Selecionada para representar o Brasil no concurso internacional de canto lírico Ceprocut, que acontecerá entre os dias 8 e 17 de novembro, em Trujillo, no Peru, a cantora lírica Andréia Lira, aluna do quinto período da Faculdade de Música da UFJF, segue sua rotina de ensaios para se destacar no evento, que é único na América Latina e reconhecido em todo o mundo.
Foram selecionados 59 cantores de 17 países, como Chile, Argentina, Polônia, Ucrânia, México e Itália. Nessa edição, a XVI do festival, os candidatos poderão aprimorar sua técnica e repertório vocais assistindo a cursos ministrados por cantores de ópera profissionais e pesquisadores da área acadêmica, numa formação que inclui literatura musical, história da música, atuação e direção para óperas. Alguns dos participantes dessa edição são ganhadores de importantes concursos mundiais e formam parte de elencos de importantes companhias de ópera. "Sei que o nível dos participantes é altíssimo, a organização do evento é impecável e, além das provas, teremos muitas aulas com grandes professores. O título favorecerá muita a carreira daquele que vencer. Ele abrirá portas", afirma a cantora.
O canto lírico ainda é desconhecido do grande público, podendo soar estranho aos ouvidos de quem não está habituado com o tom que a voz humana pode alcançar. A ópera é um teatro cantado que não usa amplificação, por isso, foram desenvolvidas técnicas para que a voz chegasse ao público. "Este ajuste laríngeo que se alcança no canto lírico, a princípio, assusta bastante. Muitas pessoas ficam surpresas com a quantidade de decibéis que somos capazes de emitir. Procuro sempre explicar para as pessoas detalhes sobre o canto, porque acredito que o artista clássico atualmente, além de matar um leão por dia, deve se preocupar em formar platéia. Para chegar a esse nível, é necessário muito estudo técnico e uma rotina diária de treinos que respeitem o corpo. As pregas vocais são sensíveis, devemos ter muito cuidado para não lesioná-las."
Embora tenha um trabalho de destaque voltado para o canto lírico, Andréia também se aventura no universo da música popular e tem como principais referências nomes que vão de Mozart a Cartola, passando por Chopin e Tom Jobim. "Ultimamente, tenho cantado sambas, choros e bossas, mas não tenho fronteiras. Sou carioca, tenho o samba da Clara Nunes embalando minha vida desde que nasci, e como passei a infância e a adolescência me mudando de cidade, adquiri uma alma aberta às diferenças do Brasil e isso se reflete no meu gosto musical."
