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Letras em luto

ricardo cavalcanti atuava como jornalista e colunista social

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Ricardo Cavalcanti atuava como jornalista e colunista social

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As letras de Juiz de Fora amanheceram tristonhas nesta quarta-feira. Duas cadeiras da Academia Juiz-forana de Letras amanheceram vazias. Na noite da última terça-feira, dois de seus membros se foram. Aos 87 anos, o farmacêutico, escritor e ativista espírita Kléber Halfeld, internado no CTI da Santa Casa de Misericórdia, não resistiu a uma forte pneumonia. Aos 56, o jornalista, escritor e colunista social Ricardo Cavalcanti sofreu um mal súbito em sua residência, foi atendido pelo Samu, mas também faleceu. Num intervalo de meia hora, ambos foram enterrados no Cemitério Municipal na tarde de quarta. “É um momento de muito sofrimento para nós. Eles farão muita falta”, emocionou-se a professora, pesquisadora, escritora e imortal Marisa Timponi.

De acordo com Dilermando Rocha Galvão, presidente da Academia, “Kléber foi um dos fundadores da casa, que presidiu por 16 anos, logo depois da morte do Dr. Wilson de Lima Bastos. Quando ele adoeceu, demos a ele o título de presidente honorário. Já o Ricardo, estava sempre difundindo as atividades da Academia daqui e de outras cidades.” Enquanto Kléber ocupava a cadeira de número 36, cujo patrono é Luiz de Oliveira, Ricardo foi o titular da cadeira de número 1, cuja patrona é Nícia Paschoal. “Eles deixam um vazio muito grande. Esperamos ter sorte na escolha dos futuros nomes, porque encontrar pessoas como eles será muito difícil”, comentou Dilermando, que ainda não tem previsão de quando o processo será dado.

Criada em dezembro de 1982 e instalada em maio de 1983, a casa funciona na sala de número 403 do prédio 805 da Rua Halfeld. Composta de maneira bastante heterogênea, com a presença de figuras que trabalham em diferentes frentes, como o jornalista e escritor Ismair Zaghetto, a terapeuta e escritora Rosângela Rossi e o superintendente do Museu Mariano Procópio Douglas Fasolato, a Academia Juiz-forana de Letras soma mais duas, de suas 40 cadeiras, vazias. Agora, são 13 espaços vagos.

Sempre em atividade

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Kléber Halfeld era espírita e farmacêutico responsável técnico pelo composto Funchicórea

Além do papel de acadêmicos, Ricardo Cavalcanti e Kléber Halfeld se assemelhavam por serem figuras de intensa atividade. Sobrinho da também escritora Creusa Cavalcanti, morta em 2013, Ricardo era membro da Associação de Cultura Luso-Brasileira, da Academia Rio-Pombense de Ciências, Letras e Artes, da Academia de Letras da Mantiqueira, da Federação das Academias de Letras e Artes do Estado de São Paulo, da Federação das Academias de Letras e Cultura de Minas Gerais, da Academia Preandina de Artes, Cultura y Heraldica, do Círculo Monárquico de Juiz de Fora, do Instituto Histórico e Geográfico de Juiz de Fora, além de ser embaixador da paz pelo Cercle Universel Des Ambassadeurs de La Paix, na Suíça. “Mais que saudade, Ricardo Cavalcanti deixará cravado em nossos corações suas conquistas, sua bondade, seu carisma, elegância, educação e sua forma única de se fazer presente na vida de todos que tiveram a grande sorte de cruzar o seu caminho”, lamentou, em nota, a Academia de Artes de Cabo Frio.

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Autor de diversos artigos espíritas, colaboradores de revistas do meio como “O reformador”, da Federação Espírita Brasileira, e conselheiro ativo em entidades como a Fundação Espírita João de Freitas, Kléber se notabilizou na cidade pela constante atividade religiosa e, principalmente, intelectual. Farmacêutico por formação, era responsável técnico do composto Funchicórea, que em 2012 teve seu registro cancelado pela Anvisa, retornando às prateleiras em 2013. Filho de Ali Halfeld, farmacêutico que dá nome à galeria no Centro e fundador do Laboratório Melpoejo, o intelectual foi criado em ambiente espírita e dele nunca saiu. Em texto publicado em maio de 2005 em “O reformador”, concluiu, que “nos cabe aguardar a ‘resposta’ do plano superior”. Logo em seguida, lança mão de trecho do livro “Agenda cristã”, de Andre Luiz: “O tempo não passa em vão”.

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