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Músicos querem mais espaço na mídia para autoriais

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Presentes entre o público, músicos e produtores de diferentes estilos – entre eles metal, reggae e gospel – participaram de audiência na tarde desta quinta-feira (8) na Câmara Municipal, para tratar de espaço para divulgação de composições autorais. A variedade também foi destaque na mesa diretora, ocupada por artistas, como Márcio Itaboray, Chico Teixeira e Roger Resende, além dos gestores da Funalfa Guy Schmidt, Carú Rezende e Silvana Barbosa.

Coautor da proposta, que, por meio de projeto de lei, pode vir a viabilizar a inserção de músicas locais em rádios da cidade, o vereador Roberto (Betão) Cupolillo (PT) iniciou seu discurso informando que essa é uma reivindicação antiga do segmento musical, tomando a história de Juiz de Fora desde a sua formação à intensificação da vida cultural, cujo caminho desembocou na Lei Murilo Mendes. Por meio do incentivo, produzimos uma grande quantidade de CDs, mas isso não condiz com a repercussão, comparou o parlamentar, retomando o projeto de lei 256 (1991), cujo substitutivo vem sendo defendido pela deputada federal Jandira Feghali (PCdoB). O documento propõe que de 15% a 20% da programação das emissoras, no período de sete a 23 horas, devem conter programas culturais, artísticos e jornalísticos totalmente produzidos na região de atuação da sede ou filial.

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Como esbarramos na legislação federal, procuramos o deputado Gabriel Guimarães (PT) para abraçar a causa, comentou Betão, que encerrou a reunião sugerindo a criação de uma subcomissão suprapartidária para tratar do caso. E, como por enquanto não podemos alterar a legislação municipal, sugiro que a Rádio Câmara (veiculada somente na internet) abra espaço à música local, finalizou.

Ao tomar a tribuna, um dos assessores de Gabriel Guimarães, Márcio Mansur, em breves palavras, afirmou que o gabinete do parlamentar está aberto ao diálogo. Antes, porém, representantes das rádios Solar, Itatiaia e Cidade demonstraram sua posição quanto à sugestão. Subeditora de jornalismo da Solar, Cristiane Hubner reiterou que, pelo fato de o grupo manter duas frequências (AM e FM) no ar, atrai a atenção de um público variado, o que poderia fomentar quadros de entrevistas com artistas locais. Menos disposto, Marcos (Fubá) Vinícius, diretor comercial da Itatiaia, ressaltou as dificuldades financeiras de um veículo que opta por música de qualidade. Coordenador artístico da Cidade, Airton da Silva apontou a gravadora como a errada da história, tendo em vista que, conforme o programador Homero Amaral (do mesmo grupo), estaria faltando material no mercado.

Em resposta a Homero Amaral, Danniel Goulart, do Encontro de Compositores, saiu em defesa dos pares. A ideia que se tinha era de que as portas é que estavam fechadas, alfinetou o músico, destacando que não seria de interesse horários de menor audiência. Antes, Márcio Itaboray, enquanto discorria sobre a importância das rádios, citou a canção Bailes da vida, de Fernando Brant e Milton Nascimento. O Milton, aliás, sempre quando ouve um trabalho meu, pergunta: ‘o que vai fazer com esse CD?’. Logo em seguida, Chico Teixeira, hoje residindo no Rio, lembrou o papel das rádios públicas, ao questionar sobre a venda da antiga Pio XII (atualmente Rádio Juiz de Fora) e a legitimação da Rádio Universitária, outorgada como científica e experimental.

Os compositores Edson Leão e Kadu Mauad defenderam o potencial regional de Juiz de Fora, ressaltando a cadeia produtiva que poderia ser gerada a partir da veiculação de artistas juiz-foranos nos meios locais. Quando as pessoas se ouvem e se veem, passam a saber mais de direitos e deveres, resumiu Mauad. Representante da música do Conselho Municipal de Cultura (Concult), o diretor regional da Cooperativa da Música de Minas (Comum), Fred Fonseca, clamou pela importância de seguir com o debate nos fóruns a nas cooperativas, assim como em propostas de música independente, como o Circuito Fora do Eixo. Teríamos uma via de mão dupla, em que o empresário ganha na audiência e nós (artistas), na formação de público.

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