Ícone do site Tribuna de Minas

‘O artista é um trabalhador’

PUBLICIDADE

A necessidade de compreender o artista como trabalhador foi um dos pontos mais abordados pela presidente do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões de Minas Gerais (Sated/MG), Magdalena Rodrigues, em sua palestra na cidade no último sábado. Aberto ao público, o evento foi realizado pelo Centro de Formação Artística Close, que também promove, neste mês, o Close Festival de Teatro (confira a programação em closefestival.blogspot.com). Pouco antes de falar sobre profissionalização no teatro do Colégio Machado Sobrinho, Magdalena conversou com a Tribuna e destacou a postura amadora de diversos artistas. Muitos atuam sem exigir carteira assinada ou contrato de trabalho.

PUBLICIDADE

Segundo a presidente, o sindicato procura manter ativa a relação com o interior por meio de exames para a aquisição do registro profissional (DRT). Também queremos deixar as pessoas antenadas. Temos um grupo no Google com mais de três mil nomes e estamos preparando nossos blog e site oficiais. No cargo desde 1992, a atriz, também presidente da Federação Internacional dos Atores Latino-Americanos, assistiu às mudanças na cultura trazidas pelo Governo Collor, berço da Lei Rouanet. Uma questão continua intocável: o artista não é visto como um trabalhador, insiste, lembrando que o Sated/MG organizou um dos primeiros movimentos da classe contra medidas de Collor, como a transformação do Ministério da Cultura (MinC) em Secretaria da Cultura (situação que se manteve entre 1990 e 1992).

A era das leis de incentivo, segundo Magdalena, possibilitou que muitos artistas desengavetassem sonhos. Por outro lado, deu oportunidade para que outros projetos se encaixassem nos moldes culturais e tomassem espaço. Deve-se diferenciar atividade profissional de manifestação amadora. Conforme acrescenta a presidente, no passado, havia mais trabalho e público. Sou atriz há 33 anos. Antes, tínhamos casa cheia sempre, menciona, questionando o fato de os espetáculos apoiados por leis já estarem pagos e não precisarem buscar ostensivamente os espectadores. De acordo com ela, muitas vezes, o ator é o último a receber seu salário, embora disponibilize tempo, saúde e, até mesmo, dinheiro do bolso. Apesar de reconhecer as vantagens desse tipo de incentivo, ela critica a postura do Estado, que não faz investimentos diretos, repassando a responsabilidade para empresas privadas. Acontece que os famosos, mais capazes de dar visibilidade às marcas, entram no mecanismo. Eles já vendem ingresso. Será que dependem de patrocínio?

PUBLICIDADE

Magdalena aponta ainda a necessidade que todo o indivíduo tem de se estabelecer em uma atividade. Ela lembra que, no caso dos artistas e técnicos, isso foi resguardado por lei (Lei 6.533, de meio de 1978). Anteriormente, os atores eram vistos como vagabundos. Essa é uma conquista que nos reconhece há 33 anos, finaliza.

PUBLICIDADE
Sair da versão mobile