incipiente força comercial, os grupos menores poderão se favorecer do encontro em Frankfurt no ponto de vista da divulgação.

"À medida em que aumentam a divulgação, o interesse e o conhecimento internacional sobre a alta qualidade do livro brasileiro, serão crescentes os impactos no mercado interno", concorda Karine Pansa, que defende a exportação como oportunidade de valorização dos "nossos autores, capistas, artistas gráficos e todos os profissionais envolvidos com a produção editorial". Criado em 2008 pela CBL em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), o projeto Brazilian Publishers é uma das iniciativas que propõem movimentar o ramo, incentivando intercâmbios através de ações direcionadas a venda de direitos autorais, participação em feiras e eventos internacionais, capacitação de empresários e colaboradores, além de consultorias especializadas em inteligência comercial e em prospecção de mercados.

 

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